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domingo, 24 de janeiro de 2010

Humilhação Erótica (Tradução Janus SW)

Humilhação erótica é o uso consensual de humilação psicológica em um contexto sexual, onde uma pessoa se excita ou tira excitação erótica da mistura de fortes emoções em ser humilhado e diminuido ou em humilhar os outros. A humilhação não necessita ser sexual em si, como muitas das outras atividade sexuais, seus sentimentos são derivados de quais são tiradas, independentemente da natureza da atividade real.
A humilhação pode ser verbal ou física e pode ser pública ou privada. Normalmente pode ser ritualizada e ao contrário de algumas variações sexuais, ela pode ser facilmente feita à distância ou “on line”. A distinção entre humilhação e dominação, em uma atividade como o spanking é que o resultado primordial é a humilhação, sendo a atividade apenas um meio para justificar os fins.

Apesar da humilhação fraca ou moderada não ser uma parte incomum do BDSM e de outras cenas de cunho sexual, ela pode ser levaa à um ponto onde passa a ser considerada uma prática extrema por muitas pessoas, devida a sua natureza extrema e a controvérsia acerca do seu impacto psicológico. Esse é uma questão subjetiva e depende fortemente do contexto.

TERMINOLOGIA E VISÃO GERAL

Uma pessoa a ser humilhada é geralmente chamada de “bottom” e a pessoa que humilha é geralmente chamado de Dominante (apesar desses termos padrão, usados nas relações D/s não são específicos à humilhação) e se mulher é chamada , algumas vezes de humiliatrix. Outros nomes comuns são escravo ou sub/sumbisso para o bottom e Mestre/Mistress ou Dom/Domme para os “top”.

Humilhação não é o mesmo de Dominação uma vez que o submisso não necessariamente procura receber ordens. A humilhação provém de sua própria força sexual quando o submisso procura a himilhação com e de qualquer meio, por exemplo, quando o spanking é primariamente valorizado pela humilhação envolvida. Como tal, ela abrange um grande especto da parafilia, em particular o fetiche por pés, sapatos, spanking, bondadge e a maioria dos estilos de BDSM. Ela pode ser tão básica como o desejo de beijar e massagear os pés como antecedente ao sexo, ou ser complexa, envolvendo o desepenho de papéis ou a demonstração pública de subserviência. Ela também pode acontecer em um período de tempo (uma “cena”) ou ser uma face do relacionamento. A “humilhação” não é intrínsica ao ato ou ao objeto, ao contrário, é simeoticamente carregado pela atitude compartilhada dos parceiros envolvidos no ato. São eles que investem atos específicos, objetos ou partes do corpo com seu aspecto de humilhação.

MÉTODOS DE HUMILHAÇÃO

A humilhação sexual é muito aberta. Ela pode ser, genericamente, em aspectos verbais e físicos. Os aspectos verbais podem incluir:

  • Diminuição verbal, tais como “escravo” , “rapaz”, “garota”, “bicho”.
  • Insultos e abusos verbais tais como “gordo”, “feio”, “estúpido”, “inútil”.
  • Referências degradantes como “puta”, “sem vergonha”, “viado” e “biscate”.
  • Desmerecendo partes do corpo ou comportamentos tais como referências cruéis ou diminutiva aos seios, aparência facial, genitália ou tamanho dos genitais, traseiro e ironizar de alguns maneirismos como caminha, respostas ou padrões de cuidados pessoais.
  • Ter de pedir permissão para atividades do dia-a-dia como ir ao banheiro, comer ou gastar dinheiro.
  • Humilhação devido a seios pequenos onde a humilhação é dirigida a suposta inadequação aos padrões de seios femininos adultos ou sua inabilidade em agradar um homem (ou, por conseqüência, a intulidade dos seios da mulher em ser objeto de uma sessão).
  • Humilhação devido a pênis pequeno onde a humilhação é dirigida a supsota indadequação com os genitais adultos do home e sua inabilidade de satisfazer uma mulher (e por conseqüência , a inutilidade de ser objeto de uma sessão).
  • Repetição forçada, como ser obrigado a repetir os comandos dados para confirmá-los.
  • Gentileza forçada, como , por exemplo, concordar que toda decisão do Dominante é sábia, correta e justificada, enquanto eleogia as características físicas e de personalidade dele.
  • Ironizar e ridicularizar.

Os aspectos físicos e tangíveis podem incluir:

  • Ejacular, defecar, cuspir, bater ou ourinar sobre o corpo do submisso ou, especialmente, no rosto.
  • Fazer tarefas menores ou ter uma carga de trabalho abusica como, por exemplo, limpar o chão com escovas de dente.
  • Desempenhof requente de serviços sexuais passivos/ativos para o Dominante como massagem erótica, cunnilingus, analingus ou felação sem expectativas de atos recíprocos ou ato sexual.
  • Acompanhamento detalhado e contro de como gasta o tempo ou atividades feitas, incluindo lista de trabalhos para fazer, orientações precisas de como fazer o trabalho de casa e exatamente como agir e comportar-se.
  • Rituais específicos e intervenções a serem adotadas. Isso inclui mostras de subserviência como acender cigarros, andar um passo atrás do dominante, apenas falar quando permitido, ajoelhar-se ou prostrar-se na frente do Dominante enquanto espera ordens, comendo apenas após os outros ou no chão, um lugar mais baixo para dormir e uma variedade grande de atividades de adoração corporal como beijando ou chupando os pés dos Dominantes, botas, traseiro, ânus, vulva etc. para experessar agradecimento, subserviência, vergonha, ou mesmo emoções positivas como alegria ou excitação.
  • Suprimir a liberdade de movimentos. Isso pode incluir não poder deixar a sala enquanto o Dominante estiver presente sem sua permissão, e que pode ser proibido de deixar a casa ou masmorra, em geral para demonstrar a escravidão ou servidão.
  • Punições detalhadas para uma variedade de “infrações” ou má conduta como ter que permanecer em um canto olhando para a parede por algumas horas, açoitamento ou chicoteamento, comida racionada ou exercício forçado.
  • Personificação de papéis de stauts inferior como animais (cavalos ou cães por exemplo) ou bebês.
  • Spanking, chicoteamento, retenção ou qualquer atividades BDSM como tortura de pênis e escroto (cock and ball torture – CBT).
  • Proibições ou restrições de vestimenta, mesmo em público. Para mulheres, um exemplo comum é de serem comandadas a vestir apenas um biquini revelador ou lingerie. Para homens, isso poderá incluir feminização ou cross dressing. Para ambos sexos pode se esperar a ir completamente nus, com objetos decorativos como colares, tiaras, bandanas , sendo a algema a única exceção.
  • Uso de cintos de castidade ou outras formas de negação erótico-sexual.
  • Uso de símbolos externos de “propriedade” tais como a coleira.
  • Ter amigos, familiares ou estranhos cientes ou presenciando o tratamento do sbumisso (exemplo: humilhação pública).
  • Tratamento erótico de objeto, onde o submisso é colocado no papel de um objeto como um escabelo.
  • Embaraços.
  • Ter de pedir permissão para orgasmo durante sexo ou masturbação.
  • Forçar a portar uma gag e/outros restritores no corpo.

Algumas formas de humilhação sexual envolvem causar dor mas a maioria diz respeito ao ridículo, ao escárnio, à degradação e ao embraço.

