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domingo, 26 de fevereiro de 2012

Posturas e ritualística



Não sou goreano por divergências quanto algumas elaborações mas não deixo de admirar a ritualística envolvida em cada "serve" . Navegando pela internet achei essa foto e publico aqui como uma demonstração do quanto um ritual goreano pode ser belo.
Se algum Master ou kajira que frequentar nosso espaço puder identificar a posição, agradeço.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Porque saí do Fetlife (Janus SW)

Nem sei se alguém está interessando em saber mas eu estou interessado em registrar: nessa quarta-feira pedi para ter meu perfil eliminado do Fetlife, uma comunidade direcionada ao mundo "Kinky" como eles gostam de dizer.
Como usual, gostaria de deixar algumas coisas bem claras para que não pairem dúvidas: fiz e tenho amigos maravilhosos que estão lá e a lista não seria pequena e à eles toda a gratidão e reconhecimento do mundo e quem está nessa categoria sabe muito bem porque está e porque permanecerá nela.
No entanto, como em qualquer comunidade, existem pessoas que me assustam, sinceramente. Se meus 47 anos não servem de respaldo para minhas atitudes já que idade nem sempre significa maturidade, ao menos eles me ofereceram uma coleção de eventos que me permitem analisar criticamente qualquer fase de minha vida e essa experiência me indica que viver no limite já chegou a ser meu modo de vida e, sinceramente, quando faço o "rescaldo" contemplo que muitas das pessoas que viviam da forma que eu vivia ficaram pelo caminho engolidas pela maquinaria que está no entorno do "viver no limite".
Não que eu seja suficientemente careta para dizer que ninguém deva viver como queira, exatamente ao contrário, viver como cada um quer viver chega a ser uma obsessão. Quantas vezes Domme Mãe pediu para sair atrás de minha irmã caçula e ver onde "ia com o namorado"? Claro, não ia me dar ao trabalho de ser um "X9"! Eu sempre confiei na responsabilidade e discernimento das pessoas até que elas me provem em contrário e isso não significaria que eu devesse controlar mas que era hora de cada um trilhar seu caminho. Por motivo semelhante, saio do Fetlife.
Não aceito, não aceitarei jamais que me digam o que devo e não devo fazer. Se tivesse interessando em ter um Dono ou uma Dona , teria procurado e respeitado esse Top da forma que deve ser. Fora disso, desculpem, qualquer um pode expor suas idéias mas jamais terá minha adesão automática ou ainda minha obediência. Não pertenço à manadas, grupos, exércitos, ou qualquer agrupamento que , no fundo, faz com que as coisas virem egolatria, idolatria e por aí vai. Não me ocorre que eu tenha ou queira fazer isso. Minha admiração pelas pessoas provém do fato que as mesmas são e não por que têm, porque se impõe aos gritos e cheios de impáfia e má educação. Por isso nunca fui sub, até porque com uma exceção (até porque a pessoa não desejava ser minha Dona) ninguém conseguiu impor-se pelo que é.
Outro motivo, talvez mais relevante: será que as pessoas sabem, de fato, que estão lidando com algo que coloca as pessoas no limite de suas próprias vidas? Será que nosso meio já está contaminado pela falta de responsabilidade pela vida  alheia, pelas sensíveis e delicadas estruturas corporais e mentais com as quais lidamos com tanto desapreço? Desculpem a generalização, que cada um use a carapuça se de fato serve.
Achar que um Top deve ter responsabilidade compartilhada com o bottom, só para citar um exemplo, é constrangedor. A estrutura não é vertical? Estamos em uma estrutura hierárquica e não democrática? Co-responsabilidade implica em igualdade de valor social (status) e garantia de que a voz será ouvida. Será que temos isso no BDSM? Que cada um responda como acha que deve, eu só sei que EU sou responsável pelo que ocorrer com Astharoth em uma sessão, já que ela poderá estar amarrada, com "gagball" , vendada e não será ela que deverá ser responsabilizada por algo que quem tem total domínio da situação deveria cuidar. Se há uma tendência generalizada em firmar em público essa premissa, estou fora.
Outra coisa que , sinceramente, acho que está colocando muita "pilha" na coisa e que sinceramente é de irritar, é a capacidade das pessoas em não relaxarem e viverem algo agradável e prazeroso dentro do BDSM. Parece que chegamos a um estágio tão grande de competição de visões de mundo que chegamos ao absurdo de contrapor "partes" do nosso universo e dizer que essa é verdadeira, aquela é falsa, aquele é BDSM e aquele outro é "baunilha apimentado". Ah... Não fode, vai! Olha um pouco para fora e verão que europeus, americanos e outros povos curtem mais do que nós, sempre se vê festas onde o pessoal se diverte junto, tem prazer, tem práticas mas sempre aparecem relaxados e felizes. Isso é um erro? Será que o meio sempre tem de ser carrancudo e meio bestializado?
Apenas sei que chegou o momento de parar com alguns níveis da minha inserção e voltar-me à vida real o que dá mais certo. Só sei que ao contemplar tudo o que se passou nesses quase oito anos que estou envolvido com o BDSM vejo que mudei e muito! Ao ler o que eu escrevi no começo, eu rio, sinceramente... Como alguém que pode ser tão ingênuo???? Um professor de Logística me disse um dia : "nenhuma empresa é melhor do que as pessoas que as compõe" e ele estava certo apesar dessa generalização comportar imensas exceções (graças ao Eterno!) e foi por isso que permanecei por um tempo considerável no "Fet". 
O que mais me importa, todavia, é saber que BDSM é algo sexual, sim! e como tal sempre encontra sua plenitude na alcova, na vida do casal, trio, quarteto ou qualquer outro arranjo que se queira. Talvez por isso que Janus pareça tão pouco e mantenha sempre essa aura de falso mistério. Não há mistério em mim, há apenas uma pessoa que ao longo da vida aprendeu que discrição (e olha que não conservo tanto assim) é uma parte da "alma do negócio"
Tem gente que acha que pode mudar as pessoas, verdadeiros missionários da transformação e à esses eu desejo boa sorte  e aviso que as pessoas não mudam se não quiserem. Da minha parte, desisti e tanto eu como Astharoth nos retiramos do Fetlife mas nossa porta está sempre aberta aos amigos, podendo nos acessar por aqui, pelo e-mail sw.janus@gmail.com ou qualquer outro meio, sinal de fumaça, tambor etc. Tenham certeza que amamos cada um de nossos amigos.
No entanto, quando chega a hora, é bom saber que a porta é a serventia da casa e poupa muito aborrecimento.
Saudações sempre BDSMistas

Janus e Astharoth de Janus


segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Como toda cadela...(Astharoth de Janus)

Ele ordenou que eu me deitasse de bruços, rosto encarando somente a cabeceira daquele conhecido quarto de hotel. Uma velha e conhecida tensão, aquela que precede o desconhecido. Antecipar o que Ele deseja é uma das minhas maiores satisfações. Quando sou ordenada a algo e não sei antecipar o que Ele deseja, meu corpo é tomado por terríveis sensações de ansiedade. Logo, em seguida, ele acaricia minha nádegas e eu começo a antecipar Seus desejos. E conhecer Sua vontade me coloca mais cômoda e a preparar meu espírito para o que vem adiante.

