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domingo, 27 de dezembro de 2009

Ética entre dominadores virou goiabada cascão (Senhor Verdugo)

Muito se fala sobre o aprendizado de técnicas e teorização de práticas, mas algo que deve ser a primeira lição no BDSM é o conceito ético.

Vejo como ética no BDSM o respeito à propriedade alheia. O entendimento do simbolismo da coleira e seu significado é algo que deve ser respeitado de forma incondicional, em qualquer situação.

A compreensão desse respeito é o principio fundamental para se viver o BDSM de forma coletiva. É necessário ter em mente que nesse universo não é cabível qualquer tipo de preconceito. O fato de não gostar ou aprovar determinadas práticas, não legitima nenhum direito a alguém contestar ou interferir na relação alheia se as partes envolvidas estão plenamente satisfeitas com o formato em que vivem suas fantasias.

Infelizmente a falta de ética é como “Goiabada Cascão”, cada dia mais rara de encontrar. Lamentavelmente, uma parcela dessa safra de novos pseudo-dominadores preocupa-se demais com detalhes que não lhes dizem respeito, criticam preferências de outrem quando o mais próximo que chegaram do assunto foi através do “ouvi falar” ou “vi na net”. Sequer vivenciaram aquilo que elegeram como certo ou errado.


Alicerçam seus pontos de vista em teorias inconsistentes e resolvem brincar de “arbitrar” o certo ou errado; pensam que tem o direito à falta de educação para desqualificar aquilo que lhes foge à compreensão, às vezes por leviandade, outras por ignorância.

Precisam do apoio público para sentirem-se fortalecidos, situação muito peculiar em salas de bate papo onde se esforçam para tentar criar constrangimentos às peças alheias apontando supostos abusos como forma de abrandar suas frustrações derivadas de suas limitações e inseguranças.

Crêem que esse comportamento inadequado, deselegante e hostil para com seus pares lhes trará algum tipo de notoriedade e reconhecimento público.

Entendo que aprender a ter um comportamento digno, agir como homem no sentido real da palavra, ter uma conduta digna de quem se propõe a educar e conduzir outrem é a primeira e mais importante lição a ser aprendida.

Essa atitude associada a um despreparo intelectual faz com que esses indivíduos ajam infantilmente, pensando estar no pátio do colégio fazendo “graça” para chamar a atenção das mocinhas deslumbradas.

Lamento ver esse comportamento numa comunidade onde um Dominador deveria ser visto como um modelo a ser seguido pela dignidade, honradez e caráter.

São adjetivos mínimos para se conquistar o respeito; qualidade obrigatória que antecede a aquisição de qualquer escrava.

Ironicamente modelos não se criam com facilidade. Determinadas pessoas tem traços psicológicos desagregadores e precisamos aprender a conviver em grupo com isso sem nos deixar contaminar.

Postura ética é a lição de casa que todos aqueles que se propõem viver nesse meio devem ter em mente.

O desrespeito a alguém de coleira não é apenas para a pessoa em questão, esse ato proposital, ou não proposital é uma afronta ao Proprietário da escrava.

Censuras, assédios, críticas ou observações indelicadas e principalmente em público, fere qualquer conceito ético numa comunidade BDSM.

A ética pressupõe a um Dominador legítimo levar suas possíveis diferenças com a escrava alheia diretamente ao Dono da mesma e, jamais, em tempo algum, usar desse artifício para joguinhos baratos de exibicionismo e vaidade, típico das personalidades fracas que tem necessidade de se fazer notar.

O que esses indivíduos não percebem é que essa linha de conduta nunca os tirará da condição marginal de aspirantes a Mestres, jamais serão reconhecidos como dignos e merecedores do título que se auto-intitulam e, por conseqüência, estarão sempre à sombra, atônitos e anônimos nesse cenário funesto.

(Publicado com autorização do autor. Link: http://www.senhorverdugo.com/opiniao/212-etica-entre-dominadores-virou-goiabada-cascao)

Mais presentes para vocês! / One more nasty gift for you all!

Pessoal do blog, esse ano Papai Noel veio com os presentes variados! Mais um vídeo , especialmente dedicado às Sras. que adoram FEMDOM , uma cena bem gostosa e sacana! Espero que curtam!

Hi blog people! We are are plenty of gifts. Now, one for the Mad´am that apreciatte a FEMDOM session, of course! So nasty and lovely! Hope You enjoy!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

ATÉ ANO QUE VEM PESSOAL!!!!/SEE YOU NEXT YEAR, FOLKS!






Senhores, Senhoras, bottoms e demais amigos...

Esse blog está entrando em um pequeno recesso de festas, voltando às atividades no próximo janeiro.
Quero agradecer a todos os que nos visitaram e fizeram seus comentários! Saibam que todos foram importantes para mim, especialmente pelo carinho que devotaram ao nosso blog.
Novamente deixo minhas saudações em meu nome e de minha menina asthroth de Janus.
Cuidem-se bem e até o ano que vem!


Mad´ams , Masters, bottoms and friends from everywhere in the world.

I´m leaving for a short period of vacations between Xmas and the New Year. For this reason I´ll not post ´till my return.
I want to say a warm thank you for everybody that came to visit this blog. It´s a pleasure to welcome you all and I hope to stay in touch in this new year.
The salutes from myself and my girl astharoth of Janus.
Enjoy and take care!
See ya...

domingo, 20 de dezembro de 2009

Um interessante vídeo sobre a... bunda...

video



Achei interessante esse estudo. Nós do BDSM sabemos muito bem o porquê de gostar das bundas de nossos meninos e meninas....rs....
Espero que gostem!

domingo, 6 de dezembro de 2009

Diferenças Entre Escrava e Submissa (Raven Shadowborn)

Muitos perguntam se escravas realmente existem. Na forma como a história e os dicionários definem, não, elas não existem na maioria dos países modernos. (Apesar de haver alguma controvérsia sobre círculos de escravidão existirem secretamente) A maioria das pessoas geralmente concorda que a posse legal de outro ser humano é imoral, e logo, ilegal. Em todo caso, no mundo BDSM, alguém perceberá que as pessoas envolvidas se denominam por vários nomes; um deles, é o termo “escravo(a)”.

Naturalmente, isso freqüentemente levanta a questão de quão diferente uma escrava é de uma submissa. Esta questão normalmente é encarada com franca hostilidade, descrença na existência de escravas, e a idéia de que as palavras escrava e submissa (como nomes) são termos permutáveis, equivalentes, no mundo BDSM. Muitos não concordarão com quaisquer destas idéias, e eu sou um deles. Gastei uma generosa soma de tempo conversando com escravas na melhor tentativa de entendê-las, suas opções, e fazer meus juízos se isso é uma escolha saudável ou não, dentro do estilo de vida BDSM.

À pergunta de se, escravas existem ou não no BDSM, eu respondo que sim. Podem não ser o grupo mais numeroso, mas têm algumas. Escravas diferem de submissas? Novamente, minha resposta é sim. Escravas diferem de submissas pela forma como pensam, agem, submetem-se e suas expectativas.

Uma escrava tende a pensar mais na linha “preto no branco”. Elas têm muito pouco espaço para manobras ou tons de cinza na sua escolha. Elas não parecem esperar muita flexibilidade do comportamento de seu Dominante também. Com isto eu quero dizer, se uma escrava está sentindo-se indisposta e logo não completa suas tarefas diárias, esperaria do Dominante o castigo de sempre . Uma submissa estaria mais inclinada a esperar indulgência do Dominante porque estava indisposta. Uma escrava pensa em termos de ser posse, não em termos de estar submetendo-se. Para elas, estar encoleirada em um relacionamento significa ser posse, e freqüentemente isso se traduz na afirmação de que elas não têm o “direito”, “escolha” ou “opção” de sair do relacionamento se ele andar mal.