O desempenho de papéis sexuais pode envolver ou não humilhação. Por exemplo, uma pessoa pode desempenhar o “papel” de cão porque gosta de ser diminuído – forçado a fzer isso e o Dominante dará ênface da pequenês do submisso, reduzindo seu “status” ao de um animal enquanto outras pessoas podem desempenhar o seu papel de animal sem qualquer tipo de humilhação mas sim da experessão do “animal interno” ou do espírito brincalhão que o submisso tem.

PSICOLOGIA DA HUMILHAÇÃO

Geralmente a humilhação toca fortemente os “botões emocionais”, e ainda mais quando torna-se sexualizada. Devido isso, o consentimento e , paradoxalmente, um grande grau de acompanhamento e comunicação se fazem necessários, para assegurar que o reultado seja o desejado ao invés de abusivo. Por exemplo, um submisso pode gostar de ser insultado de algumas maneiras mas ser genuinamente ofendido e devastado se humilhado de outra forma.

O fetichismo também tem conexão com um fetichismo sexual, no qual as atividades não sexualizadas, tornam-se sexualizadas pela associação com a excitação e também podem ser associadas com o exibicionismo no sentido de querer que os outros testemunhem (e fique excitada por isso) com a degradação sexual dele.

Para algumas pessoas, atividades como chamar de um nome é outro caminho para a redução do ego ou superar inibições sexuais. Por exemplo, entre as pessoas gys, associados com a homofobia podem ser usados, como “viado”.

Como todas as atividades sexuais, agumas pessoas têm fantasias sexuais sobre humilhação e cdomo outros realmente a aotam como um estilo de via em uma sessão. As fantasias relacionadas à humilhação leve não são incomuns. Algumas atividades de humilhação (plays como animais ou de idade , em particular) é combinada com lealdade e dedicação de cuidados para estender esses fetiches que podem ser apenas exercícios de carinho ao contrário de, primiliminarmente, o fetiche de humilhação.

Considere que o desejo de estar inferiro ao outro parceiro durante o intercurso, a idéia de “ser pego” como quando tiver sexo no jardim ou na mata, ou fantasias de estrupo suaves (onde as pessoas imaginam serem forçadas de uma forma que gostariam e que deve parecer completamente diferente de qualquer forma de estupro), são jogos emocionais suaves que enfatizam as posições, vunerabilidade e controle. Todavia, para a maioria das pessoas, tais idéias mantêm-se uma fantasia das quais têm uma reserva muito forte de torná-las públicas ou arrumar um parceiro para torná-las rais, apesar do quão erótica a idéia possa ser.

Se uma pessoa revela para seu parceiro sobre seu fetiche, isso usualmente é resultado de uma grande confiança que compartilham, devido ao grande esforço psicológico que as pessoas devem dedicar para dizer ao outro. Muitas pessoas temem ser ridicularizadas pelo seu fetiche e tal ridículo para seu parceiro poderia ser psicologicamente catastrófico. Portanto, muitas pessoas utlizam humilhação on line (onde quem humilha e outros envolvidos usam a internet, chat, e-mail, websites, etc.) como um compromisso entre o exibicionismo e a relaidade de um lado e segurança e anonimato entre outros.

HUMILAÇÃO “ONLINE”

A humilhação “on line” é o desejo de ser visto em um contexto de embraço sexual na internet. Essa prática permite ao submisso procurar parceiros de fetiche em todo o mundo.

MÉTODOS COMUNS DE HUMILHAÇÃO ON LINE PODEM INCLUIR:

  • Pelourinhos públicos.
  • Tarefas em fotografia ou vídeo que conduza a embraços aos submissos.
  • Ordem para que os submissos mantenham diáiros on line detalhando informações pessoais taiscomo frequência de masturbação e detalhes sobre elas.
  • Abuso verbal.

Essas práticas podem ser conduzidas via chat, webcam, e-mail ou sites de contato BDSM.

(Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Erotic_humiliation) – Tradução: Janus SW

sábado, 23 de janeiro de 2010

Cela de veludo: considerações sobre as relações D/s à partir de um poema de Adélia Prado (Parte 2)

NO BALANÇO DAS TRÍADES

O poema me suscitou emoções muito dadas por fatos que me aconteceram dentro e fora do “meio”. Todas essas coisas, esses fatos, me fizeram ver que o amor e a submissão, o enamoramento e o domínio, são todas facetas distintas do mesmo processo.

Parece-me que algumas pessoas têm resistência máxima em admitirem-se nesse processo de sedução, conquista, realimentação/revisão das expectativas, renovação e inclusive a separação e o distanciamento. Pergunto-me porque e encontro uma resposta que para mim , respeitadas as opiniões divergentes, bizarra: temem os dominadores (as) que a sua autoridade seja solapada por mostrarem-se interagentes no processo que uniu Dominador(a)/submisso(a).

O poema de Adélia, nesse sentido, mostra um antídoto à essa visão torta: é através do sentir-se acolhida, aceita, legitimada que procedeu-se à submissão, à entrega e à sacralização que tornou-se indispensável para atingir-se o estado que fez da personagem uma cultuadora, cuidadora e devota de seu amado.

Talvez falte-nos , ou ao menos para alguns, a visão de uma pessoa em presença, fisica, icônica ou real (segundo o sentimento de cada um) , de um santo. Jogado de joelhos, não pede, implora pelo seu favor. Já presenciei em Igreja de minha cidade, uma mulher que atirou-se ao chão para humilhar-se e pedir uma cura.

A quem mais poderia se tributar tanta reverência e poder senão ao ser que poderia retirar-lhe de sua angústia e de devolver-lhe aquilo que perdera, no caso, a saúde?

A quem mais um(a) submisso(a) consciente de que sua felicidade está diretamente ligada ao ser aceita e legitimada em sua forma de sentir prazer, tributaria fidelidade, desvelo e serviço? Com certeza àquele(a) em quem reconhecesse tal capacidade e tal poder. Portanto, ao meu ver, o enamoramento e a dedicação são os únicos meios de chegar-se à tal devoção, necessitando de um empenho especial por parte do(a) Dominador(a) para que tal estágio seja atingido.

Ao ver alguns casais “BDSMistas” não tenho quaisquer dúvidas que ocorra algo assim. No entanto, se nem no “baunilhismo” isso é norma, não esperaria que fosse possível no BDSM que não tem, em essência, tanta diferença assim das práticas habituais, só tem um caráter um tanto diferente nas práticas.

Isso contempla uma das tríades que H. propôs tão bem, o “Nós dos Nós”. Lembro-me que ali ela pontua que as emoções transcendiam as dores e chegavam à unir almas em algo muito maior , unindo almas e corações. Perfeito!

Passei boa parte da tarde (estou escrevendo na noite/madrugada) pensando o que o masoquismo supostamente afetaria nessa construção que o poema propôs. Concluo que o masoquismo não aspira consumir-se em si , apesar de poder aspirar a isso eventualmente. No entanto, se prazer causa, carece e espera realimentar-se para tornar a ser satisfatório até quando isso não mais ocorra e transmute-se, eventualmente, em algo mais (ou menos).

Portanto, a concepção do “Nós de nós” está vinculado ao prazer, à dimensão criadora da vida. E a união só se legitima no prazer que aspira e na realização dele.

E o “Tocar as raias”? Será que poderíamos afirmar que “Tocar as raias” é um processo físico, de chegar aos extremos nas práticas? Todos sabem que não. Na verdade, mesmo a prática mais extrema não tem sentido nenhum se não vier secundada de uma profunda ligação erótico-afetiva.