Ele ordena que eu conte. Ajeita o cinto de couro que está em Sua mão e o dobra. Em movimentos rápidos e ainda suaves, prepara minhas nádegas para o que de fato Ele deseja e, em um lance tão rápido que mal consigo antecipar, recebo o primeiro golpe. Uma dor quente e irradiante passa por minhas nádegas. Minhas pernas ficam bambas e o suor brota em meu rosto e mãos. Em voz quase inaudível, digo “Um”. “Não ouço sua voz, cadela. Diga mais alto!”, Ele diz, em tom áspero. Eu repito “Um”. “Não te ensinei como se diz? Diga direito!”. “Um, Senhor”. “Muito bem, menina. Agradeça, também”. “Um, Senhor. Obrigada, Senhor”. “Isso, cadela. Siga contando”.

Assim, Ele desfere os golpes de cinto em minhas nádegas, que sentem o ardor na pele e esperam somente que aquele momento acabe logo. Conto até 10, como Ele ordenou. Minha pele negra, que desconhecia até então as sensações e aspectos da dor, permanece inalterada à vista. Mas eu sinto o calor na região recém flagelada. Ele ordena que eu me vire. Com alguma dificuldade, me viro e me coloco deitada, com o rosto olhando ao infinito do teto amarelo daquele quarto. Ele abre minha pernas com a ponta do cinto e ordena que eu as abra bem. Ainda sem me tocar com Suas mãos, acaricia meu sexo. O encara, aprecia e, sem que eu esperasse, bate levemente com a ponta do cinto. Mais pelo susto que pela dor, me agito. Ele não gosta e ordena que eu fique imóvel. Em seguida, desfere vários golpes rápidos e contínuos, que esquentam meu sexo e o deixam sensibilizado. Ele me pergunta quantos golpes havia desferido em minha pele. Eu, atordoada pelas sensações, não sei dizer. Me envergonho de minha displicência.


Visivelmente irritado por minha falta de atenção, Ele nada diz. Somente desfere mais golpes, dessa vez passando pela parte interna de minhas coxas e sexo. Somente sinto o calor e tento contar os rápidos golpes pelo meu corpo. Ele me pergunta o que senti. Digo que senti calor. Ele, tocando meu sexo, percebe que não me excitei. Pergunta se, por acaso, preciso de mais alguns para me excitar. Respondo que não, que não me agradam os golpes. Ele sorri e desfere mais alguns golpes, satisfeito. Me pergunta mais uma vez quantos golpes eu havia recebido. Eu não sei responder, mais uma vez. Sinto vontade de chorar, mas me mantenho firme e digo um número qualquer. Ele percebe minha manobra e põe-Se muito irritado “Cadela, não sabe contar? Como pode não saber?”. Lágrimas começam a brotar de meus olhos. “Vá para o chão, ao lado do Dono. Só saia daí quando Eu mandar, entendeu?”. “Sim Senhor”, respondi, em tom baixo. Ele ordena que eu fale mais alto. Eu digo. E me coloco ao piso, triste por meu fracasso em agradá-Lo. Então sinto Sua mão acariciar meus cabelos e dizer, baixinho “Muito bem, menina. Fique aí, ao alcance do Dono”. E percebo que Ele adormece, ao meu lado. E, assim, me ponho mais tranquila. Vigilo Seu sono. Como toda cadela deve fazer.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

#prontofalei: BBB 12, BDSM e aceitação social: O que eu tenho a ver com isso????

Passa tempo, volta tempo, mais do mesmo e com agora uma agravante, o dito BBB12 com uma Dominatrix. Ai, minhas bolas! (perdão pela má palavra) mas eu fico pensando que voltamos a discutir da "aceitação do BDSM na sociedade blá blá blá...". 
Reafirmo o meu ponto de vista: se você está esperando o BDSM ser aceito para falar à alguém que é BDSMista, sinto muito meu amigo, minha amiga mas seus lábios estarão colados com Super Bonder até o fim de seus dias!!!! JAMAIS, digo e repito, JAMAIS o BDSM será aceito como algo "normal", "tolerável" ou quejandos.
O fetichismo sim, é matéria diária em seus mais diversos "formatos" mas BDSM (Bondage, Dominação, Submissão e Sadomasoquismo) "no way". Não vai ter BBB, Fetlife, Club X, Y ou Z que dará jeito, é aceitarmos, de uma vez por todas, que somos marginais (estamos à margem), alternativos, loucos e tudo bem.
É bom lembrarmos , de vez em quando, nosso "grau de heresia" : há um postulado básico que diz que o ser humano tentará colocar sua sobrevivência física e mental em primeiro plano, em qualquer situação, todos os momentos de sua vida. Nem precisa argumentar o que eu sei que muita gente está na ponta da língua para dizer mas negar que andamos no fio da navalha é ingenuidade ou estupidez mesmo! Nós lidamos com um risco imenso e mesmo com todas as "atenuantes" temos de reconhecer que ele é grande e constante e tentamos (ou dizemos tentar) minimizá-lo ao máximo mas imaginem a visão de alguém de fora que tem esses postulados de auto-preservação bastante rígidos e diga-me: vocês o censurariam de pensar que somos o mapa do rascunho do inferno? Eu não!
Se ele pensasse diferente, poderia vir para o nosso "clube" que eu iria dar as boas vindas pessoalmente. Por mais que seja hipócrita, mentiroso, farisaico, esse mundo tem suas regras e dizem que devem ser obedecidas, no caso do nosso país, especialmente para desmoralizar nosso adversários! Meu caro, minha cara, dificil não reconhecer que aceitação social é utopia maior do que pôneis e unicórnios!
Em uma corrente do mundo da sexualidade (apesar da Dominatrix dizer que BDSM é uma coisa e sexo é outra, o que não concordo) como o dito "movimento gay" por mais emancipado, por mais presente na vida diária que seja, um dia desses discutia-se se a homossexualidade é "natural". OMG!!!! O que dizer das nossas pobres práticas!!!
Concordo com uma manifestação que li em uma comunidade do Fetlife que dizia que a Globo sabe muito bem mexer os pauzinhos para ter uma atração diferente, criando um mosaico de pessoas de universos diversos sem que isso repercuta além da duração do programa. Ao contrário do que se afirma, muitos gays alavancaram as próprias carreiras após o BBB mas o programa não tem força e nem a pretensão de mudar comportamentos mas, até certo ponto, reafirmá-los e serem expressões de opções de "consumo" dentro de um universo limitado e limitante da TV.
Portanto, a presença da Dominatrix, sem discutir o seu caráter, o que pretende , sua capacidade intelectual, não fará nem cócegas na questão da "aceitação" e , acredito, nem do preconceito tampouco, sendo desnecessária a "defesa do último bastião BDSMista" sitiado.
Mesmo as redes sociais, clubes e diversos espaços de expressão BDSMista podem, eventualmente, preparar-se para uma relativa presença a mais em seus espaços mas, como uma maré, de toda a "invasão" esperada sobrará pouca coisa no refluxo, apenas ficando pessoas que se identificarão com o BDSM o que é positivo para todos nós até porque a maioria vai perguntar em que "Stultifera Navis" foi embarcar e desce no próximo porto.
Portanto, cara Domme, Dominatrix, Switchers, subs e demais, fiquem tranquilos! A marginalidade de seu estilo de vida está garantida  e eu digo, particularmente, graças aos deuses do chicote e das cordas!!!! Quando o BDSM virar "mainstream" eu apeio e vou buscar outra transgressão. 
Quando ao BBB 12, não assistirei. Prefiro a presença virtual da minha sub (que poderia ser bem real, né?) ou horas de sono a mais do que ver mais do mesmo. 
Saudações a quem está aí para qualquer viagem,como diria o querido Frejat! 