Isso não significa que uma escrava vai aceitar um relacionamento abusivo, embora seus limites de tolerância para o que é abusivo e o que não é parece mais alto do que na submissa. Essa crença de ser posse origina-se de um forte compromisso tanto no lado emocional quanto mental para com seu Dominante. Existe um nível de aceitação ao comportamento do Dominante que pode ser mais intenso e abrangente do que muitas submissas consentiriam. Por exemplo, um Dominante quer trazer um terceiro para dentro do relacionamento. Uma submissa exigirá que alguns critérios sejam observados antes de permitir (sim, permitir), donde uma escrava diria “está acima do meu alcance, se é o que o Senhor quer, então que seja”, e resignadamente aceitar a mudança. Para alguns, esta forma de pensar é considerada errada ou instituída por meio de abuso, mas isso não é necessariamente verdade. Uma escrava floresce no fato absoluto, de que elas literalmente não têm controle sobre o relacionamento ou o que vai acontecer nele, donde uma submissa freqüentemente retém algum grau de controle sobre o relacionamento. Seu processo de pensamento foca somente no que faria o Senhor (a) mais contente e no como a escrava pode ser mais prazerosa a ele. Submissas tendem a pensar em si mesmas e seu proprio prazer em adição ao do seu Dominante. Escravas trabalham duro para porem-se em segundo lugar em todas as coisas, e seus Donos em primeiro. Para elas, isto é o que resulta de ser uma escrava e submeter-se completamente. Escravas se esforçam muito em conquistar uma paz interior com sua posição escolhida. Com essa paz, vem a aceitação de si mesmas, e um quieto senso de contentamento. Elas vêem orgulho, arrogância and outras emoções como negativas e indesejadas em uma escrava.

O comportamento de uma escrava é diferente do de uma submissa também. Se você ouvir escravas falarem sobre seus comportamentos (ou assisti-las), elas normalmente falam sobre aceitação quieta, em controlar-se o tempo todo, formalidades, e outras coisas. Parece haver mais foco no como uma escrava se comporta em qualquer dado momento, com menos margem para ser diferente. Em muitos relacionamentos de escravidão, a escrava é exigida a usar o título do Dono ao endereçar-se a ele em qualquer situação, and não conceberiam chamar seu Dono por qualquer outro nome. A maioria das escravas acha gritar, crises de mau humor, ou de nervos ou qualquer outra forma de comportamento descontrolado da parte da escrava repreensível e meritória de punição severa. Escravas poem bastante ênfase no seu comportamento e no como reagem ao seu Dominante. Seguram-se em um alto nível de autocontrole. Cobram de si mesmas terem um comportamento prazeroso o máximo possível. Não vêem margem para molecagem, qualquer forma de “topping from the bottom” (ditar cena) ou qualquer outra forma de manipular o Dominante. Geralmente vêem molecagem como manipulação, choramingos, persuasão ou fazer pedidos novamente depois da primeira negativa como comportamento manipulador que se endereçam aos desejos necessidades da escrava ao invés do Dominante e logo, impróprios. Elas olham com desdém para qualquer comportamento que é dirigido a forçar o Dominante a encontrar uma finalidade da própria escrava, em lugar de focar-se na necessidade do Dono. Uma escrava se esforça pela perfeição interior em completar todas as tarefas que o Mestre lhe dá, enquanto mantém uma parte da sua atenção em coisas que não foram solicitadas a fazer, mas acham que poderia agradar o Mestre se feitas. A uma escrava é requerido que seja bastante auto-suficiente e hábil pois freqüentemente tem uma carga forte de responsabilidades. Escravas normalmente sentem que uma escrava não precisa ser orientada nos mínimos detalhes porque isso é enfadonho para seu Dominante, a menos que ele aprecie a meticulosidade. Uma escrava vai se comportar com o maior respeito em uma situação formal, e com todo o respeito que qualquer situação exija. (Por exemplo, um momento calmo em casa que não requeira um protocolo rígido, como uma festa formal iria).

Nenhuma dessas ênfases no comportamento significa que uma não pode ou não faz piada, relaxa ou entra em brincadeiras. Muitas escravas de fato fazem estas coisas. Fazem, contudo, com grande atenção à reação do Dominante e tomam cuidado para não serem deselegantes ou excessivamente sarcásticas. A menos é claro que o Dominante não aprecie este comportamento, então é melhor que ela o restrinja (o comportamento). (N.T.: O que pode ser bastante difícil, e na minha opinião pouco saudável, para alguém que tem naturalmente um senso de humor brincalhão como parte de sua personalidade) Então por favor não entenda que este artigo diz que escravas não se divertem, não têm senso de humor ou algo assim porque seria inverídico. Escravas têm personalidade como todo mundo, e se divertem com ela como todo mundo. Escravas apenas tendem a ser bem mais preocupadas com a reação do Dominante a estas atividades do que algumas submissas são. Elas também não usam seu senso de humor para provocar o Dominante a agir com elas, a menos que o Dominante aprecie este tipo de elemento na cena. Basicamente elas talham seu comportamento naquilo que o Dominante prefere, e sente-se mais confortável.

As expectativas de uma escrava acerca de seu Dominante e do relacionamento são freqüentemente diferentes das de uma submissa. Uma escrava não espera satisfação de seus desejos para além de suas necessidades mais básicas. Quando o Dominante faz algo além disto para com elas, é visto como um presente, e não o preenchimento de uma necessidade. Escravas tendem a ver coisas que muitas submissas esperam em um relacionamento, como luxo e não necessidade. Isso não significa que uma escrava vai aceitar ser abusada ou tratada como inútil por longos períodos de tempo, apenas significa que elas não esperam todos os mimos que outros esperam de seus relacionamentos. (como ganhar carinho sob solicitação, falar quando tiver vontade, dormir numa cama, etc). Escravas sabem que seu relacionamento é difícil às vezes e que sua submissão não é fácil o tempo todo. Elas esperam serem solicitadas ou ordenadas a fazerem coisas que não vão necessariamente serem prazerosas para si porque seu foco não está na própria satisfação, mas na do seu Dominante. Esperam ser tratadas como escravas e não mimadas ou bajuladas. Elas esperam ser forçadas em seus limites e ter estes limites expandidos. Esperam preencher as expectativas de seus Dominantes e não verem seus Donos aceitarem qualquer manipulação ou desobediência. Elas esperam serem usadas na totalidade de seu talento ou mesmo serem treinadas para aumentar suas capacidades para preencher a necessidade do Dominante. Não esperam ser consultadas para cada decisão, ter sua opinião requisitada o tempo inteiro, ou algo parecido. Isso não significa que elas esperam ser ignoradas ou tratadas como se elas não importassem, elas apenas não esperam isso como uma parte corrente do relacionamento, apesar de muitas darem suas opiniões, sentimentos, isso é requisitado por seus Dominantes e eles irão freqüentemente leva-las em conta quando tomarem decisões.

Uma escrava submete-se diferentemente de uma submissa também. Escravas não impõem limites à atividade dos Dominantes. Uma submissa vai freqüentemente ter limites mais rigidos que o Dominante não consegue ultrapassar, e limites mais brandos que podem ser suprimidos com prévia negociação. Uma escrava não tem qualquer dos dois. Elas não vão dizer que o Dominante não pode engajar certo tipo de jogo ou usar um específico acessório. Elas podem dizer ao Dominante que não gostam desta ou aquela prática ou acessório no começo do relacionamento (preferencialmente antes do encoleiramento) mas não vão rejeitar o Dominante por fazer/usar tais coisas. Elas contam com a idéia de de serem solicitadas a fazer coisas que não gostariam particularmente e consideram isso como parte do submeter-se, uma vez que seu conceito de submissão coloca a satisfação do Dominante em primeiro lugar, antes mesmo da própria. Muitas escravas dirão que por causa destes imperativos, uma escrava vai escolher um Dominante com quem tem mais afinidade, logo não vai lhe solicitar coisas que ela se nega terminantemente a fazer. Mas mesmo assim, a escrava espera que estes limites mudem com o tempo e aceitam que isto aconteça. Uma escrava não acredita que possa simplesmente deixar o relacionamento. Algumas acreditam que depois de encoleiradas é para a vida, e não vão pedir soltura mesmo que sintam sua vida em perigo, ou sintam-se mentalmente/ fisicamente machucadas (nota do tradutor: isso é deveras improvável). Todavia, muitos relacionamentos têm diretrizes cabíveis para caso de soltura caso a escrava realmente deseje romper. Algumas escravas afirmam que uma escrava não pode ser abusada uma vez que o Dominante não tem limites na sua condução, e se o Dominante opta por agir de forma abusiva então seja feita sua vontade. Isso não parece ser o senso comum entre as escravas, porém também ocorre.

Muitas dessas diferenças se sobrepõem, e são aplicáveis a submissas também. Todavia, em sua totalidade elas existem para a maioria das escravas que tive contato. A escrava não é melhor que a submissa em minha opinião, meramente diferente. Algumas destas características podem existir em uma submissa, ou mesmo todas elas. Estas diferenças básicas parecem existir no tocante aos limites da submissão. Uma escrava não os tem, uma submissa sim. A palavra que cada uma vai escolher para definir a si mesma segue uma questão de escolha pessoal, e minha intenção nesse artigo não é diferente. Em lugar disso, meu intento é de ajudar outros a entenderem a escrava um pouco melhor, e não as ver como desmioladas ou capachos, porque estas duas palavras não descrevem a maioria das escravas por opção de vida. Seja ou não a escravidão uma opção de vida saudável, é uma questão de escolha pessoal. Acredito que isso pode ser uma escolha muito saudável, ao passo que outros discordariam. Como em qualquer relacionamento onde a divisão de poder esteja colocada na ascendência de uma pessoa sobre outra, abusos podem acontecer. Contudo, eu não tenho base para afirmar que estes abusos ocorram mais com escravas do que com submissas, ou no BDSM de modo geral.

