Pesquisar este blog / Search in our blog

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Revolucionário?/Revolutionary? (Janus SW)

Abstract:

To change the concepts in order to reach the full expression and pratices of our sexual behaviour has been a task assumed by many and many people in every time of the humanhood history.
With BDSM is the same: we wish that someday it could be considered revolutionary, to change the misconcept that considers the many of our praticies compared to another disgusting and outraging paraphilias.
But if that´s true that this discussion will lead us to figth for IDC 10 F65 change is necessary to overcome the prejudices that exists in the BDSM and make it a place where freedom at least become true.

Tem horas que nós, como todos, criamos as nossas fantasias acercada daquilo que nos atraí, nos encanta, enfim, que amamos. É como estarmos enamorados onde o amado ou a amada não têm defeitos (apesar de terem), os filhos são os mais lindos (apesar de eventualmente não serem) e por aí vaí.
Totalmente compreensível essa postura já que é difícil , e eu sou o primeiro a assumir, que nos acordem dos nossos sonhos e digamos: - Poxa, amigão, grato por isso, viu? como se nada tivesse acontecido. Aviso aos navegantes: além de não ser assim, tenha pouca esperança que alguém vá ouvir suas razões.
Porque tanta enrolação para comentar o assunto do artigo de hoje? Primeiramente, não acredito ser enrolação mas já uma declaração de que as contestação serão plenamente acatadas e até espero que elas aconteçam, vindas de diversas fontes que costumeiramente por aqui aparecem.
Acho interessante que uma das questões que levanta-se costumeiramente é a de se o BDSM possa ter provocado uma revolução em termos de comportamente sexual . Fico pensando que o termo "revolução", sociologicamente, foi muito mal usado e, normalmente, confunde-se com o ato de serem criadas alternativas, novas formas ou mesmo, sistematizado formas antigas em novas roupagens.
Também há uma grande confusão entre explicações filosóficas que mais tendem a complicar a questão do que simplificá-la, principalmente porque tentam disfarçar os claros limites dessa questão aplicada ao meio.
Acredito perfeitamente pertinente a definição de "revolução" dada pela Wikipédia:

"Revolução é uma ruptura abrupta do sistema jurídico, político, social, econômico ou cultural vigente, com a subsequente formação de um novo sistema.
Em geral, uma revolução fica caracterizada quando o espaço de tempo em que as mudanças ocorrem é curto, pois, se longo, as mudanças passam desapercebidas e acabam sendo consideradas apenas um processo evolutivo."

Uma definição que comporta várias facetas e, ao meu ver, colocam em xeque a intenção de quem queira conotar o BDSM como revolucionário. E a questão que se coloca, também, é se nos diz respeito tentar provocar uma revolução,ou mesmo, se nos convém enquanto grupo ou pessoas, tentar provocar esse estado de ruptura abrupta.
Quanto tento verificar o que está em meu entorno, vejo que conseguir uma ruptura não é nada perto de sermos suficientemente competentes para fazer uma nova proposta de manifestação sexual.