Abração do Janus

P.S.: Para quem não sabe, Stultifera Navis era um navio que circulava pelos portos europeus, sem parada final, colhendo os loucos que habitavam as localidades, o simpático barco da imagem. Se isso lembra a alguém o jornalzinho da Psi da USP na década de 80, também vale

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Um poema...


Acrobata da Dor

Gargalha, ri, num riso de tormenta,
Como um palhaço, que desengonçado,
Nervoso, ri, num riso absurdo, inflado
De uma ironia e de uma dor violenta.

Da gargalhada atroz, sanguinolenta,
Agita os guizos, e convulsionado
Salta, gavroche, salta clown, varado
Pelo estertor dessa agonia lenta ...

Pedem-te bis e um bis não se despreza!
Vamos! retesa os músculos, retesa
Nessas macabras piruetas d'aço. . .

E embora caias sobre o chão, fremente,
Afogado em teu sangue estuoso e quente,
Ri! Coração, tristíssimo palhaço.


Cruz e Souza, poeta brasileiro.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Sobre submissão e vinhos (Astharoth de Janus)

Recentemente tive contato com o mundo dos vinhos. Apesar de detida leitura de textos sobre o tema, sobre como identificar aromas e paladares, aprendendo até a reconhecer barricas, madeiras e período de guarda, foi a experiência de tutoria a que mais me agregou na área.

Uma grande amiga me levou a feiras de vinho, me ensinou a ver as variações de cor - de um dourado em um branco envelhecido a um rubi de um tinto cheio de personalidade - e de aromas - a cereja, a baunilha, cravo, canela e carvalho - criando um universo com diversas oportunidades e sabores. Aos poucos, você educa seu olfato e paladar a reconhecer a mistura dessas diferentes sensações para, ao final, criar uma sensação gustativa única e pessoal.

Sim, apesar do reconhecimento dos aromas poder ser universal - sendo que quanto mais experimentado em ervas e sabores for o analista, mais fácil será o reconhecimento das diferentes notas de um vinho - a sensação gustativa da mescla de todas essas informações é um aparato único e mesmo que um experiente sommelier aprecie um determinado vinho, você pode reconhecer o grande valor daquele vinho sem, todavia, apreciá-lo tanto assim. Pode preferir um com notas mais fortes, ou mais frutado, ou conforme até seu estado de espírito em determinado dia.

Comparo a minha submissão e sua construção, assim, à essa experiência de formação de sommelier. Tive um contato inicial com a parte intelectual e estética da submissão, que me atraiu para leituras acadêmicas e literárias, que abordavam desde o aspecto patológico ao prazeroso, de como uma pessoa pode se desconstruir ou pode refazer-se por meio do prazer encontrado de forma pouco convencional.
 
Todavia, a “visita guiada” pelo mundo da submissão e servidão foi o que, de fato, me fez compreender os diferentes sabores e variações, que me fez perceber as diferentes formas de irradiação do prazer ou da dor, que ampliou meus sentidos para a percepção das mais variadas formas de se obter o resultado esperado. A partir daí, pude construir meu repertório e conhecer-me melhor, saber quais "sabores"  são os mais ressaltados e quais são aqueles que não me chamam a atenção, provando de vez em quando aqueles que eu não gostei em outros momentos, para ver se minha percepção a respeito deles mudou.


Somente depois dessa aprendizagem mínima da leitura das diferentes sensações, me senti minimamente capaz de me reconhecer como uma submissa. Por isso, àqueles que iniciam ou àqueles que já enveredam por essa estrada a mais tempo do que eu, somente posso dizer que tornar-se um submisso é como tornar-se um sommelier: você necessita de uma experiência teórica, que o habilite a reconhecer e expandir suas práticas; uma experiência sensorial, que consolide sua experiência teórica e que dê sentido e sabor a tudo aquilo que foi intelectualmente conhecido; e, finalmente, uma consolidação e construção de uma experiência sensorial própria, que firme a sua identidade e te faça conhecer seus limites e limitações.

Obviamente que nada disso é uma regra e não se deu de maneira tão ordenada, por isso a tutoria é tão importante, pois é uma oportunidade de aprendizagem imprescindível para a etapa de construção da submissão. Criar oportunidades de diálogo aberto com um alguém que, reconhecidamente, tenha mais conhecimento que você mas, ao mesmo tempo, te dê espaço para seu crescimento individual torna essa construção ainda mais eficaz. A troca intelectual ordena a parte sensorial.

A submissão assim construída torna o submisso mais confiante em sua prática, mais atento a reconhecer “os vinhos que não o agradam” e a reconhecer-se em constante processo de aprendizagem de novas sensações, pois seus sentidos foram “educados” a reconhecer tal expansão.

Assim, convido nossos sommeliers da fina arte da submissão a apreciar com ainda mais requinte e prazer o saboroso vinho que alcança nossos sentidos apurados.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Refletindo acerta do "Decálogo" (Janus SW)

Primeiramente, gostaria de desejar um FELIZ 2012 a todos os leitores de nosso "blog"! Retornando à ativa depois de um período de ausência dado, principalmente, pelo excesso de trabalho, nosso famoso ganha pão.

Pois bem, nesse retorno eu gostaria de submeter à um cotejo um texto que escrevi a muito tempo e que consistia em um decálogo referente às qualidades que uma submissa deveria ter para que merecesse a coleira de Janus.
Antes de quaisquer comentários, vamos reproduzir o tal decálogo:

1. Devotamento inquestionável ao seu Senhor. 
2. Obediência irrestrita ao que lhe é mandado fazer ou não fazer. 
3. Confiança que o seu Senhor tutela pela sua saúde, segurança e bem estar. 
4. Saber que o direito à voz não prescinde da sabedoria do silêncio. 
5. Ter claro que seu Senhor é o centro de sua vida e nada é mais importante do que a satisfação de quem a tem. 
6. Saber que sua vida profissional e pessoal será resguardada mas esse resguardo não a desobriga, em nenhum termo, das condutas convenientes à uma submissa. 
7. Nenhum contato pessoal serão proibido exceto aqueles que ofereçam risco físico e/ou moral à submissa sendo que em todos esses casos será o Dono que tomará as devidas providências. 
8. Honestidade, transparência e lealdade são qualidades essenciais. 
9. O direito à devolução da coleira é assegurado a quem não puder ou não desejar portá-la. 
10. Ter claro que a vida BDSM é algo sério e como tal será conduzido.

Ao ler, confesso, não posso evitar pensar que esse tal decálogo tenha muito de ingenuidade mas devo reconhecer, sem qualquer modéstia, que é algo que tenho a honra de realizar. No entanto, no que ele implica?