A falta dessa percepção, na minha opinião, empobrece muito o diálogo D/s. Reduzir essa relação em um bate/apanha é empobrecê-la , sem com isso fazer qualquer condenação a quem se proponha a viver algo assim.

E é esse a grande lição que o poema aponta: a submissão talvez não necessite, necessariamente, das práticas mas do grau de sedução que um(a) Dominador(a) tem sob seu submisso(a) e vice e versa.

Alguém tem alguma dúvida que isso também aconteça no enamoramento mais “comum”? Quem confrontado com um(a) “adversário(a)” não empunha todas as armas para afastá-lo? Quem, tendo a “coleira” devolvida, o rompimento do pacto original, não se desestruture? Quem, em separando-se definitivamente do(a) amado(a) não perca o próprio significado de sua vida?

Para encerrar: a maior lição que esse poema nos dá é a da intensidade da entrega, seja no “baunilhismo” seja no BDSMismo. Isso deve inquietar ao nos instigar a pensar em que entrega e que Dominação estamos exercendo. Saber que os mecanismos são sutis e a prática não pode ser menos sensível à essa sutileza.

Transformar a realidade falsamente árida que o BDSM propõe para uma plenitude que o poema transborda. Algo para a reflexão. Desculpe se essa foi muito extensa.

Saudações à todos.

Cela de veludo: considerações sobre as relações D/s à partir de um poema de Adélia Prado (Parte 1)

(Nota: esse texto foi originalmente publicado na comunidade “Desejo Secreto” do Orkut, no tópico “Projeto Ciranda”, numa sugestão de reflexão à partir do texto de Adélia Prado , reproduzido abaixo. Por sua extensão, foi dividido em duas partes).

Para o Zé

(Adélia Prado)

(em Poesia Reunida, Editora Siciliano, S.Paulo, 1991, p.99)

“Eu te amo, homem, hoje como
toda vida quis e não sabia,
eu que já amava de extremoso amor
o peixe, a mala velha, o papel de seda e os riscos
de bordado, onde tem
o desenho cômico de um peixe — os
lábios carnudos como os de uma negra.
Divago, quando o que quero é só dizer
te amo. Teço as curvas, as mistas
e as quebradas, industriosa como abelha,
alegrinha como florinha amarela, desejando
as finuras, violoncelo, violino, menestrel
e fazendo o que sei, o ouvido no teu peito
pra escutar o que bate. Eu te amo, homem, amo
o teu coração, o que é, a carne de que é feito,
amo sua matéria, fauna e flora,
seu poder de perecer, as aparas de tuas unhas
perdidas nas casas que habitamos, os fios
de tua barba. Esmero. Pego tua mão, me afasto, viajo
pra ter saudade, me calo, falo em latim pra requintar meu gosto
Aprendo. Te aprendo, homem. O que a memória ama
fica eterno. Te amo com a memória, imperecível.
Te alinho junto das coisas que falam
uma coisa só: Deus é amor. Você me espicaça como
o desenho do peixe da guarnição de cozinha, você me guarnece,
tira de mim o ar desnudo, me faz bonita
de olhar-me, me dá uma tarefa, me emprega,
me dá um filho, comida, enche minhas mãos.
Eu te amo, homem, exatamente como amo o que
acontece quando escuto oboé. Meu coração vai desdobrando
os panos, se alargando aquecido, dando a volta ao mundo,
estalando os dedos pra pessoa e bicho.
Amo até a barata, quando descubro que assim te amo,
o que não queria dizer amo também, o piolho.

Assim, te amo do modo mais natural, vero-romântico,
homem meu, particular homem universal.
Tudo que não é mulher está em ti, maravilha.
Como grande senhora vou te amar, os alvos linhos,
a luz na cabeceira, o abajur de prata;
como criada ama, vou te amar, o delicioso amor:
com água tépida, toalha seca e sabonete cheiroso,
me abaixo e lavo teus pés, o dorso e a planta deles
eu beijo.

Calma! Você não lerá um artigo acadêmico por dois motivos: aqui não é o espaço e não tenho cabedal para fazê-lo. Vou apenas tentar compilar algumas coisas que eu escrevei para ninguém ler e o tanto que está em minha cabeça à partir de algumas experiências D/s que vivo.
Porque chamar essa série de reflexões de “Cela de Veludo”? Primeiramente porque o poema lindíssimo de Adélia Prado trata muito de submissão e, como é (ou deveria ser) regra, uma submissão voluntária como pode-se facilmente notar. Em segundo lugar, porque é uma cela confortável, que não tem a intenção de provocar um dano físico ou mental de alguma monta.
Como acredito ter esboçado na minha primeira intervenção, o poema é reconhecidamente “submisso”, estando a palavra entre aspas por uma assunção de que no “diálogo amoroso” não deveria importar (ao menos idealmente) um exercício de poder explícito mas eventualmente construído na dinâmica das relações.
Tudo muito bem, tudo muito bom mas JB, o que tem isso a ver com o BDSM? – podem dizer os mais apressados. Apesar do que há de peculiar no relacionamento amoroso comum (baunilha?) e no relacionamento Dominador(a)/submisso(a)? Para mim ambos guardam, no fundo, grandes similaridades e igualmente grandes diferenças.
A primeira similaridade, ao meu ver, refere-se ao processo de sedução. Por mais que possamos (queremos?) negar, o processo de “negociação” é na verdade um processo de sedução baseado em características de personalidade pré-existentes e que começam a ser construídas/reconstruídas e/ou moldadas durante esse mergulho no mundo do fetiche.

Um parêntese: tenho visto muitas intervenções em várias comunidades, discutindo se a submissão é construída ou conquistada do submisso(a). Dentro da minha experiência, vejo que a submissão, no BDSM, é uma expressão sistematizada de algo que sempre esteve presente na personalidade do submisso, algo que os psicólogos e demais profissionais de áreas afins podem explicar com mais competência do que eu e acredito piamente que o mesmo valha para os Dominadores(as).
Isso ao meu ver, tem implicações fáceis de serem previstas mas que não tenho visto serem enunciadas: há um processo legítimo de “enamoramento” do Dominador(a) por seu submisso(a). Isso não é novidade? Ufa! Que bom! É novidade? Vamos expandir um pouquinho.
Deve dar calafrios em determinadas pessoas saberem que de repente se enamoraram de seus parceiros BDSM. Isso é rendição ao “baunilhismo”? De forma alguma.
Recorro ao meu “Velhíssimo Dicionário da Língua Brasileira” para achar a significação do verbo “enamorar” e encontro:

“ENAMORAR, v.t. Encantar; enfeitiçar; apaixonar; p. Deixar-se possuir por amor; apaixonar-se; enlevar-se”.

Uia! “Deixar-se possuir por amor”??? Caraca! Porque não “deixar-se possuir pelo desejo” ou “deixar-se possuir-se pelo fetiche” ou finalmente “deixar-se possuir-se pela entrega”? Será que invalida o argumento trocar as palavras? Ao meu ver, não, muito pelo contrário, porque deixar-se possuir é entregar-se (mesmo vocês senhores e senhoras Dominadores e Dominadoras!!!!!). No caso do submisso, essa entrega ocorre no universo do servir e no caso dos (das) Dominadores(as) no receber o gesto de servir.

