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quarta-feira, 28 de julho de 2010

Hommage Dú/Homenagem Devida (Verlaine)






Je suis couché tout de mon long sur son lit frais:
Il fait grand jour: c´est plus cochon, plus fait exprés
Par le prolongemente dans la lumiére crue
De la fête nocturne immensément accrue
Pour la persévérance et la rage du cu
Et ce soin de se faire soi-même cocu.
Elle est à poil et s´accroupit sur mon visage
Pour se faire gamahucher, car je fus sage
Hier et c´est - bonne, elle au delá du penser? - 
Sa royale façon de me récompenser.
Je dis royale, je devrais dire divine:
Ces fesses, chair sublime, alme peau, pulpe fine,
Galbe puissamment pur, blanc riche, aux stries d´azur,
Cette raie au parfum bandatif, rose obscur, 
Lente, grasse e tle puits d´amour, que dire sur!
Régal final, dessert du com bouffé, délire
De ma langue harpant les plis comme une lyre!
Et ces fesses encor, telle une lune em deux
Quartiers, mystérieuse et joyeuse, oú je veux
Dorénavant nicher mes rêves de poéte
Et mon coeur de tendeur et mes rêves d´esthéte!
Et, maîtresse, ou mieux, maître en silence obéi,
Elle trône sur moi, caudataire ébloui



Deito-me de comprido no seu leito morno.
A claridade do dia mais de acordo
Com a ânsia obscena de prolongar, à luz crua,
O noturno festim, pois a luz acentua
O afinco, a fúria do nabo, e vai nisto tudo
Uma estranha vontade de fazer-se galhudo.
Nua em pêlo, ela se agacha sobre o meu rosto
Para ser lambida: ontem me portei a gosto
E esta será (boa, ela, além do que pensa)
A minha paga, a minha real recompensa.
Eu disse real, devia dizer divina;
Nádegas de carne sublime e pele fina,
Branco, puro perfil de azuladas nervuras,
Sulco de intenso perfume, a rosa sombria, 
Lenta, gorda, e o poço do amor, as iguarias!
Fim do festim, da sobremesa a cona, a lira
Em cujas pregas, cordas, a língua delira!
E essas nádegas ainda, lua de dois
Quartos, alegre e misteriosa, em que depois
Irei alojar os meus sonhos de poeta,
Meu terno coração e meus sonhos de esteta!
E amante, ou melhor, amo em silêncio obedecido,
Reina ela sobre mim, o seu servo rendido.

terça-feira, 20 de julho de 2010

24/7 no Clube Dominna


Comemorando o Dia do Internacional do BDSM o Clube Dominna tem uma programação super especial. Entre em contato com a Bela pela bela@clubedominna.com ou pelo site http://www.clubedominna.com.br


Almoço
O Almoço será servido em sistema self service das 12h às 14h Pedimos á todos que forem participar que reserve pelo email bela@clubedominna. com para uma maior organização.
O almoço conta com Buffet de saladas, salpicão, carnes, arroz, feijão, torta pumba, massas e legumes. Das 14h às 15h momento de socialização e deslocamento para a sala de audiovisual.


Sala Audiovisual
Das 15h às 15:30h - Workshop de Gesso - Mestre Carlos
Das 15:30h às 16h - BDSM e a Literatura Brasileira - Escritor Antônio Vicente Serafim Pietroforte
Das 16h às 16:30h - Experiências Pessoais de BDSM e Podolatria - Escritor Glauco Mattoso
Das 16:30h às 17h - Segurança e Cuidados Fundamentais na Prática BDSM - Varinia_GS
Das 17h às 17:30h - Inversão e Feminização de Papéis - Sra Loba Domme
Das 17:30h às 18h - A Mulher Goreana - Andy
Das 18h às 18:30h - A História do Shibari - Lord Animal X
Das 18:30h às 19h - De Escrava à Switcher - La Femme
Das 19h às 19:30h - Tudo sobre Humilhação - Física e Psicológica - Klaus
Das 19:30h às 20h - SM e Carências Afetivas  - Rainha Dourada
Das 20h às 20:30h - Pet Play - Como Conduzir o Treinamento do seu Cão? Domme Vera
Das 20:30h às 21h - História do Conceito de Sadomasoquismo - Jorge Leite Jr (Cabelo)
Das 21h às 21:30h - BDSM e GLBT - Vantagens e Desvantagens da Visibilidade - Profa. Dra Regina Facchini
Das 21:30h às 22h - A Liturgia de Gor e a Liturgia SM - Master Christian Sword of Gor
Das 22h às 22:30h - SM Gay Masculino e SM  HxH - Principais Diferenças - Quiron
Das 22:30h às 23h - Apresentando os 11 tipos de Sexo - Terapeuta Sexual Lidia Moita
Das 23h às 23:30h - Todas as Funções das Máscaras de Gás - GasMask
Das 23:30 às 00h - Filmagem de Fetiches Mostrando Cenas Reias - Boud Brasil - ACM/RJ
Das 00h às 00:30h - Tudo sobre Poney Girl - Anja Lindda
Das 00:30 à 1h -  A Confirmar
Sala disponível para Podolatria da 1h às 7h