1. Obediência absoluta é de fato desejável?

Aqui, antes de qualquer coisa, gostaria de fazer uma observação fundamental: a questão não se coloca quanto à obediência, o que não faria o menor sentido mas o que segue à palavra obediência, ou seja, "irrestrita".
Sigo afirmando o que quem me lê a algum tempo sabe: irrestrito é algo que deve ser visto com bastante cuidado. Irrestrito é sem limites, sem balizas, de forma que desafie qualquer limite. É disso que estamos falando? Espero que não porque não é esse o meu conceito de vida, sexualidade e de BDSM. 
Pensando como alguém na posição de submissão, a obediência não pode prescindir de um olhar voltado para si mesmo, apesar de várias declarações de obediência absolutamente irrestrita. Se esse olhar faltar, cabe ao Dono ou Dona dar conta desse cuidado.

2. Confiança que o Top cuida de sua saúde, bem estar e segurança

Vamos e venhamos: será que alguém em sã consciência se sujeitaria em submeter-se em alguém que não tivesse o mínimo respeito por quem se submete? Que ninguém tenha ilusão: o cuidado de saúde, bem estar e segurança é fundamental para quem quer dominar e para quem quer se submeter, principalmente o primeiro.
Demonstrações concretas de cuidado e de respeito pelo submisso são condições fundamentais para que não existam fatos a se lamentar nem tão pouco aquela vitimização que coloca "Doms e Dommes vilões" e "subs inocentes vítimas deles".

3. Saber que sua vida profissional e pessoal será resguardada mas esse resguardo não a desobriga, em nenhum termo, das condutas convenientes à uma submissa. 


Não conheço muitos casos entre meus amigos onde um dos dois membros da dupla (ou demais arranjos) não trabalhe ou desempenhe alguma atividade profissinal autônoma e isso, ao menos para mim, tem implicações importantes no que se refere ao cuidado que o Top deve ter no exercício de seu mando.
Por mais que desejemos, esse mundo não é necessariamente tolerante com a diversidade, seja racial, de credo, de concepções de mundo e de sexualidade, especialmente com coisas que não compreendem como o BDSM por exemplo.
No entanto, cada um de nós tem de ganhar o pão de cada dia, não é certo? E como fica essa questão de possíveis "impulsos de intereferência"? Acredito que aí deva existir uma dose reforçada de bom senso e o respeito pela vida privada de nossos queridos e queridas "bottoms".
O mais importante, na minha concepção, é estar "presente" na vida de nossos bottoms em profundidade, na consciência e na alma de cada um deles o que implica estrita observância das posturas e atitudes dignas de cada um, configurando-se o real domínio.

4. Honestidade, transparência e lealdade são qualidades essenciais. 


Fico pensando aqui o quanto isso é fundamental para QUALQUER relação humana  e não apenas no BDSM! Penso também o quanto deve-se criar uma atmosfera onde a livre expressão, resguardado o respeito devido, a lealdade e a transparência , significando menos fazer da vida "um livro aberto" mas sim responsabilizando-se pelo que se faz, jogando limpo, sejam coisas que se imponham pelo convencimento e pela cumplicidade entre Top e bottom, não transformando o domínio numa atividade ditatorial e de falas duras e berros!
Sinceramente, para mim domínio jamais foi uma estrada de via única mas que se reafirma pelo diálogo, por poder olhar nos olhos e aprender cada vez mais. Fora disso, a ditadura só é justificável na fantasia de ambos e não apenas de um.


5. Ter claro que seu Senhor é o centro de sua vida e nada é mais importante do que a satisfação de quem a tem. O direito à devolução da coleira é assegurado a quem não puder ou não desejar portá-la.

 São coisas diversas mas que têm muito a ver uma com a outra. Ter clareza de que a satisfação de seu Senhor ou Senhora é central é garantia de exercício de todos os demais itens, de garantir sua satisfação pelo serviço que é dignificado pelo prazer que proporciona.
No entanto, a vida é dinâmica, os relacionamentos SM ou baunilhas vão se transmutando e por conta disso, muitas vezes, não conseguimos dar conta de comandar ou servir. Tanto quanto tomar a coleira, devolvê-la é um gesto, ao menos para meus olhos, de extrema dignidade!
Longe de ser um gesto de fraqueza significa um reconhecimento de suas limitações, do respeito, consideração e lealdade que todo Top merece. Melhor assim do que terminar "relacionamentos" de forma desgastada e desgastante, gerando aborrecimentos e ressentimentos onde deveria apenas existir boas lembranças e satisfação.

Por fim, algo que tenho procurado sempre manter em mente em minhas ações dentro do BDSM: BDSM é coisa séria e assim deve ser tratada. Infelizmente, vemos por aí que há muita brincadeira em meio a gente que se diz séria mas que prefere esquecer das graves conseqüências físicas e emocionais que a nossa prática enseja e que cautela e respeito devem ser sempre a tônica.
Em uma sociedade cada vez mais individualizada, preconceituosa e que não coloca outro limite senão o desfrute individual, agir com conseqüência é um grandíssimo desafio para todos nós. Que estejamos à altura dela.

Saudações SM

Janus SW

sábado, 26 de novembro de 2011

Discoteca básica de Janus - Buraka Som Sistema



Ultimamente tenho ouvido , por sugestão de Astharoth, muito de Buraka Som Sistema um grupo angolano sediado em Lisboa. Eles fazem uma vertente do kuduro, música angolana.
Aqui um pequeno exemplo da música deles.


Lately I´ve heard, suggested by Astharoth a lot of songs by Buraka Som Sistema a group from Angola based in Lisbon. They do a kind of kuduro, music of Angola with guests like M.I.A.
A little sample of their work.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Caixa de Pandora - Soberba - Parte 2

(continuação)

Quando deixamos nossos amigos, ela estava ajelhada com dores espalhavam-se por seus membros inferiores mas jamais pensou em manifestar quaisquer sentimentos que inspirassem algum sentimento de vitória naquele homem.
O que mais queria? Até onde chegaria? Tomava notas em um caderno com capa de couro durante bem mais de meia hora como se não estivesse ali. Por mais que desejasse que houvesse alguma manifestação, jamais ousaria dar conta de seu desassosego.
- Na Idade Média os açoites eram feitos de couro, no entanto, tinham em suas pontas elementos metálicos em forma de uma pequena bola sendo que algumas, principalmente das pontas, eram feitas em diversos tamanhos para provocar ulcerações as mais diversas possíveis. Os cortes sangravam e pelo sangue se esvaiam não apenas a matéria corpórea mas todo o orgulho e, assim, faziam aflorar a humildade e a penitência de pequenos animais insubordinados como você. Com certeza essa cabeça já está maquinando o quanto a deixaria aí ajoelhada sem qualquer palavra que fosse. Se fez essa pergunta mentalmente , creio que a fez, não ouse repeti-la pois acumulará a desilusão de não encontrar reposta. Aliás, desde quanto o mundo ou alguém nele foi feito para seu prazer pessoal?
Arrancou a fita com a qual estava selada a boca e houve o primeiro grito de dor. Uma bofetada ecoou e calou o choro recém inciado insuflando-a de um orgulho próprio que fora anteriormente retirado e, depois disso, nada foi dito, sequer uma palavra que fosse por mais tempo dispendido em anotações.
- A carne é como o orgulho, um ente que nos salva em qualquer lugar, menos aqui. Aqui, todo o orgulho obstrui o caminho para a livre fruição de nossa essência. O que há de erótico no orgulho? Diga-me! Permanece calada? Como ousa?
Queria dizer-lhe que era , como sempre, dona de si e de seus haveres. No entanto, mais uma vez, dizer isso uniria a certeza do domínio ao impossível de ser dominado. Se parecei ser inevitável a rendição porque prolongar o ato de soberba? Será que a pergunta melhor será feita da seguinte maneira: se a rendição é inevitável porque NÃO prolongá-lo? Decidiu que a rendição seria indesejável, improvável, sem qualquer hipótese de que viesse a acontecer.
Sede... Não iria pedir água! Que quem quer comandar saiba bem a necessidade de seus comandados! Meia, uma, uma e meia, duas horas sem qualquer líquido. Da parte dele, tampouco desviou-se das infindáveis anotações feitas à bico de pena sendo que apenas alguns olhares fortuitos eram dirigidos como constatação de que nada havia se alterado. 
- Não tem sequer o necessário para a sua subsistência mas dedica todo o seu sofrimento à um motivo superior, sem reclamar, sem ao menos ter pena de si mesmo. Sacrifica-se em nome daquele que ainda virá quando tudo estiver acabado e o corpo se desfizer como ente ideal frente às cogitações do cotidiano. Não! Não sucumbirá por mais que esteja pensando que assim será feito. Se tudo basear-se em apenas comer e beber, do que nos distinguimos de qualquer criatura viva que rasteja pelo planeta? Quer liberar sua animalidade? Não! Desnecessária é qualquer resposta. 
Pela primeira vez, levantou-se da mesa, deixou o caderno de anotações e foi para dentro da casa. Trouxe de volta um cocho como aqueles que se dá de beber aos animais e colocou cheio de água fresca não muito distante de onde ela encontrava-se ajoelhada.
- Se quiser saciar seus instintos animais, que seja como um animal.
A sede começava a torturá-la depois das horas sem qualquer líquido e aquela bebida cujo frescor sentia-se à distância a fascinava. Beberia?