Sei que muitos vão “torcer o bico” ao ler essa frase mas ao menos para mim, é o que acontece. Mesmo o mais sádico dos dominadores (as) sofrem ou são agentes de um processo de sedução que leva ao enamoramento versão BDSM.
O mais importante é assumir , e não vejo nenhum problema nisso, que somos enamorados de nossos(as) submissos(as) em diversos graus de envolvimento. Assim é a vida e não há porque negá-la.

PASTOREANDO NOS CAMPOS BDSMISTAS

Se não é tão ofensivo ao nossos pudores e conceitos que nos apaixonamos e nos envolvemos com nossos parceiros BDSMistas , vai ficar mais fácil a gente ver o grande contato que há do poema baunilha com os nosso processos de negociação e vivência dentro do BDSM.
Com certeza o “José” do poema é um homem poderoso em sua sutileza e na expressão do seu amor à personagem do poema. Não podemos perceber (ao menos eu não percebo) nenhum sinal de sofrimento ou de dor , ao contrário, transmite-se uma sensação de plenitude que faz com que a personagem viva em intensidade o bem-querer à ponto de colocar-se de “joelhos” ante ao objeto (ops!) de seu amor.
Como já disse anteriormente, a personagem coloca o seu amado em uma altar, há uma sacralização dele de forma inquestionável. A frase do poema “Te alinho junto das coisas que falam uma coisa só: Deus é amor”, vai além dos limites simplistas de uma relação amorosa e coloca no amado a potência de proporcionar não apenas a felicidade mas a “redenção” através dessa experiência, transcendendo os níveis “normais” de uma relação, tocando outra poetisa fantástica, Florbela Espanca, no seu fabuloso poema “Fanatismo” onde ela declara mais explicitamente: “Por que és como Deus, princípio e fim”.
Nesses casos, detecta-se no amado a capacidade de prover o “manjar dos deuses”, o “Maná do deserto”, donde obtém-se a graça (no sentido religioso) e o favor indispensáveis à plenitude de quem ama, portanto, legitimando o servir.

Ops! Cheirinho de BDSM no ar? Huuuuuuuuuum… Estou aqui curtindo-o! Cheiro doce da construção da submissão através da “exposição” (muitas vezes nem tão exposta assim) de um “plano de vôo” que faz subir aos céus, mesmo experimentando uma sessãozinha hard de spanking…rs…
Se o exposto está minimamente coerente, podemos escrever assim: “A relação D/s constituí-se de um processo de sedução onde o(a) submisso(a) coloca o seu Dominador(a) como o único agente que pode, não apenas usufruir de sua submissão, mas de justificá-la, legitimá-la e dar-lhe corpo.
Os cariocas como a Helena diriam: “Que responsa, mermão!!!” Pois é! Pois é! Não vou nem dizer que ser Dominador é mais fácil do que ser submisso porque sei que essa discussão não tem pé nem cabeça até porque , como diria Caetano Veloso, “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”, uma frase lapidar. No entanto, isso pode suscitar uma discussão (em outro lugar e momento) se os Dominadores(as) e submissos(as) sabem realmente com o que estão lidando, a responsabilidade e gravidade de cada gesto e/ou atitude tomada.
Se é verdade que a personagem do poema de Adélia é indiscutivelmente submissa e o José um Dominador, convém examinar algumas pistas do caráter da relação que constróem.

(continua)

sábado, 9 de janeiro de 2010

Por fatores além de nosso controle.... For reasons beyond our control...

Queridos amigos leitores.

Infelizmente, por uma falha grave no meu equipamento, esse blog entra em recesso por 15 a 20 dias, retornando em breve.
Peço desculpas e espero contar com a leitura de vocês no retorno que acontecerá entre os dias 23 a 28 de janeiro.
Saudações a todos!


Dear readers.

Unfortunelly I came through a huge fail on my computer so I will be unable to post in the next 15 or 20 days.
Hope you all join me again by January 23th or 28th when to the blog´s comeback!

sábado, 2 de janeiro de 2010

Ui! Isso dói!!! Ouch! It hurts!

Há a dor dada pela execução da ação por parte do Top, uma dor física que realmente torna-se palpável à medida que a sessão tem seu curso. No entanto, há uma outra dor registrada pelo vídeo e que, sinceramente, me é mais interessante: a pré-batida, a inevitabilidade do ocorrido uma vez que se está (no caso da garota) amarrada e à mercê do Dono.
Dominar a mente e infundir aquilo que se quer é a tarefa mais bela e mais complicada dentro do BDSM o que, infelizmente, não é tão valorizada quanto a dor física. Na minha concepção enquanto não se domina a mente e a alma , nada acontece.
Espero que gostem do vídeo.

There´s a certain ammount of pain that can be easily felt and percieved but there´s another that is more important in my point of view and that is very well pictured in this video: the anxiety of been whiped in the clamps, a pain that is felt just in mind , specially in the case of this video where the girl is tied and can be subject of her Master´s wishes.
To master someone else´s mind is a goal that is not appreciated as the physical dominance. In my personal believes there´s no true dominance as far we can master someone else´s mind.
Hope you enjoy the video






domingo, 27 de dezembro de 2009

Ética entre dominadores virou goiabada cascão (Senhor Verdugo)

Muito se fala sobre o aprendizado de técnicas e teorização de práticas, mas algo que deve ser a primeira lição no BDSM é o conceito ético.

Vejo como ética no BDSM o respeito à propriedade alheia. O entendimento do simbolismo da coleira e seu significado é algo que deve ser respeitado de forma incondicional, em qualquer situação.

A compreensão desse respeito é o principio fundamental para se viver o BDSM de forma coletiva. É necessário ter em mente que nesse universo não é cabível qualquer tipo de preconceito. O fato de não gostar ou aprovar determinadas práticas, não legitima nenhum direito a alguém contestar ou interferir na relação alheia se as partes envolvidas estão plenamente satisfeitas com o formato em que vivem suas fantasias.

Infelizmente a falta de ética é como “Goiabada Cascão”, cada dia mais rara de encontrar. Lamentavelmente, uma parcela dessa safra de novos pseudo-dominadores preocupa-se demais com detalhes que não lhes dizem respeito, criticam preferências de outrem quando o mais próximo que chegaram do assunto foi através do “ouvi falar” ou “vi na net”. Sequer vivenciaram aquilo que elegeram como certo ou errado.


Alicerçam seus pontos de vista em teorias inconsistentes e resolvem brincar de “arbitrar” o certo ou errado; pensam que tem o direito à falta de educação para desqualificar aquilo que lhes foge à compreensão, às vezes por leviandade, outras por ignorância.

Precisam do apoio público para sentirem-se fortalecidos, situação muito peculiar em salas de bate papo onde se esforçam para tentar criar constrangimentos às peças alheias apontando supostos abusos como forma de abrandar suas frustrações derivadas de suas limitações e inseguranças.

Crêem que esse comportamento inadequado, deselegante e hostil para com seus pares lhes trará algum tipo de notoriedade e reconhecimento público.

Entendo que aprender a ter um comportamento digno, agir como homem no sentido real da palavra, ter uma conduta digna de quem se propõe a educar e conduzir outrem é a primeira e mais importante lição a ser aprendida.

Essa atitude associada a um despreparo intelectual faz com que esses indivíduos ajam infantilmente, pensando estar no pátio do colégio fazendo “graça” para chamar a atenção das mocinhas deslumbradas.

Lamento ver esse comportamento numa comunidade onde um Dominador deveria ser visto como um modelo a ser seguido pela dignidade, honradez e caráter.