Pista de Dança
Djs Leandro - Alessandro - Pherro - Gonçalo Vinha - Agitando a Noite Toda
Das 20h às 23h - Exposição de Escultura em Biscuit de {pekena}~DOM KADAR
23:00h - Mumificação - Gata Selvagem
00:00h - Show  de Fire Play - Lord Vahmp e La Femme
1h - Show das Mutantes - Taty Oliveira e Déia
2h - Show de Alex Lorenzo




Dungeon de Shibari
19h às 21h - Tatuagem em Veronika de Lord Dragon
00:30h às 1h - Workshop de Agulhas com Gata Selvagem
Em todos os outros horários o Dungeon estará disponível para cenas de Bondage e Shibari

Dungeon de Pedras
19h às 20h - Experiências de um Cadeirante na Prática SM - Jalbe (subman)
20h às 21h - Workshop de Chicotes (Como Confeccionar) - Mestre dos Mestres
Em todos os outros horários o Dungeon estará disponível para cenas SM

Café da Manhã
O café da manhã será servido às 6h e está incluso no valor da entrada

Madrugada
Faremos diversos debates sobre temas polêmicos como:
BDSM e Midia
Irmãs de Coleira
O Futuro do BDSM no Brasil
O Papel do Clube Dominna a Comunidade BDSM Brasileira
Dois Donos de uma mesma escrava: Realidade ou Utopia
O Amor estraga a relação BDSM ou a intensifica?
Escravidão Consensual x Amor Próprio: Conhecendo esta Linha Tênue
O que fazer quando a vontade BDSM termina para um dos lados da relação?
Entrega Incondicional: Vantagens e Desvantagens
Entre outros...


Durante a Madrugada estaremos disponibilizando vários 
Filmes como:
A História de Ó - Versão Francesa
A Secretária
O Clube do Fetiche
O Porteiro da Noite
O Juiz SM
Entre Outros

Nosso serviço de Bar estará funcionando nas 24h do Evento
assim como a Loja do Clube dominna - Dominna Boutique



O Dia Internacional do BDSM ou 24/7 foi criado pelo Grupo Rosa 5 de Barcelona na Espanha (
http://www.clubrosa s5.com ) com o intuito de que houvesse um dia Mundial do BDSM. Logo que foi criado o Clube Dominna abraçou a idéia, com um diferencial: Comemorar por 24 horas ininterruptas. Há 7 anos fazemos exatamente isto, com o compromisso de reunir em uma data tão importante a Comunidade BDSM  do Brasil.
Aqui em nosso País é uma Festa que reúne adéptos do Brasil Inteiro e também do Mundo. Este evento foi trazido do exterior por Mistress Bela do Clube Dominna em 2003 e há 7 anos vem cumprido sua missão ininterruptamente de organizar um evento 24h; ou seja - do meio dia do dia 24 de julho ao meio dia do dia 25 de julho você tem 24 horas de SM com as pessoas que mais se destacam no meio através de suas pesquisas, estudos e experiências práticas.
Nosso interesse é que as pessoas que saem de seus Estados de origem aproveitem da melhor forma possível sua estada em São Paulo, para isso oferecemos: Palestras, Workshops, Shows, Apresentações, Debates, Demosntrações, Videos, Fotos e toda a gama de possibilidades que um local como o Dominna pode proporcionar.