(Fim da Parte 2)

Caixa de Pandora - Soberba - Parte 1


- Isso não faz o menor sentido...
Uma figura de mulher estava olhando um detalhado desenho de uma sessão sado masoquista de muito tempo atrás. Disfarçado sob a delicada cobertura de purificação, previa a mortificação da carne como a condição necessária e suficiente para a liberação do espírito.
- O que não te faz sentido? - perguntou o homem que estava ao lado dela. - Não sabia que o corpo aprisiona o espírito e isso é conhecido milenarmente? Basta que experimente deixar as marcas indeléveis no corpo para perceber que pouco é essa carcaça que um dia será um repasto de vermes.
Ela virou-se e fitou-o diretamente nos olhos:
- Sem isso, o espírito não tem materialidade. Será que temos de destruir tudo para que possamos ter iluminação mesmo que seja pouca?
- Quem disse "destruir"? - perguntou reforçando as aspas com as pontas dos dedos. - Basta na verdade não concentrar-se nela, exatamente sabê-la frágil para que a sua real essência liberte-se.
Ela sabia que, no fundo, provocar aquele homem que tanto queria bem seria uma grande e inconsequente loucura. No entanto, como dizer-lhe que fartara-se da sanidade que supostamente lhe era oferecida em todas as oportunidades que havia em classificar o inclassificável?
- Consegue me mostrar o que significa essa libertação?
Ele olhou com profunda desconfiança e até certa dose de desprezo para ela e perguntou-se se, verdadeiramente, estava a desejar o que a boca falava.
- Você não conseguiria suportar sequer a décima parte do que isso representaria. Não peça aquilo que não pode suportar.
Ela não acreditava no que estava a ouvir. Seria tão desprezível o seu propósito a ponto de merecer aquele grau de desconsideração? Novamente arguiu, novamente obteve a mesma resposta.
- Fato é que o que você não deseja mostrar, caríssimo, é a sua incapacidade de me mostrar o caminho que fica a dizer aos quatro ventos que é o mais indispensável para o esclarecimento humano, aquele que liberta do corpo a essência mais verdadeira e primeira de todos nós. Basta de palavras!
Ele apertou os olhos e logo compreendeu qual era o jogo que estava sendo travado. Porque ceder a alguém que fazia de uma provocação básica demais para ser considerada sequer relevante.
- Quer mesmo saber o que é isso? Nem sequer teme pelo que possa te acontecer? Tem a dimensão de qual batalha está querendo travar? Claro que não. Soubesse, evitaria-a com todas as suas forças.
- Porque sou indigna de atingir o estado maior?
- Não! Exatamente porque não sabe o que o estado maior possa vir a significar.
- Mostre-me...
- Quando eu desejar e não antes. No entanto, veremos do que você é feita: dispa-se completamente de suas roupas e ajoelhe-se aqui, no caminho frio.
Começou a livrar-se de suas roupas mas foi dito para que se afastasse quando estava a preparar-se e só voltar quando estivesse totalmente nua.
Não demorou em nada para fazer tal coisa e em sua nudez aproximou-se dele. A primeira providência foi colar um pergaminho na boca com a palavra "silêncio" de forma a impossibilitar-lhe qualquer comunicação senão por grunhidos que, classificados como inumanos sequer eram considerados. Em seguida, uma corda de seda atou-lhe as mãos e os pés e assim foi mandada ajoelhar-se.
Para tal, não pode ajudar com os pés a ter a estabilidade necessária para ajoelhar-se de forma tranquila mas soltou-se em um movimento que causou-lhe dor a ponto de querer gritar mas não conseguia.
- Fique calada e pronta.
O que viria a seguir? Pouco sabia, menos era dito. Restava esperar.

(Fim da Parte 1)

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Tome o controle (Afrojack ft. Eva Simons)



Let's go take a ride in your car
Vamos dar uma volta no seu carro

I will take the passenger seat
Eu vou no lado do passageiro

Baby we don't have to go far
Querido, não precisamos ir muito longe

Unless you want to show
A menos que você queira me mostrar

Me a lovely place out of town
um lugar lindo fora da cidade

Where you feel most at easy
Onde você se sinta mais à vontade

Well you are the one that i like
Bem, você é quem eu gosto

Always will be time to let you know
Sempre haverá tempo de fazer você saber

The way i feel when you take hold
O jeito que sinto quando você toma o controle

You set me free my body's yours
Você me liberta , meu corpo é seu

It feel the best when you're involved...
Sinto a melhor quando você está presente



I want you to
Eu quero que você

Take over control
Tome o controle

Plug it in and turn me on
Energize-me e ligue-me


Baby, baby can't you see
Querido, você não consegue ver

That i'm giving all of me
Que estou dando tudo de mim

So it's up to you now
Então agora é com você

We could let time pass away
Podemos deixar o tempo passar

Only can excuse to play
Ou arranjar uma desculpa para brincar


But it's up to you now
Mas agora depende de você

Just wanna fulfill your needs
Apenas quero realizar seus desejos

While you taking over me
Enquanto você me domina

So what do you want now?
Então o que será agora?