São adjetivos mínimos para se conquistar o respeito; qualidade obrigatória que antecede a aquisição de qualquer escrava.

Ironicamente modelos não se criam com facilidade. Determinadas pessoas tem traços psicológicos desagregadores e precisamos aprender a conviver em grupo com isso sem nos deixar contaminar.

Postura ética é a lição de casa que todos aqueles que se propõem viver nesse meio devem ter em mente.

O desrespeito a alguém de coleira não é apenas para a pessoa em questão, esse ato proposital, ou não proposital é uma afronta ao Proprietário da escrava.

Censuras, assédios, críticas ou observações indelicadas e principalmente em público, fere qualquer conceito ético numa comunidade BDSM.

A ética pressupõe a um Dominador legítimo levar suas possíveis diferenças com a escrava alheia diretamente ao Dono da mesma e, jamais, em tempo algum, usar desse artifício para joguinhos baratos de exibicionismo e vaidade, típico das personalidades fracas que tem necessidade de se fazer notar.

O que esses indivíduos não percebem é que essa linha de conduta nunca os tirará da condição marginal de aspirantes a Mestres, jamais serão reconhecidos como dignos e merecedores do título que se auto-intitulam e, por conseqüência, estarão sempre à sombra, atônitos e anônimos nesse cenário funesto.

(Publicado com autorização do autor. Link: http://www.senhorverdugo.com/opiniao/212-etica-entre-dominadores-virou-goiabada-cascao)

Mais presentes para vocês! / One more nasty gift for you all!

Pessoal do blog, esse ano Papai Noel veio com os presentes variados! Mais um vídeo , especialmente dedicado às Sras. que adoram FEMDOM , uma cena bem gostosa e sacana! Espero que curtam!

Hi blog people! We are are plenty of gifts. Now, one for the Mad´am that apreciatte a FEMDOM session, of course! So nasty and lovely! Hope You enjoy!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

ATÉ ANO QUE VEM PESSOAL!!!!/SEE YOU NEXT YEAR, FOLKS!






Senhores, Senhoras, bottoms e demais amigos...

Esse blog está entrando em um pequeno recesso de festas, voltando às atividades no próximo janeiro.
Quero agradecer a todos os que nos visitaram e fizeram seus comentários! Saibam que todos foram importantes para mim, especialmente pelo carinho que devotaram ao nosso blog.
Novamente deixo minhas saudações em meu nome e de minha menina asthroth de Janus.
Cuidem-se bem e até o ano que vem!


Mad´ams , Masters, bottoms and friends from everywhere in the world.

I´m leaving for a short period of vacations between Xmas and the New Year. For this reason I´ll not post ´till my return.
I want to say a warm thank you for everybody that came to visit this blog. It´s a pleasure to welcome you all and I hope to stay in touch in this new year.
The salutes from myself and my girl astharoth of Janus.
Enjoy and take care!
See ya...

domingo, 20 de dezembro de 2009

Um interessante vídeo sobre a... bunda...




Achei interessante esse estudo. Nós do BDSM sabemos muito bem o porquê de gostar das bundas de nossos meninos e meninas....rs....
Espero que gostem!

domingo, 6 de dezembro de 2009

Diferenças Entre Escrava e Submissa (Raven Shadowborn)

Este resumo não está disponível. Clique aqui para ver a postagem.

astharoth de Janus

A vida ensina: isso não é novidade para ninguém e sentimos na nossa própria carne as dores e os prazeres que existem na experiência simples ou complexa que nos acompanha desde a primeira respiração nesse mundo.
Independentemente se o que nos faz lembrar são boas ou más coisas, o fato é que há sempre que se esperar e deixar de ansiar para verdadeiramente confiar que as coisas serão do jeito que pretendermos e quisermos que seja.
Não sei se acredito em Destino, muitas vezes tudo parece conometrado para acontecer em algum momento e não em outro. Da mesma forma, desacredito no dito cujo como um decreto irrevogável e determinado que tal coisa irá acontecer.
Prefiro pensar na vida como um grande banquete onde passam os pratos e somos convidados a prová-los ou não e somos o fruto desses sabores, agradáveis e desagradáveis que vão moldando nosso "paladar" pela vida.
Assim foi com a mulher que hoje se chama astharoth de Janus que me apareceu de repente, sem ser anunciada, entrando na minha vida de forma sorrateira, silenciosa , até tomar para si (porque não?) uma parte dela por oferecer-me a sua intenção em viver algo grande e importante para mim que é minha vida como um todo, BDSM incluído no pacote, cada um em sua posição mediante as imensas possibilidades que desbravaremos daqui para a frente.
Não quero alongar-me demais e traçar altos perfis cheio de adulações que nem sempre são reais até porque temos clareza, absoluta, de que somos aprendizes mais do que de BDSM mas da vida em si.
No meu papel, rogo ao Eterno para que seja digno de poder chamá-la de minha e a respeite como submissa mas principalmente como mulher, uma mulher inteligente, íntegra, amiga, companheira, compartilha de minhas fantasias e eu dela sem que não haja nada derivado apenas de um rótulo mas da intenção de viver e provar os melhores "pratos" da vida.
Minha doce e querida astharoth: espero que seu Dono seja digno dos seus esforços para bem servir e que seja mais que apenas Dono, um homem que a ama muito e a deseja e a quer, sempre. Beijos...

Foi esse contrato que asinamos e econtra-se publicado no site do Carcereiro:

Eu , astharoth, propriedade de Janus, assino o seguinte contrato juntamente com meu Dono para que fique estabelecido publicamente o seguinte:

Serei devotada de alma e coração ao meu Senhor, Janus, fazendo tudo para a sua felicidade, meio pelo qual chegarei à minha.
Sempre me dirigirei ao meu Dono com os termos Senhor e Dono, tratando os demais Dominadores e Dominadoras com o mesmo respeito que O trato assim como as minhas colegas de submissão.
Usarei sempre a coleira de passeio em todos os momentos e apenas deixarei de usá-la com Seu consentimento.
Terei o direito , concedido por meu Senhor em ter minha vida familiar e profissional resguardada, sabendo sempre que estou obrigada às atitudes condizentes com a condição de submissa.
Nenhum contato será proibido com pessoas do meio ou não, mas caberá ao meu Senhor indicar aqueles que possam me oferecer risco de qualquer ordem, indicação que acatarei incondicionalmente.
Comunicarei ao meu Dono e Senhor, quaisquer problemas de saúde que possam, de alguma forma, afetar a minha capacidade de servir ou que possam denotar alguma alteração de minha saúde.
Ter claro que essa relação que ora se inicia é baseado e sempre será, nos princípios da honestidade, clareza, respeito e lealdade, condições sem as quais ela perderá o sentido e deixará de existir.
O meu Dono e Senhor, dentro de sua condição, é à quem confiarei meu corpo e minha alma, consciente de que devotará irrestrito respeito e cuidado a ambos, sendo que merecerá sempre minha confiança e respeito.
Terei o direito à devolução de minha coleira quando não sentir-me capaz de cumprir o que meu Dono e Senhor me solicita, sendo que até a efetiva aceitação, manter-me-ei obrigada ao disposto nesse contrato.
Todas as demais disposições que eventualmente não estejam contem pladas pelo presente contrato, serão definidos pelo meu Dono e Senhor, podendo,por Sua decisão, ovir ou não essa que assina o presente.