A começar por um fato que costumamos deixar um tanto de lado, talvez por uma visão muito à frente sem nos reportarmos ao passado, a de que o BDSM não criou nenhuma das manifestações que estão comportadas nesse acrônimo e nem nas que orbitam por elas.
O máximo que possamos eventualmente ter feito for ter dado à essas formas de manifestar prazer, um estatudo mais conforme com os tempos atuais, colocando na equação , ao menos na teoria, muito de segurança, consensualidade, Sanidade e por aí vai, seja qual forma a construamos.
Bondadge, Sadismo, Masoquismo, Dominação, Submissão e tantos outros conceitos e práticas estão disseminadas na história da humanidade ao longo do tempo mesmo admitindo que tenham outro caráter e outra "finalidade" , nenhuma, felizmente, ligada ao motivo pelo qual praticamos o BDSM, ou seja, o prazer.
O que dizer da hierarquia? Desde que o mundo é mundo, a questão da hierarquia é a que constitui e que dá lógica aos agrupamentos humanos organizados e, no nosso caso, uma hierarquia monarquica ou eclesiástica reflete, sem dúvida, a forma que adotamos. Creiam-me, não qualquer crítica ao sistema, ao contrário, apenas nos resta apurar que as formas pré-existentes são desse caráter e poderiam, mesmo assim, propor uma renovação contanto ESTATUÍSSEM (desculpem as maiúsculas) de forma clara e inequívoca, uma abordagem que nos deviasse das formas tradicionais de concepção do sexual/erótico/afetivo e aí residem minhas dúvidas em diversos pontos, alguns dos quais eu abordarei no contexto desse artigo.
A primeira questão que me sucede é de haver, por parte de alguns praticantes com os quais tenho conversado, uma resistência enorme a questão de uma prática libertina dentro do BDSM , ou melhor colocando, o BDSM enquanto prática libertina.
Algumas das pessoas manifestam a impossibilidade do BDSM ser uma prática libertina por ter como seu princípio central uma lógica hierárquica e litúrgica. Ao meu ver, há uma grande dificuldade em assimilar a questão do libertino em sua própria origem.
Lembremos que o conceito da libertinagem, do libertino, pode ser marcado como pertencente ao século XIII, onde a revolução francesa propunha (e efetivamente fez) o rompimento não apenas com a aristocracia vigente mas com seus padrões morais, colocando, assim, essa missão contestatória como sua própria essência.
A leitura dos romances de Sade nos deixa clara essa opção em contextar, expor ao ridículo e ironizar da moralidade hipócrita que vigia, estatuindo que apenas com o rompimento da ordem vigente poderia emergir uma outra que permitisse uma emancipação (que não veio) dos grilhões que acompanharam a humanidade em sua história.
Nem é preciso dizer que essa é uma tarefa difícil até porque bem sabemos quais são os entraves e os preconceitos que sofremos enquantos BDSMistas nessa sociedade repleta de hipocrisia mas para sermos realmente revolucionários é absolutamente necessário estatuirmos tais transformações e , em seguida, defende-las aberta e francamente.
No entanto, nos apropriando de um ensino do Mahatma Gandhi, nada poderemos fazer , nada poderemos dizer de transformador se mantivermos em nosso meio, os mesmos elementos de exceção que a moral clássica faz, ou seja, um movimento que visaria desligitimar algumas manifestações claramente qualificáveis como BDSMistas e indivíduos cuja forma de conceber as práticas e os comportamentos sejam colocados em plano inferior ou não pertencerem "verdaeiramente" ao meio.
Como constumo dizer e repetir, e repetirei mais uma vez aqui, dizer entre "verdaeiro" e "falso" implica em dizer, claramente e sem discussões que tal coisa é a verdade e o que se excetua de tal princípio, é falso. Temos esse consenso? Acredito que não; é desejável esse consenso? Espero que não.
O que já temos, as linhas mestras, já são suficientes para abarcar uma série de práticas de forma legítima e construtiva para o bem do próprio meio. Porque romper essa possibilidade de manifestação que agrupa goreanos, sádicos, sensualistas, fetichistas e uma série de denominações importantíssimas em nossas práticas?
Porque simplesmente nos arrogarmos a guaridães da "pureza" do BDSM sendo que de tantas manifestações que surgiram ao longo do tempo e surgirão daqui para a frente estaremos condenando várias pessoas e grupos à um processo que, sem meias palavras, simplesmente é segregacionistas.
Acredito que , na verdade, para construir um processo de mudanças realmente visando a superação dos entraves que encontramos na nossa prática diária, existem tarefas que deveríamos eleger como prioritárias na minha visão e que comportam mais união do que divisão:

1. Reforçar os grupos que vêm a propor mudanças no CID-10 F65 no sentido de , a exemplo dos homossexuais , as práticas que estão contidas no BDSM sejam retiradas do código internacional de doenças deixando de ser considerados, portanto, "merecedores" de ser comparados , de modo nada abonador, com os pedófilos, só para dar um exemplo.
2. A legitimação de grupos e de opções individuais abertas ou liminarmente segregadas enquanto "falsos BDSMistas" sendo que esses grupos apenas propõem outro entendimento das práticas dentro dos princípios de Sanidade e Segurança tão necessários para que a nossa escravidão moderna seja ao menos tolerada.
3. O estabelecimento cada vez mais disseminado de grupos e foruns de discussão sobre elementos relevantes do BDSM com vistas a criar uma massa crítica que nos permita não apenas responder a ataques mas dar conta dos desafios no sentido de sermos considerados como praticantes de uma forma legítima de manifestação da sexualidade.

Acredito que o quanto mais conseguirmos superar os preconceitos que ainda acontecem no nosso meio em qualquer lugar, nos fortalecemos em nossas convicções e em nossos métodos, tão mais estaremos preparados para fazer essa mudança rápida e profunda na forma que a cultura e a sociedade nos vê e nos sente.
Quem sabe, um dia, poderemos contar que participamos de um movimento que mudou sim a história da vida humana, não coma a pretensão de um soberbo mas com a humildade de alguém que entendeu que toda a forma de amar (e o BDSM assim o é) é bela, válida e podermos nos irmanar com tantos que promoveram as mesmas lutas em seus respectivos setores em prol de um mundo onde cada um possa curtir, nas palavras de Caetano, "a dor e a delícia de ser quem se é".
Aí a tal "revolução" estará consumada . Por enquanto, ainda ensaiamos passoas tímidos no caminho.
Saudações BDSM.

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

2 comentários:

  1. Agradeço sua presença, caríssimo Christian Sword!

    Abraços!

    ResponderExcluir

Os comentários são moderados. Não serão publicados cometários de conteúdo racista, homofóbico, discriminatório de qualquer tipo.
The comments are moderated. WILL NOT be published any commentary with racist, homophobic and discriminatory content against no one and no group.