Take a picture, make a show
Tire uma foto, faça um show

Cuz nobody has to know
Porque ninguém tem de saber

All the ways that we get down
Todas as formas que nós fazemos


I want you to
Eu quero que você

Take over control
Tome o controle

Plug it in and turn me on
Energize-me e ligue-me

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Pequena cena (Janus SW)

(Para Astharoth de Janus, com amor)



- Deite-se de costas.
A escrava nua nem ao menos responde, excecuta diligentemente a ordem que lhe fora dada. Expõe as nádegas nuas e Ele rapidamente deseja fazer nela algumas marcas se a pele escura permitisse que assim ficasse.
- Conte.
A primeira batida com o cinto tira alguns sons murmurantes de dor já que ela não era masoquista. No entanto, silencia.
- Quantas?
- Uma , Senhor.
A outra nádega é atingida e as batidas são contadas dilegentemente mesmo que os intervalos entre um e outro golpe fosse extremamente irregulares.
- Quantas foram as batidas?
A dúvida pela inconstância a faz errar. Ele não se enfurece, não a castiga, apenas faz com que ela repouse no chão e ali fica até que adormece. Acorda ainda com ela a velar o sono como uma guardiã. Convidada a deitar-se ao lado do Dono, respeitosamente declina. Ele não insista. O silêncio da entrega se faz pleno naquela pequena e simples cena.


terça-feira, 8 de novembro de 2011

Observação necessária /Necessary remark




À partir de 8 de novembro de 2011 , Astharoth de Janus, outrora astharoth de Janus, passa a ter o direito concedido por seu Dono de grafar seu nome com a letra "A" maiúscula. Esse direito é dado em reconhecimento pelo seu serviço impecável mas também pela mulher digna e honrada que é. Os meus respeito como Dono à minha submissa, a alegria e contentamento de minha vida.


From November the 8th, 2011, Astharoth of Janus, previously astharoth of Janus, has the right given by her Master to write down her name with capital "A".
This right is granted as recognition of her outstanding servicing as a servant but also for the honored woman she is. My respects as Owner to my submissive, joy of my life

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Os Segredos de ser um bom Dominador - MsterJames (Tradução: Janus SW)


(Publicado com a permissão do autor)

AUTORITÁRIOS

Muitos Dominadores não sabem a diferença entre ser um Dominante e ser apenas um autoritário.Uma pessoa autoritária acha que tudo resume-se em estar no comando,sendo geralmente insuportáveis, gritam e são tirânicas, exercendo seu poder de forma opressiva.
São injustos e severos no treinamento das pessoas ao seu redor. Seu controle é geralmente exercido com ameaças de punições físicas e sem nenhuma consideração por outros senão a si mesmo.

DOMINADORES
  • Um  Dominador exerce controle de uma forma mais sutil , exercendo sua influência e pensando menos em ameaças e punições físicas, cuidando das pessoas à sua volta. Podem ser autoritários e poderosos mas tem extremo respeito pelos outros.
  • Um Dominador ama e cuida de seu submisso. Submissão é um presente livremente dado e a dominação é uma retribuição cheia de amor a esse presente.
  • O submisso responde ao Dominador se ele demonstra que o submisso é digno de respeito. Submissão  é o esforço em agradar, não o temor da punição.
  • Para conquistar o coração de um submisso primeiro deve-se conquistar a confiança dele, através da honra, credibilidade e gentileza do Dominador.
  • Um Dominador usufrui de todas as vantagens dadas pelo seu poder e sabe compartilhar, com prazer, o que decorre disso.
  • Você deve controlar-se antes de poder exercer o controle sobre outros.
  • Você entende a diferença entre  sensação e  dor e a distância entre orientação e força.
  • Quando a safe word é usada você rapidamente deixa os papéis para trás e torna-se um parceiro que apoia  e cuida.
  • Você sabe que punição e  o que ocorre durante uma sessão são coisas diferentes e nunca levanta sua mão estando com raiva.
  • Você mostra ao submisso que é melhor seguir orientações e que seu conhecimento merece atenção.
  • A pior punição para um submisso provém do desprazer do Dominante.
  • Você entende os perigos de uma “play” e auxilia quando o desconforto aparece. O corpo e a mente são frágeis e você é cuidadoso para não causar-lhes dano.
  • Você usa as sensações para ampliar as fronteiras do prazer. Você pode conduzir seu submisso a novas dimensões do prazer e moldar esse novo limite no fogo deste momento.
  • Você sabe que a comunicação é o aspecto mais importante de um relacionamento. Você sempre ouve.
  • Você deve conhece o corpo e a mente de seu submisso e lutar arduamente por entender  a alma dele.
  • Você tem paciência. Sabendo que a confiança cresce também crescerá a proximidade da relação.
  • Você é corajoso o suficiente para aceitar ajuda, tem a mente aberta o suficiente para aprender coisas novas e é sábio o suficiente para saber que há sempre mais para aprender.
  • Suas ferramentas são sua mente, carne, espírito, alma e amor, com uma pequena ajuda do flogger, paddle, cane, cordas, algemas e vendas.


Originário do Reino Unido, MsterJames pertenceu à cena londrina por alguns anos. Agora, encontra-se baseado em Cape Town. Especialista em flogging, canning, bondage, velas e dominação psicológica. Deu palestras e demonstrações em Cape Towm Moots. 
Para contatos com MsJames via Fetlife, clique aqui

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Notaram a novidade????

Queridos leitores, Tops e bottoms!

Conseguiram notar alguma diferença em nosso blog? Pois é, começa por aí! Não é mais só o blog do Janus mas agora o blog de Janus e Astharoth de Janus. 
Com a postagem anterior Astharoth "debuta" no mundo dos blogs BDSM e porque ter outro blog se pode dividir esse com o Dono? Então aí está!
Esperamos vocês sempre por aqui, trocando idéias e experiências, sempre com muito respeito e consideração! Sejam sempre bem vindos


Dear Tops and bottoms!


Has anyone noticed the changes in our blog? Well here is where it starts: from now on this is not just Janus´ blog but Astharoth´s also.
With the previous post Astharoth started as a writer in BDSM blogs. Why have another blog if she can divide this with her Dear Owner? So, here it is.
We count on you all to share experiences and ideas! Remember, the Google translation tool is avaliable in the sidebar.
Be always welcome!

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Dilema de uma sub iniciante – a trajetória em busca do EU, dos OUTROS e do BDSM - Astharoth de Janus