Traduzido Por John Coltrane.

Opinião pessoal do tradutor:

Pessoalmente considerei a questão dos limites mais frouxos, como ainda uma escolha segura. É natural que o relacionamento de escravidão como se afigura no texto, é precedido de uma negociação como qualquer outro e todas as demais recomendações de segurança nos primeiros contatos podem perfeitamente conviver em harmonia. Vale lembrar que um verdadeiro abusador não avisa antes que não se compromete em respeitar limites: muito antes ele preferiria passar a idéia de ser cuidadoso, para depois cometer o abuso.

Se você não se identificou em nada com a descrição de escrava, é simples: você não é uma. É uma submissa, ou bondagista, ou apenas masoquista ou até mesmo apenas uma fetichista. Nada de errado nisso. A preocupação em se diferenciar uma coisa de outra se dá apenas como complemento aos conhecimentos do leitor e não se faz referência obrigatória.

A não negociação prévia no tocante ao rompimento de limites, como indicado no texto, é compensada por um busca mais exigente no tocante à afinidade entre as partes, pela escrava, conforme exposto. Pela escolha de vida, se torna ainda mais presumível que tanto a escrava irá optar pelo Dominante com a melhor índole possível (idoneidade), e analogicamente, um Top que aprecie tal relacionamento há de ter uma preocupação ainda maior para com a lisura em sua condução: uma peça com tais características lhe seria demasiado cara para perder por desleixo ou má vontade.

Atenciosamente,

John Coltrane.

(Fonte: http://carcereiro.110mb.com/indframes.html – Site do Carcereiro)

astharoth de Janus

A vida ensina: isso não é novidade para ninguém e sentimos na nossa própria carne as dores e os prazeres que existem na experiência simples ou complexa que nos acompanha desde a primeira respiração nesse mundo.
Independentemente se o que nos faz lembrar são boas ou más coisas, o fato é que há sempre que se esperar e deixar de ansiar para verdadeiramente confiar que as coisas serão do jeito que pretendermos e quisermos que seja.
Não sei se acredito em Destino, muitas vezes tudo parece conometrado para acontecer em algum momento e não em outro. Da mesma forma, desacredito no dito cujo como um decreto irrevogável e determinado que tal coisa irá acontecer.
Prefiro pensar na vida como um grande banquete onde passam os pratos e somos convidados a prová-los ou não e somos o fruto desses sabores, agradáveis e desagradáveis que vão moldando nosso "paladar" pela vida.
Assim foi com a mulher que hoje se chama astharoth de Janus que me apareceu de repente, sem ser anunciada, entrando na minha vida de forma sorrateira, silenciosa , até tomar para si (porque não?) uma parte dela por oferecer-me a sua intenção em viver algo grande e importante para mim que é minha vida como um todo, BDSM incluído no pacote, cada um em sua posição mediante as imensas possibilidades que desbravaremos daqui para a frente.
Não quero alongar-me demais e traçar altos perfis cheio de adulações que nem sempre são reais até porque temos clareza, absoluta, de que somos aprendizes mais do que de BDSM mas da vida em si.
No meu papel, rogo ao Eterno para que seja digno de poder chamá-la de minha e a respeite como submissa mas principalmente como mulher, uma mulher inteligente, íntegra, amiga, companheira, compartilha de minhas fantasias e eu dela sem que não haja nada derivado apenas de um rótulo mas da intenção de viver e provar os melhores "pratos" da vida.
Minha doce e querida astharoth: espero que seu Dono seja digno dos seus esforços para bem servir e que seja mais que apenas Dono, um homem que a ama muito e a deseja e a quer, sempre. Beijos...

Foi esse contrato que asinamos e econtra-se publicado no site do Carcereiro:

Eu , astharoth, propriedade de Janus, assino o seguinte contrato juntamente com meu Dono para que fique estabelecido publicamente o seguinte:

Serei devotada de alma e coração ao meu Senhor, Janus, fazendo tudo para a sua felicidade, meio pelo qual chegarei à minha.
Sempre me dirigirei ao meu Dono com os termos Senhor e Dono, tratando os demais Dominadores e Dominadoras com o mesmo respeito que O trato assim como as minhas colegas de submissão.
Usarei sempre a coleira de passeio em todos os momentos e apenas deixarei de usá-la com Seu consentimento.
Terei o direito , concedido por meu Senhor em ter minha vida familiar e profissional resguardada, sabendo sempre que estou obrigada às atitudes condizentes com a condição de submissa.
Nenhum contato será proibido com pessoas do meio ou não, mas caberá ao meu Senhor indicar aqueles que possam me oferecer risco de qualquer ordem, indicação que acatarei incondicionalmente.
Comunicarei ao meu Dono e Senhor, quaisquer problemas de saúde que possam, de alguma forma, afetar a minha capacidade de servir ou que possam denotar alguma alteração de minha saúde.
Ter claro que essa relação que ora se inicia é baseado e sempre será, nos princípios da honestidade, clareza, respeito e lealdade, condições sem as quais ela perderá o sentido e deixará de existir.
O meu Dono e Senhor, dentro de sua condição, é à quem confiarei meu corpo e minha alma, consciente de que devotará irrestrito respeito e cuidado a ambos, sendo que merecerá sempre minha confiança e respeito.
Terei o direito à devolução de minha coleira quando não sentir-me capaz de cumprir o que meu Dono e Senhor me solicita, sendo que até a efetiva aceitação, manter-me-ei obrigada ao disposto nesse contrato.
Todas as demais disposições que eventualmente não estejam contem pladas pelo presente contrato, serão definidos pelo meu Dono e Senhor, podendo,por Sua decisão, ovir ou não essa que assina o presente.

Por estarem contratados, assinam o presente estabelecendo, publicamente a relação que passa a vigorar nesse momento.


Janus
astharoth de Janus

No entanto, o contrato mais importante está firmado no coração e na mente.

Janus

A escolha de um nome dentro e fora do BDSM não é um fato fortuito como muitos podem crer. No meu caso, particularmente, a escolha de Janus obedeceu uma certa lógica de dualidade e de recomeço, enfim, uma retomada de trajetória. Lendo um livro sobre Mitologia grega e romana, encontrei uma importante explicação sobre esse deus romano, essencialmente romano e compartilho com vocês.

"Jano é uma divindade romana cuja origem os mitólogos não estão de acordo. Uns dizem-no originário de Cítia; outros, do país dos perrebos, povo da Tessália; outros, enfim, fazem dele um filho de Apolo e Creusa, filha de Erecteu, rei de Atenas. Ao se tornar adulto e tendo armado uma frota, Jano abordou na Itália, onde fez conquistas e construiu uma cidade a que deu seu nome, Janículo. Todas essas origens são obscuras e confusas. Mas a lenda o faz reinar, desde as primeiras eras, no Lácio. Expulso do céu, Saturno refugiou-se nesse país e foi recebido por Jano, que inclusive o associou à realeza. Em reconhecimento, o deus destronado dotou-o de uma rara prudência que tornava o passado e o futuro sempre presente aos seus olhos, o que foi expresso representando-o com dois rostos voltados em sentidos contrários.
O reinado de Jano foi pacífico, e por esse motivo foi considerado o deus da paz. O rei Numa construiu para ele em Roma um templo que permanecia aberto em tempo de guerra e era fechado em tempos de paz. Esse templo foi fechado uma vez sob reinado de Numa; a segunda vez, depois da segunda guerra púnica, e três vezes, em diversos intervalos, sob o reinado de Augusto.
Ovídio diz que Jano tem uma dupla face porque exerce seu poder sobre o céu e sobre o mar, assim como sobre a terra; é tão antigo quanto o mundo; tudo se abre ou se fecha à sua vontade. Só ele governa a vasta extensão do universo. Preside as portas do céu e guarda-as junto com as Horas. Observa ao mesmo tempo o oriente e o ocidente.
É representado tendo numa mão uma chave e, na outra, uma vara, para assinalar que é o guardião das portas (januae) e que preside os caminhos. Suas estátuas muitas vezes marcam com a mão direita o número trezentos e, com a esquerda, o número sessenta e cinco, para exprimir a medida do ano. Era o primeiro a ser invocado quando se fazia um sacrifício a qualquer deus.
Havia em Roma vários templos de Jano, uns de Jano Bifronte, outros de Jano Quadrifonte. Além da porta de Janículo, haviam sido erguidos, fora dos muros de Roma,doze altares a Jano, relativos aos doze meses doa no.
No reverso das suas medalhas, via-se um navio ou simplesmente uma proa, em memória à chegada de Saturno na Itália a bordo de uma nau.
O mês de janeiro (januarius), a quem o rei Numa deu seu nome, lhe era consagrado".