Por estarem contratados, assinam o presente estabelecendo, publicamente a relação que passa a vigorar nesse momento.


Janus
astharoth de Janus

No entanto, o contrato mais importante está firmado no coração e na mente.

Janus

A escolha de um nome dentro e fora do BDSM não é um fato fortuito como muitos podem crer. No meu caso, particularmente, a escolha de Janus obedeceu uma certa lógica de dualidade e de recomeço, enfim, uma retomada de trajetória. Lendo um livro sobre Mitologia grega e romana, encontrei uma importante explicação sobre esse deus romano, essencialmente romano e compartilho com vocês.

"Jano é uma divindade romana cuja origem os mitólogos não estão de acordo. Uns dizem-no originário de Cítia; outros, do país dos perrebos, povo da Tessália; outros, enfim, fazem dele um filho de Apolo e Creusa, filha de Erecteu, rei de Atenas. Ao se tornar adulto e tendo armado uma frota, Jano abordou na Itália, onde fez conquistas e construiu uma cidade a que deu seu nome, Janículo. Todas essas origens são obscuras e confusas. Mas a lenda o faz reinar, desde as primeiras eras, no Lácio. Expulso do céu, Saturno refugiou-se nesse país e foi recebido por Jano, que inclusive o associou à realeza. Em reconhecimento, o deus destronado dotou-o de uma rara prudência que tornava o passado e o futuro sempre presente aos seus olhos, o que foi expresso representando-o com dois rostos voltados em sentidos contrários.
O reinado de Jano foi pacífico, e por esse motivo foi considerado o deus da paz. O rei Numa construiu para ele em Roma um templo que permanecia aberto em tempo de guerra e era fechado em tempos de paz. Esse templo foi fechado uma vez sob reinado de Numa; a segunda vez, depois da segunda guerra púnica, e três vezes, em diversos intervalos, sob o reinado de Augusto.
Ovídio diz que Jano tem uma dupla face porque exerce seu poder sobre o céu e sobre o mar, assim como sobre a terra; é tão antigo quanto o mundo; tudo se abre ou se fecha à sua vontade. Só ele governa a vasta extensão do universo. Preside as portas do céu e guarda-as junto com as Horas. Observa ao mesmo tempo o oriente e o ocidente.
É representado tendo numa mão uma chave e, na outra, uma vara, para assinalar que é o guardião das portas (januae) e que preside os caminhos. Suas estátuas muitas vezes marcam com a mão direita o número trezentos e, com a esquerda, o número sessenta e cinco, para exprimir a medida do ano. Era o primeiro a ser invocado quando se fazia um sacrifício a qualquer deus.
Havia em Roma vários templos de Jano, uns de Jano Bifronte, outros de Jano Quadrifonte. Além da porta de Janículo, haviam sido erguidos, fora dos muros de Roma,doze altares a Jano, relativos aos doze meses doa no.
No reverso das suas medalhas, via-se um navio ou simplesmente uma proa, em memória à chegada de Saturno na Itália a bordo de uma nau.
O mês de janeiro (januarius), a quem o rei Numa deu seu nome, lhe era consagrado".

Comelin, P. Mitologia grega e romana: tradução de Eduardo Brandão - 2a. edição - São Paulo: Martins Fontes, 1997


segunda-feira, 23 de novembro de 2009

A educação dos sentidos (Parte 15) - The education of the senses (Part 15)

(Dedicado à Andrasta Domme)

Pouco ali fazia lembrar que muitos dias antes, por obra da Senhora, iniciara-se ali um processo que alguns poderiam inclusive conotarem de cruel de educação de alguém que pretendia-se submisso mesmo com suas falhas anteriores e seus enganos posteriores ao início da empreitada.
Olhando em retrospecto, não seria possível dizer que aleph estava suficientemente "treinado" enquanto submisso e a obra estivesse acabada, principalmente pelo fato de que nunca, agora a Senhora sabia, estaria pronto para uma vida linear e sem reparos.
Erros e acertos sempre fariam parte da equação e seria suficiente a um aprender como conduzir-se e ao outro como fazer sua vontade, a única que valia em todo o processo, prevalecer. Isso não seria conseguido pela razão mas por uma conjunção dessa com o sentimento, com aquilo que percorria o mais profundo da alma de cada um.
Ter chegado até esse momento, elaborado o contrato e poder comemorar o aniversário de Domme enquanto já em uma relação verdadeiramente D/s, era uma conquista de uma importância e intensidade inquestionáveis, sob a qual abrigavam-se tanto a Senhora como aleph.
Nesse momento de despedida provisória do Templo e de Domme, o início de um novo momento, cabia festejar e muito tal conquista de todos e para isso a Senhora empenhou-se pessoalmente em prover as melhores coisas para todos: comidas, bebidas, locais para as cenas da play que estava prevista e cujo isolamento do Templo contribuia sobremaneira, enfim, nada absolutamente foi deixado para trás.
Sob o comando da Senhora, aleph preparara alguns dos pratos baseado em sua habilidade e bom gosto na cozinha, assim como estando sob sua responsabilidade coordenar todos os preparativos da casa para que tudo estivesse em conformidade com os padrões de sua Dona.
Cada vez era mais perceptível que a Senhora fazia bem em confiar ao submisso aquela tarefa dado o esmero com que tudo fora feito e , inclusive, com a preparação do principal aposento daquela sala destinados aos rituais íntimos da Senhora e que seria o local onde aconteceria o encoleiramento de aleph, um dos pontos mais altos da celebração.
Já era o cair do dia quando os preparativos acabaram e foram examinados com cuidado sendo que não cabia qualquer reparo ao que houvera sido feito.
- Parabéns, aleph! Tudo está perfeito, como me agrada. Agora terá um tempo para descanso e para recompor-se. As ervas para seu banho estão no lugar de costume e a vestimenta sobre sua cama. Descanse pois a noite será longa.
- Sim, Senhora. Com sua permissão.
- Pode ir, aleph.
Mais uma vez a Senhora observava aquele homem que se afastava e passava a sentir um prazer imenso em tê-lo treinado e comandá-lo. Sentou-se na bela varanda que dava para um agradável bosque de árvores e acendeu um cigarro para tentar relaxar o máximo que fosse possível.

- Posso compartilhar esse momento contigo? - disse Domme que aproximara-se quase sem ser notada.

- Claro minha cara! Por favor, sente-se aqui. - disse, indicando uma confortável cadeira ao lado.

- Nossa! Nem acredito que estão fazendo tudo isso por mim e é claro, por vocês mas é tudo tão maravilhoso!

- É por você, especialmente, Domme. Espero que tenha podido aprender ao menos um pouco do que significa ser Dominadora nesse mundo onde vivemos. Tudo torna-se confuso para os menos preparados: poder, excessos, faltas, silêncios e falares demasiados, todos em desiquilíbrio. BDSM é algo que nos absorve além do que podemos imaginar, ao menos àqueles que não se divertem com eles mas o levam a sério.

- Bem vi, Senhora. No entanto, não me parece que aleph seja um mal submisso ou relapso.

-De forma alguma, tanto que o encolerarei. Sabe, Domme, é bobagem acharmos que todos os subs estão prontos para as tarefas que se propõe. Via de regra, substimam o que venha a ser submissão até que estejam forjados e sejam firmes o suficiente para entender que ajoelhar-se è a coisa mais fácil de tudo mas que prenuncia coisas muito mais exigentes deles mesmos do que ousam imaginar.