Lembro-me de quando, pela primeira vez, li essas 4 letrinhas: BDSM. Já tão conhecida de muitos, para mim seria o começo de uma grande descoberta. Quando as vi pela primeira vez, nosso contato foi curioso e de estranhamento. Eu não me reconhecia nelas, as imagens associadas eram deveras dissonantes daquilo que me representava. Um mundo “exótico demais”, que não representava minha sexualidade mas me intrigava tanto quanto me repelia.
Apesar do universo erótico associado a um novo modismo, quase um Glam BDSM, me atraírem profundamente por sua estética apurada e ousada (para meus antigos padrões), aquilo que me alcançava do “real” me assustava. Afinal, como ter sentimentos tão antagônicos? O que significam, de fato, essas 4 letrinhas?
Além do significado já tão conhecido, como Bondage, Disciplina, Sadismo e Masoquismo, aquelas letras significaram um novo universo de exploração de sensações.  À medida que eu buscava seu sentido, me sentia cada vez menos conhecedora do que elas representavam. Um mundo confuso de representações, de rituais “enfadonhos” à total anarquia catártica, nada parecia saciar essa tal curiosidade e tampouco elucidar esse mistério.
Nesse caminho de descoberta,  ouvi algo que parecia um norte a seguir: afinal, é tão importante definir? Que tal sair um pouco desse universo teórico e diverso e buscar algo que te faça sentir o sentido o que busca?
Ao ouvir isso, pensei em como poderia viver essa experiência se sequer me sentia confortável com os papéis pré-estabelecidos em muitas práticas: Domme? Escrava? Serva? Submissa? Nomes que pareciam macular minha essência, como praticar se tudo parecia tão repulsivo ao meu EU feminista e progressista, que abominava as figuras de servidão ou de dominação?
No entanto, em meio a tantos pensamentos confusos, uma ação relampeou em minha cabeça e iluminou essa escuridão: estar de joelhos, para mim, era tão erótico quanto um beijo. Excitava-me  inexplicavelmente estar à mercê de um alguém que conduzisse meu corpo e minhas ações para o seu prazer. Em resumo: servir me excitava.
Mas como conciliar tamanha entrega com uma personalidade cotidiana combativa e dona de si? Por que algo que feria tanto meu EU me dava tamanho prazer? Afinal, seria eu uma mulher servil que maquiava a sua essência com um verniz socialmente aceito por OUTROS?
Até que me dei conta que meu servir era um ato de doação daquilo que eu tinha de melhor a um alguém que havia CONQUISTADO minha mansidão. Um alguém que se materializava de maneira tão grandiosa aos meus olhos que minha única ação possível seria adorá-lo e render-lhe todas as minhas homenagens. Descobri o que é ter um SENHOR e DONO. E, principalmente, minha submissão era um ato de escolha, o caminho pelo qual elegi viver aquela maneira de se obter prazer. Poderia ter optado por outros destinos, outros nomes ou mesmo não nomear nada. Mas decidi dar um nome ao que sou. E, assim, me permiti entregar-me.
Após tamanho ato de libertação dos meus desejos e vontades, após percorrer um tortuoso caminho para descobrir o prazer e de auto-aceitação, não cabe a OUTROS tentar definir o que sou. Basta-me a minha convicção e Daquele que me chama SUA.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Mensagem aos novatos

Ser novato em qualquer comunidade é um desafio: como comportar-se? Como portar-se corretamente, como tratar pessoas em situação de hierarquia, liturgia e por aí vai. No entanto, tem-se observado que parece que essa necessidade de resguardar-se e aprender tem sido local de micro-exercícios de poder que acabam por ameaçar o bom começo de vida dentro da comunidade.
Procuro compilar algumas "dicas" que coletei durante alguns anos de humilde vida dentro do meio mas já digo de antemão, não siga o "tio" Janus cegamente, ative seus competentes circuitos de julgamento:

1. Referências de outros são apenas referências - Houve uma discussão um tanto prejudicada em um dos canais que frequentava acerca de referências acerca de pessoas, locais, práticas e demais "elementos" do nosso estilo de vida. Toda essa discussão leva muito claramente à conclusão que as referências de segunda mão (dos outros) devem servir como o nome diz, referências. Ter referência,  é como uma referência bilbliográfica, deve ser base para a nossa construção individual de conceitos e julgamentos. Porque? Quando alguém julga jamais será isento e isso deve destruir a ilusões de muitos mas é a pura verdade. Munidos de conceitos, pré-conceitos,  interesses, desinteresses, construímos o julgamento e o "soltamos" ao ar como fosse a maior das verdades. Cuidado! Jamais compre brigas que não são suas e nem faça apoios automáticos. Isso não costuma ser bom para ninguém e, no fim da história, quem sobra para lamentar um julgamento precipitado será VOCÊ. Falo por experiência própria.

2. Submeter-se jamais será anular seu bom senso e amor próprio - Existem pessoas que, em nome de sua prática ou do seu fetiche, acabam se metendo em coisas que levam à um histórico de profundo sofrimento físico e mental que é totalmente incompatível com o desejo inicial ou mesmo conduzem a desenlaces fatais ou semi fatais que acabam, inclusive, estampando as manchetes de jornais como o ocorrido na Itália recentemente. Cuidado, gente! Por mais que mergulhar de cabeça seja parte de sua fantasia, da sua tara, lembre-se que você tem de sobrar inteira para contar a história e desfrutar do prazer das práticas. Nada deve anular seu bom senso e o seu amor próprio, além e principalmente, do seu "instinto de sobrevivência" esse elemento primal que a natureza te municiou exatamente para ser usado. É muito hard para você? Apresenta risco de morte? Não tem confiança em quem diz ou executa algo? Caia fora!
Não gostaria de ver, sinceramente, a prezada sub leitora ou prezado sub leitor lamentando (se puder) algo que deu muito errado. Até porque, mais uma vez, o culpado será você mesmo não sendo. 

3. Desconfiar é algo que preserva a vida e o gosto pelo modo de vida - Temos vários papas em diversos assuntos e nas mais variadas áreas do conhecimento. Você acredita que no BDSM seja diferente? Tolinho ou tolinha... Como eu disse lá em cima, tudo o que estiver escrito aqui só poderá ser assimilado como seu se o Tio Janus disse algo que vale apena querido sobrinho ou sobrinha (tio Janus tá ficando velhinho por isso fala com vocês assim)! Desconfie dos papados auto-designados, usem aquele processador maravilhoso que você tem na caixa craniana, exercite o gostoso e importante direito de pensar. Sabe, aceitar cegamente alguém conduziu pessoas, países e sociedades à perdição e não cabe a você ser elemento dessa estatística. Olhe com uma lupa para o que pareça estranho e, acredite, se parece estranho é porque é.

4. O que está escrito em sites qualificados são boas fontes de informação - Sites como o Albany Exchange, Site do Carcereiro, o infelizmente finado Desejo Secreto (ainda no ar) são fontes maravilhosas de conhecimento sobre o BDSM. Pessoas como Raven Shadowborn, Jack Rinella e outros também fazem da discussão algo qualificado e agradável. Se você fala  inglês, alemão, francês ou qualquer outra língua, convém você interagir e ler coisas produzidas fora do nosso país. Você verá que a perspectiva é diferente e muitas vezes dão de mil a zero no que se vê por aqui. Não se trata de complexo de "vira-lata" , trata-se de ampliar o mundo ao nosso redor.


5. Quando você não consegue listar três defeitos de um lugar ou pessoa, desconfie - Ixi! isso vai dar polêmica. Um dos grandes desafios que qualquer novato tem é o de não começar a ver que, como qualquer obra humana, o BDSM é imperfeito e (deveria) estar em constante revisão. Só que tem muita gente acomodada ao que está aí e , inclusive, impondo modos de viver e de ver a qualquer pessoa. Você consegue listar ao menos três defeitos de um lugar, pessoa, prática ou até mesmo seus para vc mesma? Se consegue é um bom começo. Se não, que tal ver com carinho o que está acontecendo à sua volta?
Ao contrário do que querem fazer imaginar, criticar, ver os defeitos também é um gesto de amor, do gostar de algo e nos faz ter o impulso de pesquisar e querer saber mais para evoluirmos e levarmos conosco o meio em que vivemos, seja qual for.