Comelin, P. Mitologia grega e romana: tradução de Eduardo Brandão - 2a. edição - São Paulo: Martins Fontes, 1997


segunda-feira, 23 de novembro de 2009

A educação dos sentidos (Parte 15) - The education of the senses (Part 15)

(Dedicado à Andrasta Domme)

Pouco ali fazia lembrar que muitos dias antes, por obra da Senhora, iniciara-se ali um processo que alguns poderiam inclusive conotarem de cruel de educação de alguém que pretendia-se submisso mesmo com suas falhas anteriores e seus enganos posteriores ao início da empreitada.
Olhando em retrospecto, não seria possível dizer que aleph estava suficientemente "treinado" enquanto submisso e a obra estivesse acabada, principalmente pelo fato de que nunca, agora a Senhora sabia, estaria pronto para uma vida linear e sem reparos.
Erros e acertos sempre fariam parte da equação e seria suficiente a um aprender como conduzir-se e ao outro como fazer sua vontade, a única que valia em todo o processo, prevalecer. Isso não seria conseguido pela razão mas por uma conjunção dessa com o sentimento, com aquilo que percorria o mais profundo da alma de cada um.
Ter chegado até esse momento, elaborado o contrato e poder comemorar o aniversário de Domme enquanto já em uma relação verdadeiramente D/s, era uma conquista de uma importância e intensidade inquestionáveis, sob a qual abrigavam-se tanto a Senhora como aleph.
Nesse momento de despedida provisória do Templo e de Domme, o início de um novo momento, cabia festejar e muito tal conquista de todos e para isso a Senhora empenhou-se pessoalmente em prover as melhores coisas para todos: comidas, bebidas, locais para as cenas da play que estava prevista e cujo isolamento do Templo contribuia sobremaneira, enfim, nada absolutamente foi deixado para trás.
Sob o comando da Senhora, aleph preparara alguns dos pratos baseado em sua habilidade e bom gosto na cozinha, assim como estando sob sua responsabilidade coordenar todos os preparativos da casa para que tudo estivesse em conformidade com os padrões de sua Dona.
Cada vez era mais perceptível que a Senhora fazia bem em confiar ao submisso aquela tarefa dado o esmero com que tudo fora feito e , inclusive, com a preparação do principal aposento daquela sala destinados aos rituais íntimos da Senhora e que seria o local onde aconteceria o encoleiramento de aleph, um dos pontos mais altos da celebração.
Já era o cair do dia quando os preparativos acabaram e foram examinados com cuidado sendo que não cabia qualquer reparo ao que houvera sido feito.
- Parabéns, aleph! Tudo está perfeito, como me agrada. Agora terá um tempo para descanso e para recompor-se. As ervas para seu banho estão no lugar de costume e a vestimenta sobre sua cama. Descanse pois a noite será longa.
- Sim, Senhora. Com sua permissão.
- Pode ir, aleph.
Mais uma vez a Senhora observava aquele homem que se afastava e passava a sentir um prazer imenso em tê-lo treinado e comandá-lo. Sentou-se na bela varanda que dava para um agradável bosque de árvores e acendeu um cigarro para tentar relaxar o máximo que fosse possível.

- Posso compartilhar esse momento contigo? - disse Domme que aproximara-se quase sem ser notada.

- Claro minha cara! Por favor, sente-se aqui. - disse, indicando uma confortável cadeira ao lado.

- Nossa! Nem acredito que estão fazendo tudo isso por mim e é claro, por vocês mas é tudo tão maravilhoso!

- É por você, especialmente, Domme. Espero que tenha podido aprender ao menos um pouco do que significa ser Dominadora nesse mundo onde vivemos. Tudo torna-se confuso para os menos preparados: poder, excessos, faltas, silêncios e falares demasiados, todos em desiquilíbrio. BDSM é algo que nos absorve além do que podemos imaginar, ao menos àqueles que não se divertem com eles mas o levam a sério.

- Bem vi, Senhora. No entanto, não me parece que aleph seja um mal submisso ou relapso.

-De forma alguma, tanto que o encolerarei. Sabe, Domme, é bobagem acharmos que todos os subs estão prontos para as tarefas que se propõe. Via de regra, substimam o que venha a ser submissão até que estejam forjados e sejam firmes o suficiente para entender que ajoelhar-se è a coisa mais fácil de tudo mas que prenuncia coisas muito mais exigentes deles mesmos do que ousam imaginar.

- Sem dúvida, Senhora, bem entendo agora. Foi muito útil esses dias que passei com vocês. Sei que há muito mais do que foi dito e feito mas já considero-me ciente do tamanho de minha tarefa.

- Quem bom, cara amiga! Fico feliz que assim seja e creia-me, você tem todas as condições para ser uma excelente dominadora. Apenas abstenha-se de ansiar e tenha muita confiança em você mesma. Confie antes em si do que na opinião dos outros e nem veja aquilo que a faz fora do padrão mas veja o que a faz melhor do que todos. Você tem estima pelas pessoas, as respeita e as considera, mesmo aqueles que a servem, pude observar no seu comportamento com aleph, e isso o que importa, o seu valor pessoal, dado por você mesma, isso é o que importa.

- Mas aprendi muito contigo e se adotasse a postura que me oferece, talvez eu tenha perdido a oportunidade que me foi dada.

- Talvez você me superestime, Domme. O que desejo falar, no entanto, é que tudo deve ser filtrado por seu coração e por sua razão, antes de virar lei ou verdade para você .Ouça quem deve ser ouvido, ignore quem te faz mal e viva com confiança e alegria. Só assim há a possibilidade de sermos felizes.

Domme emocionou-se: por quantas vezes ouvira mais as vozes exteriores do que as interiores, sem se aperceber que na interioridade é que se constróem as verdades supremas, os grandes diferenciais. Ouvir a si antes de qualquer um , eis a chave da felicidade.

Abraçou a amiga com carinho e deu-lhe um sutil selinho nos lábios. Ambas voltaram aos seus cigarros, olhos à frente, ansiosas, cada uma a seu modo, pelas atividades da noite. Para Domme, com certeza , aquela celebração de seu aniversário haveria de abrir novas e importantes portas para o futuro.

(Final da 15a. parte)

domingo, 22 de novembro de 2009

Força / Strength

Amadeo Modigliani - Jeanne Hébuterne

É a mulher ser o que é que a faz forte, expressiva, essencial.
Nenhuma postura premeditada é necessária.
Basta apenas ser.


A woman by herself is powerful , expressive, essencial.
No deliberate pose is required.
To be powerful is just necessary to be.

Quando sair para as compras, não esqueça-se de seu cãozinho/When you go shopping be sure to take your dog with you!

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A educação dos sentidos - Parte 14 - The Education of the Senses - Part 14