domingo, 18 de julho de 2010

Orientação sobre o jogo dogwoman – Vitar@

Bem… Desde os primórdios o cão sempre acompanhou o homem e é, até hoje, considerado o servo fiel e o grande companheiro… Já existiram até aqueles cães que, por destacarem-se em qualquer que fosse a tarefa, teriam seus nomes no Hall da Fama… Beethovens, Belitas, Rim tin tins, Lassyes, Pricilas, Jfs e Gilmares (TV Colosso), a Poderosa Laika (sou fã dela!) – a cadelinha que foi ao espaço à bordo de uma sonda espacial – e, claro, a Smoke, uma cadela Basset usada pelo Exército americano como “espiã” (a pequena cadelinha levava mensagens a campos de batalha sem que o inimigo suspeitasse dela!). E, finalmente, meu Argos, um cocker de 9 meses… (coitado, era observado diretamente por mim e me ajudou tanto!…).
Fiz esta pequena explanação numa tentativa de poder sintetizar o que é ser uma dogwoman…. Agora, tento explicar como é esta prática e como é o lado psicológico de agir como uma cadela.
Segundo uma definição mais técnica, dogwoman é um jogo D/s que engloba artifícios de S/M. A(o) submissa(o) é tratada(o) como uma cadela(cão): usa coleira, bebe leite em vasilhas e até late. Prazeroso se feito com inteligência e uma dose de sarcasmo. Também é usado em jogos de humilhação. Esse jogo tem muitas variações e é bom conversar com seu(sua) Dom(me)/sub antes de executá-lo. É um jogo de forte apelo psicológico. O apelo é forte para quem não está acostumado a jogos que incidem em humilhação explícita/direta. O lado psicológico está diretamente ligado à humilhação e à prontidão para servir.
A melhor forma de você se adaptar a este jogo é estudando o comportamento de um cachorro (especificamente na fase na qual você quer se encontrar; por exemplo, sou uma cadela de 8 meses, quase entrando na fase adulta), estudar seus hábitos, reações e movimentos. O mais importante é tentá-los reproduzir com dedicação e muito treino, principalmente para subir e descer de determinados lugares e em algumas atitudes. O essencial também é encontrar uma raça e espelhar-se nela… Sou uma labrador desde o primeiro instante pelo meu porte físico e pela agilidade e por ele ser um cachorro dócil e fiel APENAS a um Dono.
O jogo em si consiste em um D/s onde você, a partir do momento que está submetida(o), passa a adquirir as características de uma cadela (ou de um cachorro), seus hábitos e a forma como um adestrador ou dono a(o) trataria. Entre as práticas mais comuns, eu destaco:
Posicionamento: para andar (somente em 4 apoios), sentar (com as pernas abaixadas e os braços estendidos juntos), deitar (de lado, braços levemente cruzados e pernas sobrepostas), posição de descanso (aquela da esfinge, braços apoiados nos cotovelos, cabeça erguida e ajoelhada, corpo sobre os braços). Para subir em algum lugar: apóie os braços bem juntos e os cotovelos junto ao corpo no lugar que você vai subir, impulsione com as pernas juntas apoiadas nos pés (nas pontas) e apóie-se nos braços apenas. Para descer (apóie-se nas mãos e depois as pernas). O melhor é como eu disse: observar um cão real.
Quando receber uma ordem, manter a cabeça em posição de atenção, voltada para o Dono, com a vista baixa SEMPRE (mesmo sendo cadela, você é sub).
Repreensão: quando repreendido, normalmente o cachorro fica amuado e deve ir para a casinha. Combine com seu Dono um local onde possa ser “Tua Casinha” (eu tenho a minha) ou uma almofada… algo do gênero. E, após uma punição, permaneça com a cabeça baixa e o focinho (rosto) entre as mãos, na posição de espera.
Jogos: Ir pegar a bolinha: esperar o Dono jogá-la e imediatamente ir buscá-la sobre 4 apoios e trazê-la. Procurar Objetos: faça de conta que está farejando enquanto procura algo, etc. Detalhe: quando pegar um objeto com a boca, atente para não colocá-lo demais nela ou não deixar cair. Chicotes, chibatas e coisas longas: tome cuidado ao atravessar portas, porque pode enroscar nos batentes ou você apoiar sobre tiras soltas. Coisas pequenas, como bolinhas, deixe aparecendo sempre, não engula!
Comer numa terrina: Bem, a princípio torna-se complexo pelo fator psicológico, pela exposição que você passa… Não é todo mundo que se adapta, mas é muito legal a partir do momento que você o pratica. Tente apanhar os alimentos com a boca apenas e sem apoiar o queixo ou deixar escorregar. O ideal é só usar a boca, mas, se precisar, pode se tombar a terrina (de leve) com a mão, como um cachorro faria, batendo a pata. Outra coisa é beber água ou outro líquido (já tive que beber guaraná e foi uma festa, pois as bolinhas de gás param no queixo e ardem um pouco): use APENAS a língua, sem sugar com os lábios; você, devagar e com treino, começa a usar apenas a língua… Para treino, pegue um tupperware com água e apenas lamba a água lentamente… Ou ponha um cubo de gelo e tente pegá-lo com a língua apenas…
Saltar: Os cães geralmente apóiam-se nas patas traseiras e com elas impulsionam o corpo para frente. Do mesmo modo, apóie-se nas pontas dos pés, encolha suas pernas e com os braços junto ao corpo e flexionados vá lentamente se esticando até dar um impulso (LEVE) e ir para o outro lugar. Detalhe: veja antes se o local é bem firme e que você possa ter onde e como apoiar-se. NUNCA use banquinhos soltos ou cadeiras sem apoio e JAMAIS cadeiras ou móveis de rodinhas (a experiência não deve ser nada boa…) Para começar é legal pôr em frente a um sofá ou cama uma mesinha ou poltrona larga.
Após o banho: Se teu Dono resolver te dar um “banho” de cadela, mantenha-se de quatro e deixe-o lavar-te e enxugar, afinal cachorros não se enxugam. MAS é fundamental ao menos uma vez dar aquela “chacoalhada” de leve para não ficar excesso de água… Mas, cuidado para não fazer molhadeira!
Fora estas práticas, existem coisas do tipo subir e descer duma cama, pular de um lugar para o outro, que requer treino. Concentração é TUDO no Dogwoman. VOCÊ tem que estar sempre atenta a ordens, pedidos e principalmente estar preparada SEMPRE para qualquer solicitação.
Não dá para prever e escrever tudo por que vai depender do que teu(tua) Dono/Dona vai solicitar… E varia muito do tipo de relação e exposição que você tem em relação a teus limites. Têm Donos que até fazem a gente urinar como uma cadelinha no box do banheiro e têm outros que gostam de nos levar passear.