- Sem dúvida, Senhora, bem entendo agora. Foi muito útil esses dias que passei com vocês. Sei que há muito mais do que foi dito e feito mas já considero-me ciente do tamanho de minha tarefa.

- Quem bom, cara amiga! Fico feliz que assim seja e creia-me, você tem todas as condições para ser uma excelente dominadora. Apenas abstenha-se de ansiar e tenha muita confiança em você mesma. Confie antes em si do que na opinião dos outros e nem veja aquilo que a faz fora do padrão mas veja o que a faz melhor do que todos. Você tem estima pelas pessoas, as respeita e as considera, mesmo aqueles que a servem, pude observar no seu comportamento com aleph, e isso o que importa, o seu valor pessoal, dado por você mesma, isso é o que importa.

- Mas aprendi muito contigo e se adotasse a postura que me oferece, talvez eu tenha perdido a oportunidade que me foi dada.

- Talvez você me superestime, Domme. O que desejo falar, no entanto, é que tudo deve ser filtrado por seu coração e por sua razão, antes de virar lei ou verdade para você .Ouça quem deve ser ouvido, ignore quem te faz mal e viva com confiança e alegria. Só assim há a possibilidade de sermos felizes.

Domme emocionou-se: por quantas vezes ouvira mais as vozes exteriores do que as interiores, sem se aperceber que na interioridade é que se constróem as verdades supremas, os grandes diferenciais. Ouvir a si antes de qualquer um , eis a chave da felicidade.

Abraçou a amiga com carinho e deu-lhe um sutil selinho nos lábios. Ambas voltaram aos seus cigarros, olhos à frente, ansiosas, cada uma a seu modo, pelas atividades da noite. Para Domme, com certeza , aquela celebração de seu aniversário haveria de abrir novas e importantes portas para o futuro.

(Final da 15a. parte)

domingo, 22 de novembro de 2009

Força / Strength

Amadeo Modigliani - Jeanne Hébuterne

É a mulher ser o que é que a faz forte, expressiva, essencial.
Nenhuma postura premeditada é necessária.
Basta apenas ser.


A woman by herself is powerful , expressive, essencial.
No deliberate pose is required.
To be powerful is just necessary to be.

Quando sair para as compras, não esqueça-se de seu cãozinho/When you go shopping be sure to take your dog with you!

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A educação dos sentidos - Parte 14 - The Education of the Senses - Part 14

(Dedicado à Domme Andrasta)
Descendo do pelourinho e acompanhado da Senhora, aleph foi cuidado de seus pequenos e grandes feriment
os originados do que sofrera à partir da "confissão" involuntária durante o torpor do sono que, na visão de sua Dona, evidenciava a realidade profunda da mente de aleph. - Você foi retirado do pelourinho por ter algo a dizer, não é verdade?
- Sim, Senhora.
- Então me dirá o que desejo ouvir, de forma clara e sem volteios. Vontade, aleph. qual é a sua vontade?
- Nenhuma, Senhora. Ela andou para trás de aleph, ordenando-lhe que não se voltasse para tentar vê-la. - De joelhos, aleph! Prontamente aleph coloca-se na posição exigida pela sua Dona e manteve-se pelo tempo que sua Senhora desejou, chicote nas mãos, levemente tocando os flancos de aleph, fazendo um leve spanking enquanto ele ficava de joelhos conforme ordenado. Durou alguns minutos em perfeita imobilidade, joelhos começando a doer em contato com o chão frio.
- Levante-se aleph! - disse, severamente. aleph levantou-se e colocou em posição de inspeção conforme as novas ordens que lhe foram dadas. Observou-os, novamente tocou novamente os flancos com o chicote, sem contudo aplicar força. - De quem é sua vontade, aleph? - Da Senhora, minha Dona. Ela olhava com atenção a cada expressão do submisso e já desenvolvera com aleph o conhecimento suficiente para diferenciar uma expressão autêntica de uma que pudesse ser usada para um comportamento que poderíamos dizer "padrão" , o que não lhe convinha de forma alguma, nem naquela semana, nem em dia algum. Conseguia perceber que aleph entendera perfeitamente a mensagem que desejava passar.
- Muito bem aleph, estamos prontos para o momento que esperei desde que começamos esse treinamento que acabou sendo uma lição para você e para mim. Sente-se e espere por um minuto.
- Sim , Senhora.
Sentou-se e esperou pacientemente o retorno de sua Dona com um rolo em suas mãos que foi aberto sobre a mesa e no topo estava escrito:
"Eu, aleph, desejando submeter-me integralmente à Senhora, formalmente concordo com as seguintes disposições tomadas de comum acordo:"
- Muito bem, aleph, está pronto para tomar esse passo?
- Sim, Senhora...
- Pois então escreverá de seu próprio punho todas as disposições e assinaremos no próximo dia 25, aniversário de Domme. Será a oportunidade onde ela homenageada e onde assinaremos o contrato que finalmente temos condições de assinar. Espero que esse período tenha mostrado à você no que consiste submissão apesar de ser tão pouco e a submissão ser tão grande. Não iluda-se aleph, que submeter-se seja apenas um jogo mas seja uma forma de mostrar-se um laço, uma união que se pretende indissolúvel e que será baseado no que você aprendeu, respeito mas autoridade forte e que será aplicado sem hesitação.
- Entendo perfeitamente, Senhora.
- Pois então, sigamos em nossa tarefa.
Escreveram durante muito tempo e em cada artigo daquele artigo, aleph fora instruído de quais eram os limites que estavam sendo assumidos, em qual direção caminhariam, qual seriam as consequências de tudo.
Os termos? Seriam revelados em momento oportuno, ous eja, no aniversário da Domme, uma situação festiva na qual cabia a celebração de um compromisso, o fim de uma trajetória de aprendizado e o começo de outra que não conhecia fronteiras.

(Fim da parte 14)



Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Lady Eleanor - Lindisfarne

Uma música maravilhosa que me sugere tantas leituras... Espero que apreciem.
This marvelous music with lyrics that sugests me so many interpretations. Hope you enjoy





Bashee playing magician sitting lotus on the floor
Belly dancing beauty with a power driven saw
Had my share of nightmares, didn't think there could be much more
then in walked Rodrick Usher with the Lady Eleanor

She tied my eyes with ribbon of a silken ghostly thread
I gazed with trouble vision on an old fo ur poster bed
Where Eleanor had risen to kiss the neck below my head
and bid me come along with her to the land of the dancing dead

But it's all right, Lady Eleanor
All right, Lady Eleanor
I'm all right where I am

She gazed with loving beauty like a mother to a son
like living, dying, seeing, being all rolled into one
Then all at once I heard some music playing in my bones
the same old song I'd heard for years, reminding me of home

But it's all right, Lady Eleanor
All right, Lady Eleanor
I'm all right where I am

Then creeping on towards me, licking lips with tongues of fire
a host of golden demons screaming lust and base desire
and when it seemed for certain that the screams could get no higher
I heard a voice above the rest screaming 'You're liar'

But it's all right, Lady Eleanor
All right, Lady Eleanor
I'm all right here in your arms


quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Dica para os amantes do spanking / A tip for spanking lovers

Para aqueles que amam spanking existe um site que contém pequenos filmes da temática. Para mim, um spanker de origem, foi um prato cheio. Para acesso, clique aqui! Bom divertimento!!