(Dedicado à Domme Andrasta)
Descendo do pelourinho e acompanhado da Senhora, aleph foi cuidado de seus pequenos e grandes feriment
os originados do que sofrera à partir da "confissão" involuntária durante o torpor do sono que, na visão de sua Dona, evidenciava a realidade profunda da mente de aleph. - Você foi retirado do pelourinho por ter algo a dizer, não é verdade?
- Sim, Senhora.
- Então me dirá o que desejo ouvir, de forma clara e sem volteios. Vontade, aleph. qual é a sua vontade?
- Nenhuma, Senhora. Ela andou para trás de aleph, ordenando-lhe que não se voltasse para tentar vê-la. - De joelhos, aleph! Prontamente aleph coloca-se na posição exigida pela sua Dona e manteve-se pelo tempo que sua Senhora desejou, chicote nas mãos, levemente tocando os flancos de aleph, fazendo um leve spanking enquanto ele ficava de joelhos conforme ordenado. Durou alguns minutos em perfeita imobilidade, joelhos começando a doer em contato com o chão frio.
- Levante-se aleph! - disse, severamente. aleph levantou-se e colocou em posição de inspeção conforme as novas ordens que lhe foram dadas. Observou-os, novamente tocou novamente os flancos com o chicote, sem contudo aplicar força. - De quem é sua vontade, aleph? - Da Senhora, minha Dona. Ela olhava com atenção a cada expressão do submisso e já desenvolvera com aleph o conhecimento suficiente para diferenciar uma expressão autêntica de uma que pudesse ser usada para um comportamento que poderíamos dizer "padrão" , o que não lhe convinha de forma alguma, nem naquela semana, nem em dia algum. Conseguia perceber que aleph entendera perfeitamente a mensagem que desejava passar.
- Muito bem aleph, estamos prontos para o momento que esperei desde que começamos esse treinamento que acabou sendo uma lição para você e para mim. Sente-se e espere por um minuto.
- Sim , Senhora.
Sentou-se e esperou pacientemente o retorno de sua Dona com um rolo em suas mãos que foi aberto sobre a mesa e no topo estava escrito:
"Eu, aleph, desejando submeter-me integralmente à Senhora, formalmente concordo com as seguintes disposições tomadas de comum acordo:"
- Muito bem, aleph, está pronto para tomar esse passo?
- Sim, Senhora...
- Pois então escreverá de seu próprio punho todas as disposições e assinaremos no próximo dia 25, aniversário de Domme. Será a oportunidade onde ela homenageada e onde assinaremos o contrato que finalmente temos condições de assinar. Espero que esse período tenha mostrado à você no que consiste submissão apesar de ser tão pouco e a submissão ser tão grande. Não iluda-se aleph, que submeter-se seja apenas um jogo mas seja uma forma de mostrar-se um laço, uma união que se pretende indissolúvel e que será baseado no que você aprendeu, respeito mas autoridade forte e que será aplicado sem hesitação.
- Entendo perfeitamente, Senhora.
- Pois então, sigamos em nossa tarefa.
Escreveram durante muito tempo e em cada artigo daquele artigo, aleph fora instruído de quais eram os limites que estavam sendo assumidos, em qual direção caminhariam, qual seriam as consequências de tudo.
Os termos? Seriam revelados em momento oportuno, ous eja, no aniversário da Domme, uma situação festiva na qual cabia a celebração de um compromisso, o fim de uma trajetória de aprendizado e o começo de outra que não conhecia fronteiras.

(Fim da parte 14)



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terça-feira, 10 de novembro de 2009

Lady Eleanor - Lindisfarne

Uma música maravilhosa que me sugere tantas leituras... Espero que apreciem.
This marvelous music with lyrics that sugests me so many interpretations. Hope you enjoy





Bashee playing magician sitting lotus on the floor
Belly dancing beauty with a power driven saw
Had my share of nightmares, didn't think there could be much more
then in walked Rodrick Usher with the Lady Eleanor

She tied my eyes with ribbon of a silken ghostly thread
I gazed with trouble vision on an old fo ur poster bed
Where Eleanor had risen to kiss the neck below my head
and bid me come along with her to the land of the dancing dead

But it's all right, Lady Eleanor
All right, Lady Eleanor
I'm all right where I am

She gazed with loving beauty like a mother to a son
like living, dying, seeing, being all rolled into one
Then all at once I heard some music playing in my bones
the same old song I'd heard for years, reminding me of home

But it's all right, Lady Eleanor
All right, Lady Eleanor
I'm all right where I am

Then creeping on towards me, licking lips with tongues of fire
a host of golden demons screaming lust and base desire
and when it seemed for certain that the screams could get no higher
I heard a voice above the rest screaming 'You're liar'

But it's all right, Lady Eleanor
All right, Lady Eleanor
I'm all right here in your arms


quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Dica para os amantes do spanking / A tip for spanking lovers

Para aqueles que amam spanking existe um site que contém pequenos filmes da temática. Para mim, um spanker de origem, foi um prato cheio. Para acesso, clique aqui! Bom divertimento!!

There´s a site that contains small videos about spanking. For those like me that looooves a good spanking it may give some good ideas ! lol... To check just click here. Have a very good time!

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

A Educação dos Sentidos - Parte 13 - The World of Janus - Part 13

(Dedicado à Domme Andrasta)

Uma hora amarrado no pelourinho fizeram aleph sentir-se agustiado depois de ter sido açoitado por duas vezes como a Senhora havia dito que faria. Tanto ela quanto Domme revezaram-se em manter viva na cabeça do submisso a intensidade da busca que ainda estava por ser feita e que deveria produzir algum fruto de imediato.
Sentia que a dor do corpo, aquela que inconscientemente enunciara equanto dormia aos pés de sua Dona, tornava-se progressivamente inferior àquela gerada pela reprovação de sua conduta por uma lição que ainda tentava extrair de tudo o que acontecer naquela e nas outras noites e que lhe era constantemente cobrada pela Senhora.
Pouco antes, na primeira sessão de açoitamento, vinte e cinco vezes as tiras de couro cuidadosamente finalizadas em um pequeno nó e queimadas lhe vibraram pela carne, manejada com destreza pela Senhora que lhe poupara de maiores flagelos depois dos fios de aço que lhe lasceraram a carne anteriormente.
- Tem algo a me dizer, aleph?
Mesmo voltado de costas à Senhora e ainda trazendo nas costas o calor do açoite, podia ver, de forma claríssima, a expressão de sua Dona. A Senhora não perguntava sem doçura mas não sem uma agudeza que pressionava, deixava sem alternativa, impunha.
- Senhora... - murmurou
- Diga aleph...
- Temo falar o que não devo e não posso.
A Senhora sorriu contidamente mas sem deixar de ser percebida. Deslizou o açoite pelas costas de aleph e disse que esperava que em breve estivesse pronto para dizer aquilo que estava pronto para dizer e não o que esperava que Ela quisesse ouvir.
Cuidadosamente, a Top deu de beber à aleph sem mudar sua posição no pelourinho.
- Daqui meia hora, aleph... Daqui meia hora. - marcou o próximo momento, retirando-se.
A meia hora de silêncio e pouca luz serviram de uma tortura inimaginável. Onde residia , de verdade, a capacidade de sentir dor e fazê-la instrumento de gozo? Na tortura imposta pelo dominante ou na disponibilidade do dominado em fazer acontecer o verdadeiro prazer comum, orgiástico, incrivelmente libertador? Quem libertava-se e porque o fazia?
Como em um caldeirão lhe sucediam as questões que desdobravam-se em várias e dirigiam-se a um ponto comum, a vitória da vontade superior, de quem se colocava por direito no papel de exigir e na pouca atribuição que a vontade do submisso poderia ao menos ser pensada pelo dominante.
A Senhora o domina, sem dúvida e aí extrai seu prazer cujo efetivo gozo extrapola a imaginação dos pobres mortais que a vivenciam como a iniciante Domme. O poder não está apenas em mandar, o que qualquer um ligeiramente preparado conseguiria dar conta mas está no fato de subjugar o corpo e a mente de quem se coloca de joelhos.
De nada valerá palavras gritadas e posturas excessivamente ríspidas já que a doçura que reprime é maior do que o grito que comanda. Esse último estimula a rebeldia , mesmo a que se esconde e se deixa velada sob palavras e gestos vazios de uma vazia submissão.
Ao vassalo não resta nada senão prestar homenagens ao que é maior do que ele por ser efetivamente maior em tudo , necessidade que se impõe por não restar quaisquer outras possibilidades viáveis e tal é o tomar para si.
Essa elaboração custou-lhe mais meia hora e , ao fim dessa, entraram na câmara e pode sentir, observador que era que Domme tomara o lugar da Senhora na sessão de açoitamento, essa vezes 30 vezes e aleph conseguia perceber um incremento de habilidade na manipulação desse valoroso instrumento, o açoite.
- A Senhora pergunta se há algo a falar...
- Não digna Domme, ainda não - disse, expressão de dor presa entre os dentes.
Domme afastou-se e aleph voltou aos seus pensamentos e , finalmente, chega a conclusão de que sua vontade de pouco lhe valia em qualquer aspecto da "relação" com a Senhora.
A vida o fizera sub e deveria servir e para tal, confiante que a Senhora sabia de seus limites físicos, morais e psicológicos, deveria entregar absoluta posse de sua vida, cumprindo fielmente aquilo disposto pela sua Senhora.
Vontade? O que siginficava vontade se alguém maior em vontade e em poder não apenas exigia mas como tinha totais condições de dirigir aquilo que era depositado em suas mãos, ou seja, sua própria vida?
Seria isso tão contrário ao que sempre vivera que, por alguns momentos, temeu a amplitude de tudo o que isso pudesse significar para si, em sua vida, mesmo tendo a certeza já pronunciada por sua Dona da preservação de diversos setores de sua vida, entendidas como fundamentais e frequentadas por pessoas cujo entendimento da profundidade do sentimento e da entrega do BDSM não eram sequer entendidas quanto mais aceitas.
Viver o todo envolto em pessoas pela metade, ver a luz entre a escuridão coletiva dos prazeres que corriam a mente e eram meticulosamente reprimidos. Não havia alternativa senão viver desse modo, totalidade por dentro, parcialidade para o mundo.
Afinal, o que importava? Decidir-se pelo viver ou não viver seria tão estúpido como ter consciência de matar parte de si e não fazer coisa alguma para evitar. Portanto, nessa hora e meia que permanecera atado no pelourinho entendera, finalmente, que a vontade era algo que não lhe pertencia exceto pela razão que a voluntariedade era condição fundamental para que houvesse a entrega.
Esperou que a Senhora voltasse e lhe aplicasse a pena, na verdade a forma pela qual lhe fora estimulada não pela dor mas pelo exercício do poder.
- Tem alguma coisa a me dizer, aleph?
- Sim, Dona, tenho.
A Senhora impressionou-se com a resposta. Chamou a Domme e desataram aleph do pelourinho.
- Então chegou a hora do passo seguinte, aleph. Venha comigo.