LEMBRETE: a força de quem pratica o jogo dogwoman concentra-se nos pulsos e tornozelos. Se seus pulsos são mais fracos sugiro o uso de munhequeiras para evitar lesões como, por exemplo, para descer da cama (vc põe todo peso sobre eles). Pelo menos para treino eu uso…
Importante: Os objetos mais comuns à cena são: coleira, terrina, ossinhos de couro sintético, a casinha, guias, etc. As regras de higiene para outros objetos valem aqui também (somos cadelinhas e não porquinhas!!!). Como os ossinhos e bolinhas ficam direto no chão, o ideal é a prática num lugar asseado e lavar a bolinha SEMPRE e os brinquedos em água corrente com sabão neutro. Ossinhos de couro sintético (aqueles que imitam ossos reais) o ideal é colocar magicpack para não ficar com gosto de “couro” na boca. A terrina também não pode ficar com água parada por váriosdias porque pode juntar bactérias e limbo e o gosto da água fica desagradável.
Prefiro as guias de adestramento (mais curtas), pois o contato é direto. Conselho: coleiras, sempre aquelas de couro e não muito apertadas (a menos que você curta asfixia). As coleiras mais bonitinhas devem ser encapadas por dentro, pois geralmente são feitas de veludo ou de feltro e, quando você transpira, pode sair a ‘tinta’. As de nylon machucam se muito apertadas, mas são as melhores visualmente. Procure NUNCA exagerar!!! Se, na primeira vez, você não conseguir fazer algum truque, treine mais, mas não force a “barra” logo de cara, querendo saltar objetos… Cuidado sempre!
(Fonte: http://www.desejosecreto.com.br/fetiches/fetiches04.htm)

terça-feira, 6 de julho de 2010

Masoquismo como um Caminho Espiritual (Dorothy Hayden, CSW)

Apenas nos últimos cem anos o masoquismo tem sido visto como perversão. Quando o psiquiatra do século XIX Krafft-Ebing colocou o termo masoquista sob a rubrica de “Patologia Geral” em seu famoso livro “Psichopathia Sexualis”, o masoquismo começou a ter uma fama ruim. Poucas décadas mais tarde, Freud escreveu sobre o masoquismo como uma função de sexualidade infantil, desenvolvimento incompleto, crescimento impedido, e irresponsabilidade infantil. Desde então, o masoquismo foi irrevogavelmente delegado ao gueto de “perversão” and a comunidade clínica viu isso como uma aberração patológica que precisava ser curada.