6. Dominar não significa achar que o outro ou outra é igual um trapo -  Milgram, Zimbardo, Lifton, Gilbert, Jones são sobrenomes de alguns psicólogos e psiquiatras que refletiram sobre a qestão da despersonalização enquanto elemento que é contribuinte para diversos episódios de abuso durante a história da humanidade, notadamente no Holocausto (Shoá). Apesar de aparentemente não ter nada a ver, estamos em um meio que atiça a testarmos os limites e autoridades (reais ou fictícias) que estimulam , no limite, coisas que nem sempre são abonadoras dos indivíduos envolvidos.
A grande tarefa do Dominador ou Dominadora é ter em mente que aquela pessoa que aceita ser submetida aos piores e mais intensos "castigos" , é um ser humano com limites psiquicos e físicos.
Se é verdade que o psíquico nem sempre pode ser aferido o físico dá muitas indicações do estado global da pessoa. Esteja atento à eles. Mesmo um ou uma masoquista extrema se sujeita ao seu comando porque confia que você esteja atento e cuidando de quem se submete à você.

Não se iluda, você vai ouvir muito blá-blá-blá por aí mas a responsabilidade sobre o sub ou a sub é SUA, Domme ou Dom. Nem a consensualidade salva e , aos olhos de legisladores, NADA te salva se der errado. Todo cuidado é pouco.


7. Prudência e caldo de galinha nunca fizeram mal à ninguém - Se você ler o blog ou já lê , vai ver que essa advertência é recorrente e, entra dia , sai dia, essa recorrência tem sua razão de ser. Você quer ser um fodástico ou uma fodástica, onde quer que você esteja e em qual prática faça, é uma aspiração legítima. No entanto, é infinitamente melhor que você seja fodástico na ética, no cuidado, no respeito do que em shibari, spanking etc. É isso que fará com que você tenha gente disposta a se submeter à você e sempre.
Não sabe? Aprenda. Sabe o básico apenas? Execute o básico apenas e bem feito Tem dúvidas? Não faça. A regra do bom dominador é por seu controle e controle é a base do poder.


8. Consenso não é você concorda com o que tenho a oferecer mas é a discussão madura de duas intenções em polos opostos - Um dos grandes critérios criados para distinguir a escravidão que praticamos (escravidão moderna) da antiga é o consenso. No entanto, até nisso, parece haver uma grande avacalhação. Se era preocupação, anteriormente, discutir o que era são e seguro (continua uma questão relevante), hoje há uma discussão totalmente sem nexo sobre o CONSENSUAL. Criam-se estruturas como avaliação de risco compartilhado como se fosse algo que não envolvesse estrutura de poder e etc. Quer fazer um consenso sério? Então tenha ouvidos mais do que a boca, estrutura e conhecimento para discutir (e convencer) o outro da validade de sua visão. Crie um ambiente onde todas as condições estejam colocadas para desfrutar, verbo quase esquecido. Isso sim é consenso, isso sim é verdade, isso sim é PRAZER que começa desde a construção da relação até a prática. Dá trabalho? Me diz alguma coisa que não dê trabalho e seja bom?


Bem , queridos e queridas, Tio Janus vai almoçar nesse novo horário de verão, o bendito. Vamos discutir o escrito acima, sejamos nós novatos ou veteranos. Aliás, quero renovar meu convite para quem se sentir afim de publicar coisas e não quer ou não pode ter seu próprio blog que publiquem aqui se assim desejarem. No entanto, se apenas colocarem seus pontos de vista e opiniões, já estarei mais do que satisfeito. ]
Esse é o nosso blog e todas as vertentes de pensamento serão bem vindas e respeitadas! Saudações!





domingo, 18 de setembro de 2011

Saindo do Muro das Lamentações

Eu não quero fazer desse blog, aliás no qual não tenho escrito a algum tempo, um muro das lamentações. No entanto, quando as coisas começam a se repetir durante muito tempo e por muitas pessoas, é motivo para pensar-se algumas vezes e de forma o mais responsável possível.
A pergunta a ser feita é exatamente essa: afinal do que se está realmente "a fim" quando se fala em BDSM? Sempre tive claro para mim que o BDSM seria um dos espaços onde eu poderia encontrar uma expressão qualificada de minha sexualidade mas não o ponto final de tudo o que eu gostaria de viver e sentir mas apenas uma das coisas que mais gosto de fazer não em prejuízo de outras.
Atualmente parece que as coisas ficaram um tanto, como dizer, doidas: primeiro que em um mundo que orgulha-se em chamar "kink", uma série de pessoas vêm dizer que há um "verdadeiro BDSM" e, via de regra, são os mesmos que aplaudem quando a gente diz que a liturgia BDSM é algo , inclusive, dispensável.
O que mais me preocupa, no entanto, é que as coisas estão, de fato, saindo fora de um controle, com pessoas inclusive morrendo. Aí fica a pergunta? O que está, de fato, acontecendo?Parece que foi implantado o vale tudo em completa disconsideração com a vida humana.
Além disso, as coisas estão parecendo uma religião de fanáticos: o que é certo é nosso, é BDSM e o que é errado, vamos achar um critério para dizer que não é BDSM. Oras ! Dá um tempo! Mesmo que algo que deu errado não tenha sido feito por alguém do "meio" não seria interessante, já que são atividades que também nós fazemos, aprender com as lições dos erros para fazer que nós mesmos não os cometamos? Não! Melhor dizer que não é BDSM.
O absurdo é tão grande que estão querendo subverter, inclusive, a semântica da língua portuguesa. Dizem aí que consenso é a apresentação de um "programa" para a adesão por parte do bottom. Cara, isso não é consenso, é formulário de adesão à um clube esportivo, cultural e recreativo escola de samba unidos da chibata. É disso que se trata mesmo? Se for fica muito complicado!!!
Aliás, no caso do shibari mal sucedido na Itália, o sujeito teve a desfaçatez de dizer que não era assassino porque  as meninas que participaram da ação mal sucedida, concordaram... Que coisa, hein???????
Além de subverter a língua, desejam também subverter a toxicologia. Na discussão dessa mesma questão da Itália onde , agora de forma definitiva, os envolvidos usaram álcool e drogas, elementos que reconhecidamente restringem a capacidade de julgamento, a manifestação de alguns contra o consumo dessas substâncias virou algo rotulado como "BDSM Puritano". 
Insurgi-me contra isso mas fico pensando se eu deveria ter ficado quieto e pensado que cada um faça o que quiser e quem quiser de se submeter, que se submeta. No entanto, fico pensando o quanto as pessoas de fato têm consciência de que nossas práticas são potencialmente perigosas, que ninguém está com uma Real Doll mas com um ser humano sob sua responsabilidade, nos várias aspectos que essa palavra possa ter.
Se tudo virou válido, sinceramente, eu sou o primeiro a voltar atrás com minha "reinvindicação" da retirada das diferentes prática do CID-10 e DSM-IV. Se houver um pequeno grupo que seja, que sinceramente pense que vale tudo, acredito que essas práticas devam estar em ambos documentos. A ciência médica não pode prescindir desse balizamento para casos congêneres à nossa prática. Não gostaram dessa afirmação? Sinto muito!
Eu sou um ser social e, apesar de recluso por questões alheias à minha vontade, quem me conhece pessoalmente sabe que adoro estar com todos, brincar, conversar sério , dar risadas e até chorar se for necessário. No entanto, eu fico dentro de tudo conquanto me faça bem.
Sei que o "meio" segue comigo ou sem mim porque o todo será sempre maior do que indivíduo. No entanto, sinceramente, eu sei que o que vale é a vida que tenho com astharoth, minha menina, entre quatro paredes com pessoas que comungam dos mesmos ideais que eu. 
Será que o BDSM mudou tanto assim a ponto de eu quase não reconhecê-lo mais? Espero estar enganado!