(Fim da parte 13)

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Vênus com espelho - Ticiano



"- Vênus das Peles! - suspirei, referindo-me ao quadro - eu o sonhei de olhos bem abertos.
- Como assim?
- Ah! Deixa para lá...
- O teu quadro dá um ensejo escancarado ao meu sonho - prossegui -, mas diga-me de uma vez: o que está aí estampado teve algum papel em tua vida, e talvez um papel decisivo, como posso imaginar, e, bem, o resto eu espero que me contes...
- Observe a peça ainda uma vez - contrapôs meu distinto amigo, sem se importar com minha pergunta.
É uma cópia perfeita da conhecida Vênus com o espelho, de Ticiano, que está na Galeria de Dresden.
- E então, o que você quer dizer...
Severin levantou-se com o dedo apontou a peliça com que Ticiano vestira a sua deusa do amor.
- Também aqui "Vênus das Peles" - disse rindo de soslaio -, porém não creio que o veneziano tivesse tal intenção já naquela época. Simplesmente compôs o retrato de Messalina aristocrática, tendo a gentileza de fazer o Amor segurar o espelho no qual examina seus encantos majestosos com fria indiferença, e note como para o menino parece árdua a tarefa. O quadro é um elogio em pinceladas".

(Sacher-Masoch, Leopold von - A Vênus das Peles - Editora Hedra - pág. 29 - 30)

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Estação 45



Jurei mentiras
E sigo sozinhoAssumo os pecados
Uh! Uh! Uh! Uh!...
Os ventos do norte
Não movem moinhos
E o que me resta
É só um gemido...
Minha vida, meus mortos
Meus caminhos tortos
Meu Sangue Latino
Uh! Uh! Uh! Uh!
Minh'alma cativa...

Rompi tratados
Traí os ritos
Quebrei a lança
Lancei no espaço
Um grito, um desabafo...
E o que me importa
É não estar vencido
Minha vida, meus mortos
Meus caminhos tortos
Meu Sangue Latino
Minh'alma cativa...

domingo, 25 de outubro de 2009

A educação os sentidos - Parte 12 - The Education of the senses - Part 12

"- Estás contente - pergunta Eduardo - por ele querer escrever, trabalhar, por ele estar exaltado em vez de destruído?
- Estou.
- O verdadeiro teste virá quando começares a querer usar o teu poder sobre os homens destrutivamente e com crueldade.
Chegará esse dia?"
(Anaïs Nin, Henry & June, Editorial Presença, página 71)


O contato se fez da ponta dos pés, logo abaixo os dedos, até o calcanhar. Metal, chapas de refrigerante, bordas dentadas, marcas de intensidade variável dependentemente da pele em cada região. Suspiros e um pequeno gemido que deveria se fazer imperceptível para quem não deixa passar detalhe.
- Caminhe , querido aleph... - Caminhe para sua Senhora! Caminhe... Venha para mim, aleph...
Cada passo representava uma dor que apenas era amplificada pela aceleração do passo exigido pela Dominadora. Nesse contexto, tornava-se inacreditável saber que a Senhora não pretendia utilizar aquele instrumento que considerava excessivo, principalmente no caso de aleph. Vira esse apetrecho em um documentário sobre BDSM e decidira construir um apenas para ver como ficaria e logo aprendeu que nada é ao acaso e , uma vez disponível, fatalmente seria utilizado.
- aleph, aleph... Acha que sua dor permanece desapercebida de sua Senhora? Que pretensão... Gema, aleph, gema...
- Não , Senhora, desculpe-me! Eu suporto essa dor que Me impõe e eu a mereço, cada porção dela, ilimitadamente.
- Porque merece, aleph?
- Porque essa é Sua vontade e sempre será a Sua vontade que prevalecerá.
- Minha vontade, aleph? O que sabe você sobre minha vontade? Eu o contemplo com seus desejos e você me diz que isso é da minha vontade? Aprenda, Domme, todos os submissos tentarão iludi-La que estão cumprindo a Sua vontade mas na verdade impõe as suas. Pretensão, a maior de todas!
O último passo o colocou de frente à Senhora.Foi mandado descer das sandálias e mostrar as solas dos pés. As marcas nas solas dos pés são visíveis e sangrantes e para "aliviar" foi mandado colocar os pés em uma solução de água com sal bastante carregado e pela primeira vez expressou profunda dor.
- Era isso que queria sentir, aleph? - falou com mais ênfase a Senhora.
aleph por sua vez, calava. Se de fato houvera dito o que a Senhora alegava que ele dissera, sim, era exatamente aquilo que queria mas se não, qual seria a próxima armadilha na qual ele inevitavelmente cairia?
- Responda aleph, eu lhe fiz uma pergunta!
- Sim... Senhora... - era exatamente isso o que eu disse.
Ela simplesmente caminhou para o fundo da sala , fora do alcance do olhar do submisso. Ordenou-lhe ficar de joelhos, cabeça baixa, à mercê dela. Tomou o açoite e marcou-lhe as costas, mandou que ficasse em pé e seguiu açoitando-o até que uma vermelhidão que aquecia a pele ao contato se fizesse presente.
Domme acompanhava tudo com os olhos sem entender tão bem o quanto seria possível tudo o que estava acontecendo. Não sabia pensar se aquilo era enfim a punição que aleph merecia, se é que o merecia, ou apenas mais uma sessão que começara a pouco.
- Gostaria de amarrá-lo, querida Domme? No pelourinho, com as costas voltadas para mim.
- Como quiser, Senhora. Grata pela oportunidade.
Havia um pelourinho na Sala de Suplícios, copiado de uma gravura do tempo da escravidão, uma peça construída sobre medida e com destreza Domme prendeu aleph e o colocou a disposição da Senhora.
Um chicote de três línguas, um metro e meio de extensão, com golpes planejados nas áreas aquecidas. O deslizar das línguas deveriam ser sentidas não apenas com uma extensão aleatória mas com a destreza inigualável da Senhora.
- Esse é o segredo, Domme querida... Deixe com que as linguetas deslizem sobre as costas como se cada uma tivesse uma vida única, jogue os pulsos, amplifique a força aos poucos mas não seguidamente.
- Como assim, Senhora?
- A dor espalha-se como uma onda gerada pela pedra no lago, caríssima. Se você bater seguidamente, a dor não se irradia e sua peça não sente como deve, não tem ciência de toda extensão de seu poder. Esse cãozinho, não satisfeito, ainda quer mais dor, cara Domme e eu juro que ele terá!
Notava-se que por traz daquele discurso havia algo oculto , ao menos para a Domme mas claro no sentido de que não cabia a aleph desejar. E o que é dor? Uma sensação física que desaparece em poucos dias e carece de ser renovada constantemente? Ou a dor de um olhar e de palavras que reverberam eternamente pela mente do infrator como aleph teve a oportunidade de experimentar na prisão de sua própria mente? Ou ambos?
A Senhora agora toma um açoite cujo uso era restritíssimo, feito de fios de aço finos e em quantidade. Apenas áreas muito específicas deveriam ser batidas com esse acessório tão digno dos grandes espancadores como era a Senhora.
- Poderia vendá-lo, Domme?
Domme vendou-o e a Senhora começou o ritual de passar os fios de aço sobre as costas, peito, pescoço de aleph, obviamente não para açoitá-lo ali o que poderia causar dano irreversível mas para fazê-lo sentir a textura e a temperatura do material.
Acostumado com os couros, aleph sentiu-se arrepiar quando a temperatura e a textura não correspondiam ao que conhecia. Sutilmente moveu-se como a testar a forma que estava preso mas não havia como escapar.
A primeira e única batida do açoite provocou um grito que ainda não era conhecido de Domme, assim como um sangramento onde os fios atingiram a pele bela e acetinada de aleph. O submisso começou a chorar de dor e foi imediatamente acomodado pela sua Senhora que o acariciou, confortando-o.
- Ainda deseja dor, aleph? Ou deixará que sua Senhora escreva no seu corpo as marcas que julga necessárias e adequadas para você?
aleph soluçava ante a dor sofrida e entendia, ainda sobre o efeito da dor lascinante, que a si não cabia qualquer direito em querer nada mas depositar, fielmente, sua vida nas mãos da Senhora, essa mesma que tratava de suas feridas, aplicava unguento para aliviá-las e considerava sua peça parte de si mesma, integralidade no domínio e na necessária subordinação.
- aleph...
- Sim, minha Senhora.
- Entenda que primeiramente puniu a si mesmo de forma desnecessária já que não foi deixado só por conta do que aconteceu mas para aprender a entender o vazio. Em seguida, desejou a dor e agora a tem em sua dimensão mais completa e ficará atado ao pelourinho até que eu decida tirá-lo, novamente em solidão para que pense bem em seu pouco ou nenhum direito em desejar. Será cuidado desse ferimento mas será açoitado a cada meia hora durante o tempo que estiver aqui, seja por mim, seja por Domme. Entendido?
- Sim, minha Senhora.
- E pense, reflita porque dessa reflexão poderá decorrer muitas coisas, algumas que se não são desejadas, serão inevitáveis frente aos fatos.
aleph não respondeu e a Senhora sabia que ele havia entendido. Tanto ela como a Domme saem dos aposentos e deixam o submisso sozinho, atado entregue aos seus próprios pensamentos. O que decorreria daqueles momentos? Para sabermos, devemos deixá-los passar.