Nos milhares de anos antes disso, entretanto, uma conexão masoquista-espiritual prevaleceu através da maioria das civilizações. Onde a psicologia considerou masoquismo como uma doença, as religiões pré-século XIX viram como cura. Os antigos estavam em contato com os valores espirituais, físicos e emocionais do masoquismo. Para eles, era uma parte essencial da realidade; uma combinação da alma num estado de tortura, numa delícia arrebatadora, dor rara e paixão invencível que os levava para a experiência de uma união com algo maior que seus egos individuais.

Na tradição das religiões orientais, o desejo de ser batido e chicoteado refletia o desejo de “penitência” que muitas vezes envolvia humilhação, vergonha, dor, adoração e submissão. Nos monastérios e igrejas, cabeças curvadas, joelhos amarrados, mãos dobradas, cabeças cobertas and o corpo todo em prostração refletia a postura básica masoquista. Os escritores do Novo Testamento fizeram freqüentes menções à flagelação e à dor física. A “cena da paixão” de Cristo inteira, a narrativa que foi encaixada em nosso psiquismo coletivo por milhares de anos, envolve bondage, flagelação e crucifixão sendo sujeitado à vontade de um poder superior e a subsequente ressurreição para uma consciência transcendental. Os Psalmistas usavam a prática de chicotearem a si mesmos todos os dias. Era parte da tradição judaica, 500 anos antes de Cristo, chicotearem-se uns aos outros com açoites depois de terminarem suas preces e confessado seus pecados.

Flagelação em monastérios e conventos eram a ordem do dia. Santos como São William, São Rudolph e São Dominic ordenavam sempre aos seus discípulos para se açoitarem nas costas nuas. De flagelarem-se a si mesmos, os padres começaram a flagelar os penitentes como parte da penitência. Isso veio para ser seguido como necessário ato de submissão a Deus. Alguns homens santos sustentavam que o açoitamento tinha o poder de resgatar almas do inferno. Eles acreditavam que humilhação e dor física forneciam um meio para o indivíduo se tornar um ser humano completo.

Todas as ordens cristãs recentes usaram a flagelação como parte de sua disciplina espiritual. Santa Tereza, fundadora das Carmelitas, usava flagelação severa com parte sua prática diária. Através da bétula e do chicote ela entrava em estados de misticismo estático. A freira carmelita Caterina de Cardona usava continuamente correntes de ferro que cortavam sua carne. Ela se fustigava com as correntes e ganchos o mais frequentemente possível e às vezes por duas ou três horas seguidas. Dizia-se que através dessas práticas ela estava sujeita a êxtases místicos e visões da graça celestial.

No início do século XI, eremitas monásticos na Itália aceitavam a prática de auto-flagelamento e fugiram dos monastérios tomando ruas e igrejas. Chamada de Seita dos Flagelantes e organizada por Santo Antonio, estes monges criavam para si mesmos desejos frenéticos que só encontravam satisfação quando rasgavam suas carnes e se auto-degradavam. Os Flagelantes iam de uma cidade à outra em procissão, arrebanhando novos penitentes enquanto passavam. Às vezes chegando a dezenas de milhares, iriam marchar até à frente de uma igreja, formar ali um círculo e produzir uma cerimônia penitencial altamente ritualizada. Despidos até a cintura, os penitentes entoavam hinos e prostravam-se em contrição. O ritual culminava em flagelação severa de todos os participantes, muitas vezes durante horas. Ao final, estas figuras esquálidas, faces contra o chão com vergonha e prazer, as costas em carne-viva, os chicotes tingidos de sangue, eram elevados em êxtase como se uma transformação espiritual ocorresse com eles.