There´s a site that contains small videos about spanking. For those like me that looooves a good spanking it may give some good ideas ! lol... To check just click here. Have a very good time!

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

A Educação dos Sentidos - Parte 13 - The World of Janus - Part 13

(Dedicado à Domme Andrasta)

Uma hora amarrado no pelourinho fizeram aleph sentir-se agustiado depois de ter sido açoitado por duas vezes como a Senhora havia dito que faria. Tanto ela quanto Domme revezaram-se em manter viva na cabeça do submisso a intensidade da busca que ainda estava por ser feita e que deveria produzir algum fruto de imediato.
Sentia que a dor do corpo, aquela que inconscientemente enunciara equanto dormia aos pés de sua Dona, tornava-se progressivamente inferior àquela gerada pela reprovação de sua conduta por uma lição que ainda tentava extrair de tudo o que acontecer naquela e nas outras noites e que lhe era constantemente cobrada pela Senhora.
Pouco antes, na primeira sessão de açoitamento, vinte e cinco vezes as tiras de couro cuidadosamente finalizadas em um pequeno nó e queimadas lhe vibraram pela carne, manejada com destreza pela Senhora que lhe poupara de maiores flagelos depois dos fios de aço que lhe lasceraram a carne anteriormente.
- Tem algo a me dizer, aleph?
Mesmo voltado de costas à Senhora e ainda trazendo nas costas o calor do açoite, podia ver, de forma claríssima, a expressão de sua Dona. A Senhora não perguntava sem doçura mas não sem uma agudeza que pressionava, deixava sem alternativa, impunha.
- Senhora... - murmurou
- Diga aleph...
- Temo falar o que não devo e não posso.
A Senhora sorriu contidamente mas sem deixar de ser percebida. Deslizou o açoite pelas costas de aleph e disse que esperava que em breve estivesse pronto para dizer aquilo que estava pronto para dizer e não o que esperava que Ela quisesse ouvir.
Cuidadosamente, a Top deu de beber à aleph sem mudar sua posição no pelourinho.
- Daqui meia hora, aleph... Daqui meia hora. - marcou o próximo momento, retirando-se.
A meia hora de silêncio e pouca luz serviram de uma tortura inimaginável. Onde residia , de verdade, a capacidade de sentir dor e fazê-la instrumento de gozo? Na tortura imposta pelo dominante ou na disponibilidade do dominado em fazer acontecer o verdadeiro prazer comum, orgiástico, incrivelmente libertador? Quem libertava-se e porque o fazia?
Como em um caldeirão lhe sucediam as questões que desdobravam-se em várias e dirigiam-se a um ponto comum, a vitória da vontade superior, de quem se colocava por direito no papel de exigir e na pouca atribuição que a vontade do submisso poderia ao menos ser pensada pelo dominante.
A Senhora o domina, sem dúvida e aí extrai seu prazer cujo efetivo gozo extrapola a imaginação dos pobres mortais que a vivenciam como a iniciante Domme. O poder não está apenas em mandar, o que qualquer um ligeiramente preparado conseguiria dar conta mas está no fato de subjugar o corpo e a mente de quem se coloca de joelhos.
De nada valerá palavras gritadas e posturas excessivamente ríspidas já que a doçura que reprime é maior do que o grito que comanda. Esse último estimula a rebeldia , mesmo a que se esconde e se deixa velada sob palavras e gestos vazios de uma vazia submissão.
Ao vassalo não resta nada senão prestar homenagens ao que é maior do que ele por ser efetivamente maior em tudo , necessidade que se impõe por não restar quaisquer outras possibilidades viáveis e tal é o tomar para si.
Essa elaboração custou-lhe mais meia hora e , ao fim dessa, entraram na câmara e pode sentir, observador que era que Domme tomara o lugar da Senhora na sessão de açoitamento, essa vezes 30 vezes e aleph conseguia perceber um incremento de habilidade na manipulação desse valoroso instrumento, o açoite.
- A Senhora pergunta se há algo a falar...
- Não digna Domme, ainda não - disse, expressão de dor presa entre os dentes.
Domme afastou-se e aleph voltou aos seus pensamentos e , finalmente, chega a conclusão de que sua vontade de pouco lhe valia em qualquer aspecto da "relação" com a Senhora.
A vida o fizera sub e deveria servir e para tal, confiante que a Senhora sabia de seus limites físicos, morais e psicológicos, deveria entregar absoluta posse de sua vida, cumprindo fielmente aquilo disposto pela sua Senhora.
Vontade? O que siginficava vontade se alguém maior em vontade e em poder não apenas exigia mas como tinha totais condições de dirigir aquilo que era depositado em suas mãos, ou seja, sua própria vida?
Seria isso tão contrário ao que sempre vivera que, por alguns momentos, temeu a amplitude de tudo o que isso pudesse significar para si, em sua vida, mesmo tendo a certeza já pronunciada por sua Dona da preservação de diversos setores de sua vida, entendidas como fundamentais e frequentadas por pessoas cujo entendimento da profundidade do sentimento e da entrega do BDSM não eram sequer entendidas quanto mais aceitas.
Viver o todo envolto em pessoas pela metade, ver a luz entre a escuridão coletiva dos prazeres que corriam a mente e eram meticulosamente reprimidos. Não havia alternativa senão viver desse modo, totalidade por dentro, parcialidade para o mundo.
Afinal, o que importava? Decidir-se pelo viver ou não viver seria tão estúpido como ter consciência de matar parte de si e não fazer coisa alguma para evitar. Portanto, nessa hora e meia que permanecera atado no pelourinho entendera, finalmente, que a vontade era algo que não lhe pertencia exceto pela razão que a voluntariedade era condição fundamental para que houvesse a entrega.
Esperou que a Senhora voltasse e lhe aplicasse a pena, na verdade a forma pela qual lhe fora estimulada não pela dor mas pelo exercício do poder.
- Tem alguma coisa a me dizer, aleph?
- Sim, Dona, tenho.
A Senhora impressionou-se com a resposta. Chamou a Domme e desataram aleph do pelourinho.
- Então chegou a hora do passo seguinte, aleph. Venha comigo.

(Fim da parte 13)

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

Vênus com espelho - Ticiano



"- Vênus das Peles! - suspirei, referindo-me ao quadro - eu o sonhei de olhos bem abertos.
- Como assim?
- Ah! Deixa para lá...
- O teu quadro dá um ensejo escancarado ao meu sonho - prossegui -, mas diga-me de uma vez: o que está aí estampado teve algum papel em tua vida, e talvez um papel decisivo, como posso imaginar, e, bem, o resto eu espero que me contes...
- Observe a peça ainda uma vez - contrapôs meu distinto amigo, sem se importar com minha pergunta.
É uma cópia perfeita da conhecida Vênus com o espelho, de Ticiano, que está na Galeria de Dresden.
- E então, o que você quer dizer...
Severin levantou-se com o dedo apontou a peliça com que Ticiano vestira a sua deusa do amor.
- Também aqui "Vênus das Peles" - disse rindo de soslaio -, porém não creio que o veneziano tivesse tal intenção já naquela época. Simplesmente compôs o retrato de Messalina aristocrática, tendo a gentileza de fazer o Amor segurar o espelho no qual examina seus encantos majestosos com fria indiferença, e note como para o menino parece árdua a tarefa. O quadro é um elogio em pinceladas".

(Sacher-Masoch, Leopold von - A Vênus das Peles - Editora Hedra - pág. 29 - 30)