(Fim da parte 12)
(Dedicado à Domme Andrasta)

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sábado, 24 de outubro de 2009

Barbie e Ken

História real para ser analisada o mais desapaixonadamente possível. Há dominação e submissão? Qual é o limite entre a psicopatia e o exercício saudável de uma relação D/s? Um bom ponto de partida para uma ótima discussão.
Para assistir, clique aqui. Caso demore para carregar, tenha paciência. O vídeo dura 11 minutos.

Submissão?


"Encontro Henry na estação cinzenta, com uma instantânea efervescência do sangue, e reconheço as mesmas sensações nele. Diz-me que mal conseguia andar a caminho da estação porque estava coxo com o seu desejo por mim. Recuso-me a ir para seu apartamento porque Fred está lá e sugiro o Hotel Anjou, onde Eduardo me tinha levado. Vejo a suspeita nos seus olhos, e agrada-me, vamos para o hotel. Ele quer que eu fale com a porteira. Peço-lhe o quarto número três. Ela diz que são trinta francos. Eu digo:
- Vai fazer-nos por vinte e cinco. - E retiro a chave do chaveiro. Começo a subir as escadas. Henry detém-me a meio para me beijar. Estamos no quarto. Ele diz com aquele seu riso quente:
- Anaïs, tu és um demónio. - Não digo nada. Ele está tão ávido que não tenho tempo de me despir.
E aqui eu cambaleio, por inexperiência, tonta pela intensidade e selvajaria daquelas horas. Apenas recordo a verocidade de Henry; a sua energia, a sua descoberta das minhas nádegas, que ele acha belas - e ah, o fluir do mel, o paroxismo do prazer, horas e horas de coito. Igualdade! As profundidades por que anseei, a escuridão, o fim, a absolvição. O âmago do meu ser é tocado por um corpo que domina o meu, imunda o meu, que contorce a sua língua em chamas dentro de mim com tamanho poder. Ele exclama:
- Diz-me, diz-me o que sentes.
E eu não consigo. Há sangue nos meus olhos, na minha cabeça.
As palavras são abafadas. Quero gritar selvaticamente, sem palavras - gritos inarticulados, sem sentido, vindos do fundo mais primitivo do meu ser, jorrando do meu ventre como o mel.
Prazer até às lágrimas, que me deixa sem palavras, conquistada, silenciada.
Céus, conheci um tal dia, tais horas de submissão feminina, uma tal entrega de mim mesma que não pode haver mais nada para dar.
Mas eu minto. Embelezo. As minhas palavras não são suficientemente profundas, nem selvagens. Disfarçam, omitem. Não terei descanso enquanto não tiver contado a minha descida à sensualidade que foi tão escura, tão magnificente, tão louca, como os meus momentos de criação mística foram atordoantes, extáticos, exaltados".
Anaïs Nin
Henry & June
Editorial Presença, 2002, p.76
Para astharoth de Janus

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Switcher (Janus SW)

Não tenho medo de confessar coisas sobre os "grandes temas" da sexualidade e me pasmar quando há tanto estranhamento acerca de coisas óbvias como gostar-se de vastidões, de possibilidades, de oportunidades de viver e (literalmente) gozar a vida.
Pensar que alguns processos são tranquilos simplesmente porque se encara de uma forma despreocupada a vida é ignorar que , por mais que não nos preocupemos com outros, vivemos e convivemos onde as pessoas fazem julgamentos de valor à partir da opção sexual, da cor da pele, do gênero etc., emprestando para essas subdivisões considerações positivas ou negativas dependendo do que concebam fatos e atitudes individuais.
Talvez eu seja mais tranquilo quanto a opção sexual do que quanto a minha condição de switcher apesar de ser respeitado pela maioria daquelas pessoas com as quais tenho o prazer de conviver.
Fico aqui pensando que se já vivemos em um mundo de tanta repressão, tanta segregação, tanta discriminação, porque seremos nós, praticantes do BDSM, os opressores de outros que compartilham conosco a mesma preferência pelo Bondadge, Dominação/submissão, sadomasoquismo e seus derivados? Para mim, um BDSMista que discrimina é alguém que não entende muito bem onde está , com todo o respeito.
Acredito, mais uma vez, que há uma grande confusão nesse mundo: não é necessário sequer aceitar alguém ou algo que seja derivado de uma opção que não ameace a liberdade de viver e amar como queiramos mas sim, devemos aceitar como legítimas as manifestações e as opções das pessoas, dentro dos parâmetros de respeito pela vida e pelo direito de existir de cada um de nós.
Fico me perguntando se o switcher assusta porque sabe fazer uma leitura mais integral do mundo do BDSM ou , ainda, dê um certo grau de indefinição que confunda as mentes mais cartesianas de muitos de nós. Não encontrei a resposta mas senti já olhares e falas que me indicam não ser incorretas nenhuma das duas hipóteses.
O que me inquieta é uma tentativa de se enquadrar as pessoas e os casais (trincas, quadras, o que for) em termos como "verdadeiros", "falsos", "adequados", "inadequados" e por aí vai. Isso é admissível entre as pessoas que não têm o direito sequer de sair com seu(sua) bottom de coleira na rua? Parece-me que não.
Desculpem o desabafo mas a cada dia que passa me parece mais necessário firmar posição em direção a um mundo mais libertário e , porque não sonhar, libertino, Dentro de nossa "parafilia" descobrir um universo que poucos mortais se dão o direito de viver e ser uma vanguarda ao invés de agentes do regresso o que muitos que convivem entre nós insistem em ser.
Saudações!