A cultura oriental não detém um poder exclusivo no uso da subjugação e da dor como parte da disciplina espiritual. Os monastérios zen-budistas são conhecidos pelo mestre usar um bastão nos discípulos e pela “bofetada” Zen que serve para levar a pessoa para um grau de consciência mais elevado. Os estudantes do Zen quase sempre se sentam com as pernas cruzadas num acolchoado por 14 horas por dia, sete dias por semana, submetendo-se a uma agonia física de ficar completamente imóvel face à dor inflexível por longos períodos de tempo. Discípulos hindus subjugam suas vontades à vontade do Guru; Budistas Tibetanos seguem a vontade de seu Lama sem questionamentos. Um santo tibetano recente, Milarapa, foi forçado por seu orientador a submeter-se a um trabalho físico duro, doloroso e árduo sem questionar a vontade do mestre antes de ser aceito como aluno.

Se, de fato, a história da civilização é recheada de relatos sobre uma conexão masoquista/espiritual, como a atitude masoquista se liga à transformação espiritual? Qual exatamente tem sido o apelo da submissão masoquista a personagens espiritualizados por tantas eras?

Uma resposta possível é que a sociedade moderna foi muito influenciada pela mentalidade de “áspero individualismo” de Horatio Alger. As metas da psicoterapia contemporânea têm sido direcionadas para construir egos fortes, competitivos, racionais e bem-resolvidos. Tenha responsabilidade, tenha controle. Garanta você mesmo. Mas, a que preço? A construção de um ego forte é apenas um lado da moeda. Para experimentar a abundância da experiência humana, precisamos de passividade e receptividade assim como de asserção. Precisamos de estar em contato com o que o psicoanalista Carl Jung chamou de “a sombra” – o fraco, limitado, degradado, pecador lado de nós mesmos como também o lado forte, amável, compassivo e competente.

Precisamos deixar o ônus de nosso egocêntrico modo de ver a vida; de abdicar do controle e ao mesmo tempo, tê-lo. A submissão masoquista, centrando na falta, inadequação e fragilidade, coloca-nos em contato com o todo de nossa humanidade. Humanidade plena requer rendição ao lado baixo da vida como também ao alto. Penitentes religiosos sabiam dos desejos de sofrimento da alma. Eles sabiam que isso nos afasta da insolência, ou do orgulho que nos mantém na limitada perspectiva de ter muita fé em nossa competência e habilidades. Os Cristãos e místicos orientais sabiam disso. “Humilhação é o caminho para a humildade e sem humildade, nada agrada a Deus,” dizia São Francisco de Assis.

Uma cena desnuda o ego de suas defesas, ambições, conhecimento de si mesmo e sucesso. O ego começa a ser subserviente ao Mestre, ao Dominador, à Alma, ou a Deus. Se chamamos isso submissão ao Dominador ou à vontade de Deus, ainda assim será submissão – uma das indicações da postura masoquista. Os componentes masoquistas – a vontade de servir, de submeter-se, de entregar-se ao outro sexualmente, emocionalmente e fisicamente, faz um escravo tanto a um homem, a uma mulher ou a Deus. Submissão a uma paixão é degradação divina.

Outra similaridade entre masoquismo e êxtase místico é que ambos são motivados pelo desejo de esquecimento e libertação; para livrar-se da carga de si mesmo com todos os seus conflitos, pesos e limitações. Em outros tempos isso poderia ser chamado de busca por um êxtase místico no qual o indivíduo é tão arrebatado de si mesmo que sua identidade se extingue em sublime união com algo superior.

Na submissão, o indivíduo é tirado de suas limitações pessoais e transcende as sanções sociais enquanto ao mesmo tempo é reduzido, enfraquecido e humilhado. Com os narizes pressionados contra a realidade presente do sofrimento humano, é a um só tempo uma derrota agonizante e magnífica jornada espiritual.

Fonte: http://carcereiro.110mb.com/artigos/a104.htm

domingo, 4 de julho de 2010

Um momento (Janus SW)


(Para astharoth de Janus)


Sua pele em contraste com a minha, suas formas em minhas mãos, toque súbito, firme , intenso, a mão em movimento perfeito, amplo, toca parte por parte, célula por célula em seu corpo que se surpreende com o movimento.
Grito de dor misturado um riso oculto... Sei que o seu desejo coloca cores diferentes na dor que já nem é mais dor, é puro prazer. Um momento, outro, encadeado na infinitude dos nossos momentos que começa em um e apenas um que, por si só, é igualmente eterno.