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Temas recorrentes: Liturgia no BDSM (Janus SW)

Q/queridos(as) amigos leitores.
Parece que estou a inaugurar uma nova seção em nosso blogue, a dos temas recorrentes. No entanto, acredito ser importante colocar alguns pontos de vista, sabendo que todos são muito particulares e filtrados pela minha visão de mundo, como sempre.
O tema de hoje é um daqueles palpitantes e cuja escritura ensaieei outro dia mas deixei de lado quando comecei a pensar que estava sendo extremamente repetitivo, situação que percebo, agora, não ser rigorosamente verdadeira.
A primeira questão, na minha concepção, é a própria definição do que seja liturgia. Podemos pensar na liturgia como uma sequência de atos ritualizados que perfazem uma determinada função dentro de um contexto específico.
Sem absolutamente desautorizar tal interpretação,necessário se faz ir um pouco além, considerando a liturgia não apenas uma sequência de ritos mas como um elemento de delimitação de momentos, posturas, papéis, posições hierárquicas e por aí vai, cumprindo uma sequência lógica de eventos.
Para quem tenha alguma prática religiosa fica fácil fazer a correlação onde cada momento do ritual necessita e impõe, sob pena de não o celebrarmos condignamente, uma série de gestos, palavras, atitudes que variam ao longo do rito.
Os advogados também devem estar acostumados não apenas com o rito processual mas também com uma série de condutas e formas de tratamento não apenas desejáveis mas imperiosas frente a algumas figuras como juízes, desembargadores etc.
No BDSM, essa função de delimitação de papéis e instâncias de poder é um dos motivos preponderantes para que se justifique e estruture-se seu conteúdo litúrgico. Não basta a consciência dos praticantes que há uma hierarquia consistente do Dominante e de seu(sua) submisso(a) mas há a necessidade de evidenciar essa relação dentro e fora do "dundegeon".
As formas mais evidentes de simbologia BDSM são as coleiras e as formas de tratamento (Sr. , Sra) e uma certa "etiqueta", ou seja, formas polidas de relacionamento interpessoal e também de como o bottom agirá na presença de seu Senhor ou Senhora.
Note-se que esse fato vai distinguir a liturgia religiosa ou monárquica, duas matrizes fortes das nossas concepções de liturgia, para, à partir desse caráter norteador, permitir aos agrupamentos de Tops e bottoms emprestar à liturgia um caráter específico e significativo, fazendo, portanto, sentido aos praticantes.
Isso causa espanto à muita gente e os leva, erroneamente, a conotar de não litúrgicos aqueles que tomam algumas liberdades em um conceito mais ou menos geral do que venha a ser a nossa querida liturgia.
No entano, tomemos um exemplo até tolo para nossa reflexão: é uma convenção mais ou menos generalizada que os bottoms em sua postura submissa , não olhem para seus Tops "olho no olho", demonstrando assim sua absoluta subalterneidade frente ao Dominador(a) presente. No entanto, o que impede a um Top prescindir desse conteúdo litúrgico? Nada já que é de livre decisão sua o que a peça deve fazer (ou não).
Ao meu ver, resumidamente, a liturgia presta-se às seguintes finalidades:
  • Delimitar de forma clara e visível, dentro e fora do ambiente de sessão, uma hierarquia firme e bem estabelecida onde cada um sabe seus papéis e os cumpre com denodo.
  • Na relação interpessoal, dá caráter e disciplina às formas de relacionamento entre Dominantes e submissos, entre os Dominantes e entre os submissos, estabelecendo e clarificando em que bases esse relacionamento acontece.
  • Pode emprestar um caráter cerimonioso bem definido e com gestualização e outras atitudes que têm contato íntimo com a concepção particular que os praticantes estejam adesos.
  • Ao mesmo tempo que delimita, a liturgia reforça os papéis, contribuindo para a consolidação da relação.

Quanto às objeções que se possam fazer com as particularizações da liturgia, fundamental ressaltar o que já dissemos que a finalide precípua da liturgia é dar um fio condutor onde cada concepção poderá criar seus rituais, suas práticas e o que considerar indispensável para extrair o máximo de prazer desse nosso maravilhoso universo.

Saudações BDSMistas!

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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Igualdade de tratamento entre irmãos(irmãs) de coleira e ciúme no BDSM (Janus SW)

Aprendi em minha vida que o fato de um tema ser recorrente em qualquer aspecto nos deveria a levar a pensar não apenas sobre a questão da recorrência mas do próprio "fenômeno" que se observa.
Nos últimos dias, vi um tema para discussão em uma comunidade do Orkut e outra em um outro local que versavam, cada um a seu modo, sobre a questão da irmandade de coleira e suas consequências.
A primeira, dava conta da "desigualdade" de tratamento das submissas em um harém e o outro discorria acerca do "ciúme" em uma relação D/s. Fico aqui pensando, sinceramente, qual são as concepções que permeiam tais impressões e tais dúvidas? Como ambas concepções encaixam-se dentro do contexto da irmandade de coleira? Comecemos pela primeira questão.
Feliz ou infelizmente, muitos resistem em aceitar o óbvio: o nosso meio é tudo menos democrático, ao contrário, é hierarquizado, com instâncias bem definidas e que deveriam ser observadas rigorosamente a bem do relacionamento nas bases que se concebem dentro do BDSM, ou seja, quem manda, manda e quem obedece, obedece e porque quer/deve/tem necessidade de fazê-lo, escolhe-se a razão.
Colocado assim, parece que há um vácuo no relacionamento Top/bottom e, ao meu ver, existe mesmo, cabendo a cada Dominante preenchê-lo da forma mais conveniente que encontrar dentro de um contexto onde a alimentação da submissão é a idolatria do que domina por parte de quem é dominado.
Pode parecer esdrúxulo falar nisso mas se o "encanto" se quebra, não há hipótese em manter-se a relação onde deve haver, mesmo que não enunciada, uma boa razão para se submeter, uma razão íntima e pessoal constantemente "testada" no decorrer da servidão.
Apesar de teoricamente ser uma iniciativa unilateral do Top trazer mais um Bottom para a relação, é evidente ser de bom alvitre que se ouça as percepções do bottom sem querer dizer, absolutamente, que a decisão final seja condicionada pela "aceitação" ou não da situação, afinal, como já tive a oportunidade de escrever em outros momentos, a devolução da coleira não é apenas uma possibilidade mas uma realidade da qual não se deve abrir mão em qualquer circunstância.
É evidente que esse é um equilíbrio delicado ao qual deve-se dar muita atenção. Na fase que dominava mais "amiúde" fui classificado como "Dominador romântico" por ter algumas objeções à irmandade de coleira, principalmente pela percepção de que existem apenas duas condições possíveis: onde há uma convergência da percepção da viabilidade da irmandade entre os envolvidos ou então de um processo desgastante de uma sutil "sabotagem" que deve ser controlada pelo Top com mão de ferro, se necessário.
Estatisticamente, mesmo sem uma amostra tão significativa assim, o que vejo é que na maioria dos casos o que ocorre é a segunda hipótese, normalmente gerando uma série de disputas que acabam por tornar a experiência amarga para o bottom preterido.
Será que o Top consegue dedicar a "mesma" quantidade de atenção à um bottom e a outro? Talvez sim, talvez não, sendo muito maior a hipótese de "não" ser a resposta na maioria dos casos sendo que nesse processo são utilizadas as "armas" mais variadas possíveis, atingindo o quase inimaginável.
O que desejo fazer claro é que a habilidade do Top quando surgem esses conflitos deve ser extrema e sua vontade deverá prevalecer, independentemente de quais questões estejam colocadas. Aos bottoms, cabe a percepção de que nem mesmo pais e mães, ao menos os que tem coragem de assumir, não têm condições de dispensar o mesmo percentual de atenção a mais de um filho(a), além, de por uma questão de empatia (e fato que deveria ser assumido com tranquilidade) sentem-se mais próximos de um ou outro filho sem com isso queira-se dizer que não dedique amor, atenção e cuidado a todos.
Esse raciocínio, ao meu ver, pode ser aplicado perfeitamente quando se instala o "canil": por necessidade, por vontade ou qualquer outra razão, o Top dedicará sua atenção prioritária ou desigual para quem desejar e isso não pode sequer ser questionado já que é um ato de vontade livre de quem pode ter essa capacidade de deliberar.
Em resumo: caberá ao bottom decidir se é suportável a convivência nas condições desejadas pelo Dominante e ao Dono/Dona a vontade de seguir dispondo dos serviços de seu bottom nas condições enunciadas e sem quaisquer posturas inadequadas.
Quanto ao ciúme, permito-me uma abordagem extremamente pessoal: ciúme é para relações baunilhas onde a questão da posse não está claramente enunciada, onde há uma aura até falsa de igualdade entre os parceiros, gêneros ou qualquer outra classificação.
No nosso meio a questão da posse está claramente definida e deve ser respeitada pelos demais que convivem com o Top e seu(sua) bottom. A questão pode ser colocada simples e claramente: qualquer assédio ao bottom de quem quer seja é um desrespeito e deve ser repelido enquanto tal.
Uma distinção clara deve ser feita entre assédio e admiração. Eu mesmo devo confessar que admiro diversas submissas e escravas mas que essa admiração é sempre ditada nas bases do respeito primeiramente pela submissa e depois por seu Top. Nessas bases, a admiração é um elemento de orgulho para qualquer Dominante já que demonstra a qualidade do domínio, a força da personalidade daquele(a) que nos serve.
Esse texto prenuncia algumas linhas de discussão ao qual, como sempre, esse blog está aberto.
Saudações BDSMistas!

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